Greve do BC termina na data marcada; paralisação durou 95 dias
Os servidores do Banco Central cruzaram os braços em abril e reivindicavam reajuste salarial e reestruturação da carreira — demandas que não foram atendidas a tempo

O último capítulo da greve dos servidores do Banco Central (BC) já foi ao ar. A categoria decidiu pelo fim da paralisação em assembleia geral nesta terça-feira (5), após 95 dias.
Mesmo com o fim da greve, os funcionários afirmaram que continuarão mobilizados.
"A mobilização se dará, nesta nova etapa, por outros meios, uma vez que, apesar do reconhecimento da Diretoria Colegiada do BC à relevância da pauta apresentada, ainda são necessários avanços objetivos com o envio e aprovação dos temas no Legislativo", afirma nota do presidente do Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad.
Segundo o Sinal, a categoria deve realizar novos protestos nas próximas semanas.
A paralisação acabou um dia após a data prevista. Na semana passada, também em assembleia geral, os servidores haviam decidido que o fim da greve seria o dia 4 de julho. Na ocasião, levou-se em conta o prazo máximo do governo para a concessão de reajustes.
Isso porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determina que nenhum benefício pode ser criado ou reformulado nos 180 dias finais do mandato presidencial, ou seja, em todo o segundo semestre deste ano.
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Por fim, o Banco Central informou que as publicações — que foram suspensas em razão da greve — voltarão ao normal "assim que possível".
Greve do BC: demanda dos servidores foi atendida?
Essa foi a segunda greve mais longa da história de servidores públicos. Ainda que a paralisação tenha chegado a quase 100 dias, as demandas dos funcionários do Banco Central não foram atendidas.
Os servidores reivindicavam um reajuste salarial de 13,5%, além da reestruturação da carreira e benefícios não-remunerados.
Contudo, não houve diálogo com o governo e nem com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — que segue em período de férias desde 2 de julho.
Atividades afetadas pela greve
O primeiro efeito da greve dos servidores foi a paralisação do Boletim Focus, publicação semanal com as projeções do mercado financeiro sobre os indicadores econômicos.
Desde o início da paralisação, deu para contar nos dedos de uma única mão o número de publicações: em abril, durante uma breve suspensão da greve por 20 dias, e uma versão parcial para a realização do último Copom, nos dias 14 e 15 de junho.
A consulta do "dinheiro esquecido" e a segunda rodada de saques, que estava programada para começar em 2 de maio, permanece sem previsão de volta.
Também em razão da greve do BC, os planos de lançamento da "criptomoeda" do Real foram adiados para 2024, já que o real digital sequer iniciou a fase de testes — previsto para acontecerem neste ano, mas que ficou para o 2023.
Além delas, podemos citar a suspensão da Ptax diária (taxa de conversão entre dólar e real; euro e real), da assinatura de processos de autorização no sistema financeiro e o adiamento da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
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