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AGUARDANDO NA LINHA

Conflito de interesses: O que esperar da conversa entre Joe Biden e Xi Jinping sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia

Biden deve buscar de Xi garantias de que a China não fornecerá ajuda militar e econômica à Rússia, mas será que o presidente dos EUA está preparado para fazer concessões?

Presidente dos EUA, Joe Biden, ao lado do presidente da China, Xi Jinping
Presidente dos EUA, Joe Biden, ao lado do presidente da China, Xi Jinping - Imagem: Lintao Zhang/Getty Images

Quando Xi Jinping pegar o telefone para atender Joe Biden às 10h da manhã de hoje (hora de Brasília), certamente ouvirá do presidente norte-americano um rosário sobre as possíveis consequências do recente fortalecimento da aliança entre China e Rússia.

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É possível até que Biden se queixe da violência da investida militar russa sobre a Ucrânia, mas não deve haver muita ênfase a este aspecto, uma vez que isso abriria um flanco para que ele ouça do presidente chinês alguma constrangedora comparação com as diversas campanhas militares nas quais os Estados Unidos se envolveram no pós-11 de Setembro.

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É improvável que a conversa proporcione algum vislumbre de convergência de ideias entre Biden e Xi. Mas as relações internacionais são regidas por uma série de códigos. E o fato de EUA e China terem agendado uma conversa de alto nível neste momento sugere a propensão de ambos a respeitarem a velha máxima de Sun Tzu: mantenha os amigos perto - e os inimigos mais perto ainda.

Faz parte do teatro

A relação entre Washington e Pequim é tensa e a crise na Ucrânia expôs uma desconfiança mútua, avalia Michael Every, estrategista global do Rabobank.

"Os EUA e a China agora se veem envolvidos em um conflito provocado por um terceiro país, a Rússia, que já esteve tão próximo do mundo ocidental a ponto de sediar o Grupo dos Oito, mas que há anos está à deriva na órbita de Pequim", observa.

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O que esperar

O mais provável é que Biden concentre-se em advertir Xi que as empresas chinesas pagarão um preço alto se Pequim atender aos pedidos do presidente russo, Vladimir Putin, de ajuda militar e econômica.

Qualquer eventual garantia chinesa será condicionada a concessões, provavelmente a retirada de tarifas impostas pelo antecessor de Biden, Donald Trump, e que seguem em vigor.

Simplesmente por divulgar de antemão a conversa com Xi, Biden sugere a Putin que a aliança entre Rússia e China tem lá seus limites.

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Por seu lado, a diplomacia chinesa, mestre na arte da dubiedade e da busca pelo equilíbrio em suas relações, tem sido bastante habilidosa ao lidar com russos e norte-americanos em meio ao conflito na Ucrânia.

Ao mesmo tempo, como qualquer potência que se preze, ela é implacável na perseguição a seus interesses estratégicos. E a China não tem o menor interesse na manutenção de uma ordem mundial controlada pelo Ocidente - e nem no agravamento de uma crise que coloque em risco os objetivos minuciosamente planejados para os próximos anos.

O que a conversa prevista para daqui a pouco mostra uma vez mais é que Washington vê Pequim - e não Moscou - como a potência rival capaz de contestar sua hegemonia.

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