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Desde o momento do início da briga entre SBF e CZ até a desistência da compra da corretora e os efeitos disso no mercado

Quem acompanhou o mercado de criptomoedas nos últimos dias viu o preço dos maiores tokens do mercado escorrer como areia entre os dedos. O bitcoin (BTC) perdeu 21,62% do valor em cerca de 72h — tudo graças a uma disputa entre Binance e FTX, duas das maiores corretoras de criptomoedas (exchanges) do mundo.
Esses gigantes do mercado começaram a disputa pelo Twitter, com a Binance anunciando que iria se desfazer dos tokens da FTX, o FTT. Consequentemente, a criptomoeda registrou uma alta volatilidade no mesmo dia e teve uma forte desvalorização.
Isso fez com que o valor de mercado da FTX caísse, o que abriu uma janela de oportunidade para a Binance comprar suas operações. Mas a empresa de Changpeng Zhao, conhecido como CZ, o CEO da Binance, desistiu da operação — deixando um rastro de destruição para trás.
Relembre o que aconteceu e até onde vai o impacto desses acordos no mercado de criptomoedas:
Em um anúncio feito no domingo (06), o chefe da maior corretora de cripto do mundo em volume negociado anunciou que iria se desfazer de suas posições no token nativo da FTX, o FTT.
A Binance se desfez de cerca de US$ 2,1 bilhões em tokens — tanto em FTT quanto em stablecoins da Binance, a BinanceUSD (BUSD). A exchange de CZ havia recebido essas criptomoedas após um acordo de 2019 com a FTX.
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O anúncio fez com que o FTX Token recuasse mais de 9% nas primeiras horas daquele dia. Na sequência, cerca de US$ 584 milhões em FTT foram transferidos da uma wallet da Binance para a corretora — movimento que costuma preceder a venda de tokens.
No Twitter, CZ afirmou que a companhia faria as transações de maneira a minimizar os impactos no mercado.
Talvez o último dia “normal” do mercado de criptomoedas tenha sido a última terça-feira (08). Até perto do meio-dia, o bitcoin manteve o patamar de US$ 20 mil e os investidores aguardavam a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos desta quinta-feira com cautela moderada.
Tudo mudou a partir do anúncio de que a Binance iria comprar a rival FTX. O anúncio da transação foi feito via Twitter por CZ e confirmado logo na sequência pelo criador da FTX, o bilionário Sam Bankman-Fried, conhecido como SBF.
Isso aconteceu em meio a um imbróglio da FTX, que flertava com o abismo da insolvência — quando a dívida é maior que o patrimônio da empresa — depois que o token nativo FTT perdeu mais de 30% do valor de mercado. A empresa travou os saques de clientes naquele mesmo dia.
Correndo o risco de despencar junto com os clientes, a FTX pediu socorro à Binance.
“Nesta tarde, a FTX pediu nosso auxílio. Eles enfrentam um problema de liquidez significativo. Para proteger os clientes, nós assinamos um acordo inicial de aquisição, manifestando a intenção de adquirir a totalidade da FTX e ajudar a contornar o problema”, disse o chefe da Binance na tarde de hoje.
CZ anunciou que um processo de due diligence — uma revisão nas contas internas da empresa-alvo — será realizado nos próximos dias e alertou que a Binance tem a opção de se retirar do acordo a qualquer momento.
Quando todos os participantes do mercado achavam que o clima começaria a ficar amistoso entre as corretoras, uma nova notícia veio à tona.
“Nós acreditávamos que era possível ajudar os clientes da FTX para fornecer liquidez, mas os problemas estão além de nosso controle ou capacidade de ajudar”, disse a Binance em comunicado. “Decidimos que não prosseguiremos com a potencial aquisição da FTX.com”.
Com isso, o token FTT sofreu uma nova desvalorização. A queda em 24h chegou a 57%, mas foi reduzida para 43% na manhã desta quinta-feira. Nos mesmos três dias em que o BTC caiu mais de 20%, o token da FTX recuou 87,81%.
Com isso, chegamos ao momento presente. O mercado cripto como um todo registrou fortes perdas e deve seguir em queda nos próximos dias — ou até alguma novidade aparecer.
Confira o desempenho das dez maiores criptomoedas do mundo hoje:
| # | Nome | Preço | 24h % | 7d % |
| 1 | Bitcoin (BTC) | US$ 16.510,36 | -7,49% | -18,00% |
| 2 | Ethereum (ETH) | US$ 1.198,98 | -2,46% | -21,83% |
| 3 | Tether (USDT) | US$ 0,9842 | 1,49% | -1,58% |
| 4 | BNB (BNB) | US$ 278,43 | -8,55% | -15,08% |
| 5 | USD Coin (USDC) | US$ 1,01 | 0,54% | 0,56% |
| 6 | Binance USD (BUSD) | US$ 1,01 | 1,01% | 1,10% |
| 7 | XRP (XRP) | US$ 0,3632 | -3,78% | -20,37% |
| 8 | Cardano (ADA) | US$ 3506 | -2,19% | -10,52% |
| 9 | Dogecoin (DOGE) | US$ 0,8328 | -6,06% | -35,90% |
| 10 | Polygon (MATIC) | US$ 0,9315 | -1,46% | -1,27% |
Na visão dos participantes do mercado com quem o Seu Dinheiro vem conversando nos últimos dias, a compra da FTX pela Binance deve continuar pressionando as cotações por mais tempo, até uma definição mais precisa do que acontecerá com as empresas.
Outras exchanges também sentiram o impacto dessa briga entre os dois gigantes do mercado. A corretora Crypto.com suspendeu os saques em stablecoins da Tether (USDT) e USD Coin (USCD), sem dar maiores explicações sobre os motivos.
A expectativa do mercado agora é “ver para crer” no que vai acontecer com as duas exchanges. Até lá, a FTX terá de lidar com as investigações da SEC, a CVM americana, e da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), que já vinham acompanhando a corretora, mas intensificaram as buscas por irregularidades.
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