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É possível sentir uma cautela no ar antes da reunião do Banco Central Europeu (BCE), nesta semana, enquanto acompanhamos as consequências do corte de gás da Rússia
Bom dia, pessoal.
Lá fora, as ações chinesas conseguiram encerrar o pregão de terça-feira em alta, repercutindo a promessa de mais medidas de estímulo do governo chinês para apoiar o crescimento econômico.
De maneira geral, no entanto, os mercados asiáticos, que até acompanhavam o movimento da China por boa parte do dia, acabaram diminuindo as altas e, em certos casos, até recuando.
Ainda conseguimos sentir uma cautela no ar antes de uma reunião do Banco Central Europeu (BCE), nesta semana, enquanto também acompanhamos as consequências do corte de gás da Rússia.
Na volta de feriado nos EUA, os mercados europeus operam predominantemente no positivo nesta manhã, ainda que timidamente, seguidos pelos futuros americanos.
O petróleo recua depois da alta de ontem, enquanto as demais commodities sobem, o que poderia ajudar os ativos brasileiros.
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No Brasil, os investidores se preparam para o feriado de amanhã (7), no Dia da Independência, que fecha os mercados por aqui (mais se fala de política do que da importância da data para a nação em si, mas seguimos).
Naturalmente, em véspera de feriado, um movimento de realização demonstrando cautela poderia ser verificado, até mesmo porque existe um temor de eventuais atos políticos turbulentos no país — entendo que seja mais ruído do que sinal a longo prazo.
Estamos a três semanas do primeiro turno das eleições, em meio a uma janela semanal com 8 pesquisas sendo apresentadas — já tivemos algumas ontem, mostrando consolidação de cenário, e teremos mais hoje.
Sem grandes mudanças e com estagnação das forças polarizadas, os dois favoritos para a disputa de segundo turno devem buscar mobilizar suas respectivas bases no dia 7 de setembro para ganhar alguma tração na reta final (é possível, em especial para a máquina pública).
Francamente? Mais me interessa a fala de ontem do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, relembrando a chance de elevarmos em ainda 25 pontos-base a Selic no Comitê de Política Monetária (Copom), que divulgará sua decisão no dia 21 de setembro, mesma data do Fed (teremos novamente a famosa "Super Quarta”).
Não vai ser o fato de a taxa repousar em 13,75% ou em 14% que importa, mas, sim, o fato de que a inflação ainda está longe de estar controlada.
Os americanos retomam os negócios hoje, com chance de desfecho positivo, pelo menos se observarmos o comportamento dos futuros americanos nesta manhã (não quer dizer muito hoje em dia, infelizmente, diante da exacerbação de volatilidade, mas um pouco de esperança nunca foi pedir muito).
A volta do feriado contempla algumas pesquisas de opinião empresarial, que medem um pouco da temperatura da atividade.
Mais me preocupa o comportamento da inflação por lá nas próximas semanas, refletindo o agravamento da crise energética europeia e novo corte de oferta por parte da OPEP+.
É provável que já tenhamos atingido o pico dos preços nos EUA. No entanto, embora a tendência esteja melhorando, temos um longo caminho a percorrer para voltar à meta de 2% de inflação — esse é o caminho que nivela a política monetária.
Alguns players relevantes de mercado projetam um retorno à normalidade até o final de 2023 ou início de 2024, sendo que o Fed concorda por meio de suas projeções econômicas mais recentes, quando previu que estaria dentro de sua meta de inflação de 2% até 2024, muito semelhante ao que deverá acontecer com o Brasil, de acordo com a própria comunicação do nosso BC.
Na União Europeia, se estuda um teto de preço de gás no atacado entre os estados membros.
Além disso, também se considera uma limitação do preço das importações russas. O problema é que não dá para colocar um limite naquilo que sequer existe.
O agravamento da situação levou os russos a interromperem o fornecimento do gás, ampliando as pressões inflacionárias.
Com a reunião do BCE se aproximando, há pouco a ser feito a não ser subir os juros (eu ouvi 75 pontos-base?).
Com isso, o risco de uma recessão profunda na Zona do Euro só aumenta, o que seria catastrófico para a economia global como um todo.
Como esperado, a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, será nomeada a nova primeira-ministra do Reino Unido hoje, depois de ganhar a corrida pela liderança do partido conservador do ex-secretário das Finanças, Rishi Sunak.
Não foi um processo eleitoral simples e há uma divisão de suporte conservador no parlamento, o que dificulta ainda mais o trabalho (os britânicos estão começando a se inspirar nos italianos quando se trata de estabilidade política).
Ela não terá um trabalho fácil pela frente:
Pior que a situação é só o plano dela para lidar com todos os problemas. A estratégia é tabelar preços, cortar impostos e aumentar gastos.
Isso me parece mais uma fórmula para explodir o Reino Unido do que qualquer outra coisa.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (OPEP+) decidiu ontem reduzir as metas de produção em cerca de 100 mil barris por dia a partir de outubro, desfazendo na prática o último movimento de elevar a oferta na mesma quantidade indicada na reunião passada.
Alegando instabilidade no mercado (também relacionada com um dólar mais forte) e temendo mais oferta de petróleo do Irã, em um eventual acordo nuclear, o grupo liderado pelos sauditas voltou a colocar o preço do barril para cima.
Deveríamos substituir o tradicional "não lute contra o Fed" por "não lute contra a Opep+".
Movimentos semelhantes podem voltar a acontecer nas próximas reuniões, apertando mais o setor energético, que já está em uma situação bastante calamitosa. O próximo encontro está marcado para o dia 5 de outubro.
Estruturalmente, ainda que haja recessão, os próximos anos parecem bons para o mercado de energia.
O mercado pediu e Pequim atendeu.
O governo chinês prometeu aumentar os esforços de estímulo no terceiro trimestre, enquanto o país luta contra a desaceleração do crescimento diante dos bloqueios provocados pelo próprio governo chinês no combate à pandemia de Covid-19 e uma crise de energia potencial.
Adicionalmente, o Banco Popular da China (leia-se Banco Central) também anunciou um corte na quantidade de divisas que devem ser mantidas pelas instituições locais, indicando que o governo planeja evitar que o yuan caia ainda mais.
As medidas ajudam, mas não diminuem a preocupação com a crise imobiliária no país.
Um abraço,
Matheus Spiess
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