Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional
Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

Na vida financeira, eu sempre tentei me definir como um pessimista em curto prazo e um otimista em longo. Ao contrário do que possa parecer, isso não implica uma crença romântica de que as coisas vão sempre melhorar.
Tem mais a ver com uma postura anticíclica — tão estoica quanto hedonista — em relação às manchetes, tentando ponderar algum grau de reversão à média quando as coisas vão de mal a pior, e também quando vão de bem a melhor.
No momento corrente, como você pode imaginar, está mais fácil praticar o pessimismo consensual em relação ao curto prazo, ainda que o pregão de hoje possa ser inspirador.
Empurrado pelo carpe diem, dedico minhas energias a imaginar um cenário no qual a guerra do Irã não deixa heranças malditas e perenes sobre a economia e a geopolítica global.
Esse é um cenário maluco; prefiro guardá-lo comigo, não comento com ninguém, para não acharem que eu sou maluco também.
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Nele, eu fico pensando na trajetória de reprovação do Lula, no podcast que o Flávio acabou de gravar, se Caiado é a nova Tebet, se o IPCA vai estourar o teto da meta em 2026, se o Copom vai cortar 150 bps — que não são 300 bps, mas bem melhor que 0 bps.
Ou seja, penso em assuntos que há pouco tempo guiavam a minha vida financeira, e que agora são quase frívolos.
Pessimismo em perspectiva
Então, de repente, meu amigo Valtinho me provoca com a seguinte pergunta:
“Suponha que, aplicando uma exótica regra de 3, exista “X” que está para a Guerra do Irã assim como a Guerra do Irã está para o novo vale-gás do Lula; o que seria X?”.
Hipoteticamente, poderia ser Marco Rubio abrindo um Arquivo X que revela as armas extraterrestres capturadas em solo americano nos últimos 50 anos.
Ou poderia ser um paper acadêmico recém-publicado por alguns dos maiores especialistas em Quantum AI do mundo.

Bingo!
Sem a pretensão de entrar em detalhes demasiadamente técnicos, ficamos sabendo pelo Valtinho que as rotinas de criptografia atuais logo serão quebradas pela tecnologia ascendente da computação quântica.
Deve demorar um pouquinho ainda (2029?)… mas, quando isso acontecer, a quebra ocorrerá de forma absolutamente trivial, em questão de minutos.
Isso representa uma ameaça estrutural não só ao mundo das criptomoedas e do blockchain, mas também a todos os sistemas de identificação e transação que adotamos em larga escala.
Felizmente, é um risco que pode ser mitigado por novas arquiteturas (também quânticas) de criptografia — o que me deixa um pouco mais otimista em relação ao futuro.
O caminho para o otimismo
Ironicamente, porém, minha maior fonte de otimismo advém do simples fato de que sempre podemos nos deparar com um problema várias vezes maior do que aquele que enfrentamos à nossa frente.
Usando de um pouco de boa fé, essas novas perspectivas teoricamente “desesperadoras” nos ajudam a redimensionar barreiras que até então considerávamos máximas e intransponíveis.
Ou seja, se você está preocupado neste momento com o target price de PRIO3 ou com o embate Lula x Flávio para as eleições de 2026, provavelmente não está nem suficientemente pessimista e nem suficientemente otimista.
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