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A temporada de resultados segue aquecida. Depois de um início não tão ruim com os bancos, os ventos parecem começar a se inverter, com muita preocupação com uma recessão em 2023
Bom dia, pessoal. Lá fora, os mercados encerraram o pregão predominantemente em baixa nesta quinta-feira (20), acompanhando as movimentações negativas dos mercados globais durante ontem (19), já que os investidores continuaram preocupados com uma recessão global depois que os dados mostraram uma forte aceleração da inflação do Reino Unido.
Adicionalmente, o salto recente nos rendimentos do Tesouro dos EUA para o nível mais alto em mais de quatorze anos também fortaleceu o dólar americano em relação às moedas asiáticas, criando sensação de aversão ao risco.
Na Europa, os mercados não caminham em uma mesma direção, mas o tom que predomina é o negativo, assim como acontece com os futuros americanos, que caem nesta manhã.
Alguns resultados corporativos relevantes da temporada americana começam a mostrar certa piora, criando uma sensação de que a percepção entre os investidores está se deteriorando. Sem falar, claro, do problema da escalada da inflação ao redor do mundo.
O Brasil pode, eventualmente, se descolar desse sentimento, como fez ontem (em linha com o primeiro e o terceiro trimestre). A ver...
Hoje, no Brasil, em dia de digestão de mais uma prévia da inflação pelo IGP-M, que segue mostrando deflação, os investidores discutem sobre a disputa presidencial, cada vez mais acirrada.
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Para ilustrar, ontem o Datafolha mostrou convergência dos dois nomes em um ponto percentual para cada.
Naturalmente, a variação está dentro da margem de erro e não muda o fato de o cenário base ainda ser uma vitória de Lula.
De qualquer forma, a crença na possibilidade de uma virada anima os mercados.
Quanto mais acirrada estiver a disputa, mais ganha força a tese de que Lula terá que convergir ao centro para governar, não sendo uma ameaça para as conquistas pró-mercado dos governos Temer e Bolsonaro.
Por outro lado, caso Bolsonaro confirme sua virada no dia 30, o mercado local deve andar muito bem, assim como fazem as estatais sempre que a disputa se mostra como mais e mais acirrada.
Quanto mais próximo do segundo turno estivermos, mais sensíveis os ativos ficarão.
Ontem, nem a interpretação de que o tom do Livro Bege do Federal Reserve tinha sido amenizado evitou uma queda das ações americanas.
Sabemos que a atividade dos EUA deve enfraquecer nos próximos meses, o que parece não ser o suficiente para impedir duas novas altas de 75 pontos-base nos juros por lá, em novembro e dezembro.
O documento do Fed, que compila a situação econômica dos 12 distritos da autoridade monetária, fez referência à desaceleração da atividade e à desaceleração da inflação em algumas áreas dos EUA.
Enquanto isso, a temporada de resultados segue aquecida. Depois de um início não tão ruim com os bancos, os ventos parecem começar a se inverter.
Aliás, esta temporada parece ser mais sobre o que vem a seguir do que sobre o que já aconteceu (há muita preocupação com uma recessão em 2023).
Hoje, contamos com nomes como Blackstone, Dow, Union Pacific, American Airlines Group, AT&T, Philip Morris International e Snap.
Em havendo surpresas negativas, o humor já ruim desta manhã poderia se aprofundar. Alguns dados econômicos também estão no radar.
No velho continente, os problemas se amontoam. No Reino Unido, por exemplo, que quer competir com a Itália para ver quem tem o ambiente político mais incerto e volátil, outro membro sênior do governo renunciou.
Movimentos como este deveriam pressionar a primeira-ministra, que completou pouco mais de um mês no cargo, a também renunciar.
A crise de credibilidade recente pode ter sido estabilizada, mas isso não melhora a percepção sobre a competência sobre a gestão de Liz Truss.
Enquanto isso, o problema dos preços permanece nas rodas de debates. Ontem vimos uma inflação no Reino Unido e na Zona do Euro acelerando frente ao observado no mês anterior.
Hoje, a inflação dos preços ao produtor na Alemanha surpreende e vem acima do esperado, registrando alta de 45,8% na comparação anual.
Uma inflação tão elevada deverá impedir um relaxamento de postura por parte do Banco Central Europeu, que deverá continuar subindo juros nos próximos meses.
As ações chinesas atingiram a mínima em vários anos em meio à crescente preocupação com o aumento dos casos de Covid na China e às perspectivas econômicas mais incertas.
Vale lembrar que continua ocorrendo o 20º Congresso do Partido Comunista da China, o que tem impedido a divulgação dos dados econômicos esperados nesta semana — o congresso deverá delinear a remodelação na liderança chinesa para os próximos anos, renovando o mandato de Xi Jinping.
O problema é que o mercado está preocupado com as perspectivas de crescimento da China após o discurso de abertura de Xi Jinping no congresso do partido.
O líder chinês não deu sinais de se afastar da rígida política de zero Covid do país ou de sua postura regulatória rígida, dois vetores prejudiciais ao crescimento econômico da segunda maior economia do mundo.
Até agora, o congresso falhou em gerar um catalisador positivo e a decisão de adiar a divulgação das principais leituras econômicas pode sugerir que os dados são tão feios que eles não querem que sejam divulgados agora.
As consequências da guerra de Vladimir Putin na Ucrânia estão começando a se espalhar pelas nações da periferia da Rússia, apresentando mais dores de cabeça.
Para ilustrar, o conflito entre o Azerbaijão e a Armênia eclodiu novamente, apesar de um cessar-fogo mediado pelo presidente russo que interrompeu a guerra de 2020.
Hoje, se recuperando da retirada de seu exército no nordeste da Ucrânia, não está claro o que a Rússia poderia oferecer a seu aliado.
É apenas um exemplo dos vários líderes que têm interesse em expandir sua influência às custas de Putin.
Os EUA, por exemplo, também consideram a energia de estados da Ásia Central, como o Cazaquistão, contornando a Rússia, como um fator-chave para reduzir a influência de Moscou — as autoridades cazaques entraram em contato com a UE, a Turquia e os estados do Oriente Médio desde a invasão de Putin para tentar reduzir a dependência de Moscou.
Outro player é a Turquia, que vê uma abertura para expandir sua influência na Ásia central como uma ponte para a Europa através do Cáucaso.
Tudo está em jogo agora. Moscou agora enfrenta uma concorrência muito maior de potências rivais em seu antigo quintal soviético.
Para piorar, a bem-sucedida ofensiva ucraniana nas últimas semanas está aumentando a perspectiva antes inimaginável de uma derrota militar russa. Isso pode apenas intensificar a disputa que promete moldar as relações internacionais na próxima década.
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