Aperte os cintos: o Fed praticamente acabou com as teses de crescimento, e o fim do bear market rally está aí
Saída da atual crise inflacionária passa por algum sacrifício. Afinal, estamos diante de um ciclo econômico clássico e será preciso esfriar o mercado de trabalho

Como temos conversado ao longo de nossas últimas colunas, os mercados internacionais, em especial o norte-americano, pareciam viver entre julho e agosto o que se chama de bear market rally, ou rali de mercado de baixa — para ilustrar, entre meados de junho e meados de agosto, o índice Nasdaq subiu mais de 20%.
O gatilho teria sido um entendimento, sempre mencionado neste espaço como afobado demais, de que o Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, poderia reduzir o ritmo de aperto monetário por conta do pico de inflação já ter passado.
Em linhas gerais, se a inflação passasse a arrefecer gradualmente e outros indicadores de atividade também apresentassem contração, não haveria motivo para que houvesse agora contracionismo em demasia. Como sempre falei, contudo, essa sempre me pareceu uma visão um pouco complicada, propagada por investidores ansiosos.
Deu no que deu.
Na última sexta-feira (26), na fala mais importante do Simpósio de Jackson Hole, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, lembrando aquele discurso de Ben Bernanke sobre o “taper tantrum”, apresentou um tom mais duro do que os mercados esperavam — havia algumas esperanças de que o Fed indicaria um "pivô" (mudança em direção a uma queda de juro em 2023) em sua política de aperto.
Foi o seu momento “whatever it takes” (fazer o que for necessário, em alusão à expressão de Mario Draghi). Assim, a ideia do “Fed pivot” ficou mais longe. O choque e a volatilidade são sempre duros. O resultado não foi bom.
Será o fim das teses de crescimento?
Na segunda-feira, as ações voltaram a cair diante de yields (rendimentos) dos títulos do tesouro norte-americano mais altos. Parece que Powell pode ter matado o investimento em teses de crescimento, que estava funcionando tão bem nas últimas semanas.
Leia Também
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
Ou seja, o movimento positivo parece ter acabado agora, o que mostra que os investidores estão apenas se acostumando com a ideia de que as taxas de juros podem subir mais e mais rápido, permanecendo elevadas por mais tempo.
Basicamente, restaurar a estabilidade de preços levará algum tempo e provavelmente exigirá um período sustentado de crescimento abaixo da tendência e condições mais brandas do mercado de trabalho.
Foi uma mensagem clara de que o banco central está disposto a renunciar a quaisquer ganhos econômicos obtidos durante a pandemia, e, possivelmente, a um "soft landing" (pouso suave), para garantir que a inflação não saia do controle.
Dessa forma, o sentimento deverá permanecer abalado para o mercado de ações.
Fed está de olho no indicadores econômicos
A decisão na reunião de setembro (20 e 21 do mês que vem) dependerá da totalidade dos dados econômicos apresentados e da evolução das expectativas de inflação.
Em algum momento, à medida que a postura da política monetária apertar ainda mais, provavelmente será apropriado diminuir o ritmo dos aumentos. Por enquanto, porém, devemos voltar a ver mais um aumento de 75 pontos-base da taxa básica de juros.
O mercado precifica como quase 70% de chance de mais um aumento desta mesma magnitude, colocando os juros entre 3,00% e 3,25% ao ano.
O motivo?
Bem, em seu discurso, o presidente do Fed fez referência ao famoso "matador da inflação" da década de 1980, dizendo que parte da equação para ancorar a estabilidade de preços era também quebrar o controle das expectativas inflacionárias.
À época, quando quem chefiava a instituição era Paul Volcker, um longo período de política monetária muito restritiva foi necessário para conter a alta inflação, após várias tentativas fracassadas nos 15 anos anteriores.
Com isso, reconhecemos que a saída da atual crise inflacionária passa, necessariamente, por algum sacrifício. Afinal, estamos diante de um ciclo econômico clássico e, para combater a inflação, teremos de esfriar o mercado de trabalho.
Gerar desemprego para conter o avanço da demanda agregada vai conter os preços e permitir redução de juros lá na frente. Quanto antes o mercado encarar de frente essa realidade, melhor, uma vez que o registro histórico adverte fortemente contra o afrouxamento prematuro da política monetária. É o custo infeliz de reduzir a inflação.
Portanto, ainda guardo um certo pessimismo para as ações norte-americanas, que podem usar as próximas semanas para renovar as mínimas à medida que os investidores globais absorvem a severa mensagem de Powell de taxas mais altas.
Para piorar, o mês de setembro costuma ser de maior volatilidade e de queda, em média, para os índices do EUA. Ou seja, o curto prazo volta a ser nebuloso, com mais catalisadores para a volatilidade à frente.
A cautela é alta e devemos estar preparados para novos desafios à frente.
GOSTOU DESTE CONTEÚDO? Tenha acesso a ideias de investimento para sair do lugar comum, multiplicar e proteger o patrimônio.
RECOMENDAÇÃO NEUTRA
UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
24 de agosto de 2026 - 15:22DESTAQUES DA BOLSA
Casamento à vista? Yduqs (YDUQ3) dispara 12% após confirmar conversas com dona da Afya (AFYA) para combinação de negócios
24 de agosto de 2026 - 11:27EM MEIO A UM "VALE DE DESEMPENHO"
Após o ‘maior erro de sua história’, Squadra coloca Meli (MELI34) e Nubank (ROXO34) entre as maiores apostas e vê oportunidades ignoradas pelo mercado
24 de agosto de 2026 - 11:07CARTEIRA SEMANAL
Quer ganhar do Ibovespa? Terra aposta em WEG (WEGE3), MBRF (MBRF3) e mais 3 ações nesta semana
23 de agosto de 2026 - 15:30SOB PRESSÃO
TRXF11 está dando um passo maior que a perna? CEO responde, mas mercado não compra e cota cai mais de 9% nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:33SOBE E DESCE
Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram
22 de agosto de 2026 - 12:11PIOR DO RANKING
Do topo ao poço da América Latina: Ibovespa perde o encanto e entra na lanterna dos gringos
21 de agosto de 2026 - 19:33ADEUS, ESTRANGEIRO
UBS vê exagero no medo dos juros nos EUA, mas alerta: Brasil está entre os mercados mais vulneráveis
21 de agosto de 2026 - 18:31BOTA CASACO, TIRA CASACO
Hapvida (HAPV3) convence ANS e consegue derrubar trava sobre reajustes — mas agência ficará de olho
21 de agosto de 2026 - 18:02AÇÕES PARA COMPRAR AGORA
As melhores oportunidades desde a crise Dilma: após a bolsa perder o equivalente a uma Vale (VALE3), gestor revela onde investir
21 de agosto de 2026 - 17:17Conteúdo BTG Pactual
FI-Infra: Conheça classe de ativos e saiba se vale a pena investir agora
21 de agosto de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #284
Até os gênios da Faria Lima desistiram? Por que a crise dos multimercados não é o fim da indústria
20 de agosto de 2026 - 19:02CORRIDA DO OURO
Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%
20 de agosto de 2026 - 18:01PENTE-FINO
Hapvida (HAPV3) ganha novo problema: ANS barra estratégia que coloca 950 mil clientes na mira e ações caem mais de 7%
20 de agosto de 2026 - 17:35DISPARADA NAS ÚLTIMAS HORAS
O que fez o bitcoin disparar 20% e voltar aos US$ 72 mil? Três fatores explicam a arrancada
20 de agosto de 2026 - 10:40CONTEÚDO BTG PACTUAL
Um novo jeito de investir na Amazônia: Conheça o AMAB11, ETF do BTG Pactual
20 de agosto de 2026 - 9:30ANALISTAS RECOMENDAM A COMPRA
Embraer (EMBJ3), Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3) têm gatilho em comum para o BTG e a XP; entenda por que investir
19 de agosto de 2026 - 18:12DO PICO AO PISO
A pior semana para a bolsa brasileira em 18 anos: você deve seguir a fuga de R$ 12,6 bilhões dos estrangeiros?
19 de agosto de 2026 - 14:28PECHINCHA OU VALOR?
“Não é agora”: gestor da AlphaKey manda recado sobre Magazine Luiza (MGLU3) e revela o que procura na bolsa
18 de agosto de 2026 - 19:15POR TRÁS DA DISPARADA