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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

ESQUENTA DOS MERCADOS

Ata do Fed dá o tom do dia no mercado; bolsas europeias abrem em leve alta; no Ibovespa, investidores seguem de olho na Petrobras (PETR4)

Bolsas devem operar de lado até o meio da tarde, quando será divulgada a ata do Fed; tom do documento será fundamental para definir os rumos do pregão

Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de camiseta cinza com o brasão do Fed, mãos na cabeça e rodeado pelo dragão da inflação, dólar, bandeira da Ucrânia e da Rússia e gráfico dos mercados de ações
Ata do Fed deve dar o tom na reta final de negócios. - Imagem: Shutterstock, Envato e Brenda Silva

Os mercados financeiros do Brasil e dos Estados Unidos ensaiam alguma recuperação para a abertura da sessão desta quarta-feira em um dia no qual as atenções estarão concentradas na ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

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Os índices futuros da bolsa de Nova York oscilam perto da estabilidade e as bolsas de valores europeias iniciaram o dia em leve alta.

Não se trata de nada muito marcante, mas o movimento pode ajudar o Ibovespa durante a manhã. Ontem, depois de começar o dia em forte queda, a bolsa brasileira recuperou-se no fim da sessão e fechou no azul.

Ata do Fed deve dar o tom dos negócios

Seja como for, a não ser que alguma notícia de última hora influencie os mercados, a tendência é que nenhum movimento mais brusco ocorra até o meio da tarde, para quando está prevista a divulgação da ata do Fed.

Para os analistas de mercado, não há dúvida de que o Fed subestimou os riscos inflacionários com aquela conversa de “caráter transitório” da alta dos preços.

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O problema é que agora, com o impacto da retirada dos estímulos, o temor passa a ser de que a maior economia do mundo caminhe para uma estagflação.

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Isto em um momento no qual a China dá sinais de desaceleração em decorrência da política de covid zero e a Europa está às voltas com os efeitos colaterais da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Vale lembrar que o Banco Central Europeu (BCE) ainda não começou a retirar os estímulos à economia. Segundo a presidente do BCE, Christine Lagarde, a autoridade monetária da zona do euro deve começar a agir somente em julho, mas deve pôr fim à era de juro negativo em algum momento dos próximos meses.

Nesse contexto, o tom da ata do Fed será fundamental para definir os rumos dos negócios na reta final do pregão, com grande potencial de volatilidade. A divulgação da ata está prevista para as 15h.

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Petrobras (PETR4) segue no foco dos investidores

No cenário local, os investidores continuam de olho na Petrobras (PETR4). José Mauro Coelho deve continuar na presidência da empresa pelo menos até o fim do mês que vem. Isto porque os acionistas da Petrobras só devem votar em junho o nome de Caio Paes de Andrade para o cargo.

A frenética dança das cadeiras na Petrobras castigou as ações da empresa no Ibovespa ontem - e também os seus ADRs em Wall Street.

Os agentes do mercado financeiro estão incomodados com a insistência do presidente Jair Bolsonaro em buscar meios de interferir na política de preços de combustíveis da Petrobras.

Membros do alto escalão do governo, como os ministros Paulo Guedes (Economia) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia), insistem que as trocas de comando da Petrobras embutem a defesa da privatização e o respeito à governança corporativa.

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Mas os investidores enxergam apenas uma ação de viés eleitoreiro em um momento no qual Bolsonaro encontra dificuldade para estreitar a desvantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.

Agenda vazia no Brasil

A agenda de indicadores econômicos e balanços corporativos está vazia no Brasil.

No exterior, para além da ata do Fed, destaque para o balanço da Nvidia.

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