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Bolsas devem operar de lado até o meio da tarde, quando será divulgada a ata do Fed; tom do documento será fundamental para definir os rumos do pregão
Os mercados financeiros do Brasil e dos Estados Unidos ensaiam alguma recuperação para a abertura da sessão desta quarta-feira em um dia no qual as atenções estarão concentradas na ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Os índices futuros da bolsa de Nova York oscilam perto da estabilidade e as bolsas de valores europeias iniciaram o dia em leve alta.
Não se trata de nada muito marcante, mas o movimento pode ajudar o Ibovespa durante a manhã. Ontem, depois de começar o dia em forte queda, a bolsa brasileira recuperou-se no fim da sessão e fechou no azul.
Seja como for, a não ser que alguma notícia de última hora influencie os mercados, a tendência é que nenhum movimento mais brusco ocorra até o meio da tarde, para quando está prevista a divulgação da ata do Fed.
Para os analistas de mercado, não há dúvida de que o Fed subestimou os riscos inflacionários com aquela conversa de “caráter transitório” da alta dos preços.
O problema é que agora, com o impacto da retirada dos estímulos, o temor passa a ser de que a maior economia do mundo caminhe para uma estagflação.
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Isto em um momento no qual a China dá sinais de desaceleração em decorrência da política de covid zero e a Europa está às voltas com os efeitos colaterais da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Vale lembrar que o Banco Central Europeu (BCE) ainda não começou a retirar os estímulos à economia. Segundo a presidente do BCE, Christine Lagarde, a autoridade monetária da zona do euro deve começar a agir somente em julho, mas deve pôr fim à era de juro negativo em algum momento dos próximos meses.
Nesse contexto, o tom da ata do Fed será fundamental para definir os rumos dos negócios na reta final do pregão, com grande potencial de volatilidade. A divulgação da ata está prevista para as 15h.
No cenário local, os investidores continuam de olho na Petrobras (PETR4). José Mauro Coelho deve continuar na presidência da empresa pelo menos até o fim do mês que vem. Isto porque os acionistas da Petrobras só devem votar em junho o nome de Caio Paes de Andrade para o cargo.
A frenética dança das cadeiras na Petrobras castigou as ações da empresa no Ibovespa ontem - e também os seus ADRs em Wall Street.
Os agentes do mercado financeiro estão incomodados com a insistência do presidente Jair Bolsonaro em buscar meios de interferir na política de preços de combustíveis da Petrobras.
Membros do alto escalão do governo, como os ministros Paulo Guedes (Economia) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia), insistem que as trocas de comando da Petrobras embutem a defesa da privatização e o respeito à governança corporativa.
Mas os investidores enxergam apenas uma ação de viés eleitoreiro em um momento no qual Bolsonaro encontra dificuldade para estreitar a desvantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.
A agenda de indicadores econômicos e balanços corporativos está vazia no Brasil.
No exterior, para além da ata do Fed, destaque para o balanço da Nvidia.
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