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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas reagem ao Fed mais ‘amigável’; Ibovespa se ajusta à alta da Selic para 12,75% e monitora risco fiscal hoje

A Super Quarta passou e o Banco Central americano retirou a pressão do mercado financeiro, com um comunicado que agradou os investidores

Renan Sousa
Renan Sousa
5 de maio de 2022
8:02 - atualizado às 8:23
Federal Reserve movimenta as bolsas / grandes bancos dos eua
Confira o que movimenta bolsas, Ibovespa e dólar hoje. Imagem: Divulgação

Entre tapas e beijos, o Federal Reserve conseguiu impulsionar as bolsas no final da última Super Quarta com seus — nem tão costumeiros — afagos. Jerome Powell, presidente do Fed, deu sinais de que o aperto monetário dos Estados Unidos não será tão intenso quanto o esperado. 

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Isso porque ontem (04), o Fed anunciou a elevação dos juros para a faixa entre 0,75% e 1,00%, um avanço de 50 pontos-base na taxa. Mas Powell garantiu que o monetário não terá elevações mais bruscas, da ordem de 0,75 pontos percentuais, um dos grandes temores do mercado. 

E isso deu motivo mais que de sobra para os índices internacionais reagirem. Após o anúncio, o Ibovespa inverteu o sinal e passou a avançar e fechou o dia em  alta de 1,70%, aos 108.343 pontos. 

O dólar à vista também inverteu a tendência de valorização e caiu 1,21%, fechando as negociações no patamar de R$ 4,9036

Confira o que movimenta bolsas, dólar e Ibovespa nesta quinta-feira (05):

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Bolsas reagem ao Fed mais dovish

As falas menos agressivas (dovish, no jargão do mercado) ecoam no otimismo das bolsas nesta manhã. 

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Os índices da Ásia e Pacífico encerraram as negociações em alta, enquanto a abertura na Europa pela manhã também foi em terreno positivo. Os balanços regionais também impulsionam a alta das bolsas por lá nas primeiras horas do dia. 

Já os futuros das bolsas de Nova York se ajustam após o Fed; no fechamento dos negócios de ontem, os índices de Wall Street contaram com avanços na casa dos 3%.

Sinais da China ligam alerta para bolsas

Mesmo com o otimismo gerado pelo maior Banco Central do mundo, outro indicador permanece no radar e pode assustar os investidores quando a festa pós Fed acabar. 

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Na China, os impactos da onda de covid-19 afetaram o índice do gerente de compras (PMI, me inglês) do setor de serviços por lá. O indicador atingiu os 36,2 pontos, o menor nível desde a pior fase da doença no país, em fevereiro de 2020. 

A desaceleração da segunda maior economia do mundo afeta a retomada dos demais países, que também precisam lidar com a volta da doença em seus cenários domésticos. 

Nas terras da rainha

Para fechar o panorama internacional desta quinta-feira, os investidores acompanham a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (Bank of England, ou BoE).

O anúncio deve afetar com mais intensidade as bolsas da Europa. Nas expectativas do mercado, o BoE deve elevar os juros pela quarta vez seguida, tendo em vista a persistência da inflação no país, alimentada pela guerra na Ucrânia.

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Brasil e o Ibovespa: o BC para encarar

No cenário doméstico, os investidores reagem à elevação de juros do Banco Central de 11,75% para 12,75%, em linha com o esperado pelo mercado. Para as próximas reuniões, o BC deve reduzir o ritmo de elevação da Selic, o que deve animar o mercado.

Ontem, o BC evitou falar sobre o cenário alternativo — que causou preocupação após a decisão de política monetária de março. Entre os pontos que criaram esse panorama, estava o preço do barril de petróleo acima dos US$ 100, que já foi incorporado ao cenário de referência da autoridade.

Com isso, o BC local prevê que o IPCA para 2022 fique em 7,3% e em 3,4% para o final de 2023. A autoridade monetária destaca que a piora da inflação corrente e a “desancoragem das expectativas” em longo prazo implicam em um ciclo de aperto monetário contínuo. 

E as turbulências não param por aí: MP do Auxílio Brasil

O gosto amargo do comunicado do BC e a entrada do país em um terreno ainda mais contracionista já são motivos de sobra para o investidor ter um otimismo contido no pregão de hoje. 

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Ainda ontem, os Senadores aprovaram o texto da Medida Provisória (MP) que instaura permanentemente o Auxílio Brasil como programa substituto ao Bolsa Família. O texto criou um benefício extra para garantir o pagamento mínimo de R$ 400 do programa de ajuda, de acordo com a Agência Senado. 

O texto segue para sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro, que deve aprovar a MP sem maiores ressalvas. 

Preocupações com o Orçamento e a bolsa local

Os economistas já previam que um programa social de R$ 400 impactaria as contas públicas em R$ 32,4 bilhões.

Somado a isso, os policiais federais pretendem questionar o aumento linear de apenas 5% dos salários, tendo em vista que o valor não repõe as perdas inflacionárias desde o início do governo do presidente Bolsonaro. 

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Se aprovado, esse aumento custaria cerca de R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos, valor quase quatro vezes maior do que o montante destinado ao reajuste de policiais federais estipulado pelo Congresso, de R$ 1,7 bilhão

A peça orçamentária segue como um “cobertor curto” e os riscos com o descontrole das contas públicas pode colocar a atual gestão em maus lençóis — sabendo que o mercado é avesso à gastanças desenfreadas. 

Agenda do dia

  • Reino Unido: Decisão de política monetária do BoE (8h)
  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
  • Estados Unidos: PMI global e de serviços em abril (12h)
  • Economia: Balança comercial de abril (15h)
  • Áustria: Reunião ministerial da Opep+ (sem horário específico)

Balanços do dia

Após o fechamento:

  • Bradesco (Brasil)
  • Engie (Brasil)
  • Lojas Renner (Brasil)
  • Natura (Brasil)
  • Petrobras (Brasil)
  • Rumo (Brasil)
  • Unidas (Brasil)
  • Stellantis (Holanda)

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