Esquenta dos mercados: Bolsas reagem ao Fed mais ‘amigável’; Ibovespa se ajusta à alta da Selic para 12,75% e monitora risco fiscal hoje
A Super Quarta passou e o Banco Central americano retirou a pressão do mercado financeiro, com um comunicado que agradou os investidores
Entre tapas e beijos, o Federal Reserve conseguiu impulsionar as bolsas no final da última Super Quarta com seus — nem tão costumeiros — afagos. Jerome Powell, presidente do Fed, deu sinais de que o aperto monetário dos Estados Unidos não será tão intenso quanto o esperado.
Isso porque ontem (04), o Fed anunciou a elevação dos juros para a faixa entre 0,75% e 1,00%, um avanço de 50 pontos-base na taxa. Mas Powell garantiu que o monetário não terá elevações mais bruscas, da ordem de 0,75 pontos percentuais, um dos grandes temores do mercado.
E isso deu motivo mais que de sobra para os índices internacionais reagirem. Após o anúncio, o Ibovespa inverteu o sinal e passou a avançar e fechou o dia em alta de 1,70%, aos 108.343 pontos.
O dólar à vista também inverteu a tendência de valorização e caiu 1,21%, fechando as negociações no patamar de R$ 4,9036
Confira o que movimenta bolsas, dólar e Ibovespa nesta quinta-feira (05):
Bolsas reagem ao Fed mais dovish
As falas menos agressivas (dovish, no jargão do mercado) ecoam no otimismo das bolsas nesta manhã.
Leia Também
Os índices da Ásia e Pacífico encerraram as negociações em alta, enquanto a abertura na Europa pela manhã também foi em terreno positivo. Os balanços regionais também impulsionam a alta das bolsas por lá nas primeiras horas do dia.
Já os futuros das bolsas de Nova York se ajustam após o Fed; no fechamento dos negócios de ontem, os índices de Wall Street contaram com avanços na casa dos 3%.
Sinais da China ligam alerta para bolsas
Mesmo com o otimismo gerado pelo maior Banco Central do mundo, outro indicador permanece no radar e pode assustar os investidores quando a festa pós Fed acabar.
Na China, os impactos da onda de covid-19 afetaram o índice do gerente de compras (PMI, me inglês) do setor de serviços por lá. O indicador atingiu os 36,2 pontos, o menor nível desde a pior fase da doença no país, em fevereiro de 2020.
A desaceleração da segunda maior economia do mundo afeta a retomada dos demais países, que também precisam lidar com a volta da doença em seus cenários domésticos.
Nas terras da rainha
Para fechar o panorama internacional desta quinta-feira, os investidores acompanham a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (Bank of England, ou BoE).
O anúncio deve afetar com mais intensidade as bolsas da Europa. Nas expectativas do mercado, o BoE deve elevar os juros pela quarta vez seguida, tendo em vista a persistência da inflação no país, alimentada pela guerra na Ucrânia.
Brasil e o Ibovespa: o BC para encarar
No cenário doméstico, os investidores reagem à elevação de juros do Banco Central de 11,75% para 12,75%, em linha com o esperado pelo mercado. Para as próximas reuniões, o BC deve reduzir o ritmo de elevação da Selic, o que deve animar o mercado.
Ontem, o BC evitou falar sobre o cenário alternativo — que causou preocupação após a decisão de política monetária de março. Entre os pontos que criaram esse panorama, estava o preço do barril de petróleo acima dos US$ 100, que já foi incorporado ao cenário de referência da autoridade.
Com isso, o BC local prevê que o IPCA para 2022 fique em 7,3% e em 3,4% para o final de 2023. A autoridade monetária destaca que a piora da inflação corrente e a “desancoragem das expectativas” em longo prazo implicam em um ciclo de aperto monetário contínuo.
E as turbulências não param por aí: MP do Auxílio Brasil
O gosto amargo do comunicado do BC e a entrada do país em um terreno ainda mais contracionista já são motivos de sobra para o investidor ter um otimismo contido no pregão de hoje.
Ainda ontem, os Senadores aprovaram o texto da Medida Provisória (MP) que instaura permanentemente o Auxílio Brasil como programa substituto ao Bolsa Família. O texto criou um benefício extra para garantir o pagamento mínimo de R$ 400 do programa de ajuda, de acordo com a Agência Senado.
O texto segue para sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro, que deve aprovar a MP sem maiores ressalvas.
Preocupações com o Orçamento e a bolsa local
Os economistas já previam que um programa social de R$ 400 impactaria as contas públicas em R$ 32,4 bilhões.
Somado a isso, os policiais federais pretendem questionar o aumento linear de apenas 5% dos salários, tendo em vista que o valor não repõe as perdas inflacionárias desde o início do governo do presidente Bolsonaro.
Se aprovado, esse aumento custaria cerca de R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos, valor quase quatro vezes maior do que o montante destinado ao reajuste de policiais federais estipulado pelo Congresso, de R$ 1,7 bilhão.
A peça orçamentária segue como um “cobertor curto” e os riscos com o descontrole das contas públicas pode colocar a atual gestão em maus lençóis — sabendo que o mercado é avesso à gastanças desenfreadas.
Agenda do dia
- Reino Unido: Decisão de política monetária do BoE (8h)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
- Estados Unidos: PMI global e de serviços em abril (12h)
- Economia: Balança comercial de abril (15h)
- Áustria: Reunião ministerial da Opep+ (sem horário específico)
Balanços do dia
Após o fechamento:
- Bradesco (Brasil)
- Engie (Brasil)
- Lojas Renner (Brasil)
- Natura (Brasil)
- Petrobras (Brasil)
- Rumo (Brasil)
- Unidas (Brasil)
- Stellantis (Holanda)
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
