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Ricardo Gozzi
Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @Renan_SanSousa
De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas avançam antes da decisão de juros do Fed; Ibovespa acompanha balanços do dia

A carta em defesa da democracia, assinada por membros da sociedade civil, empresários, banqueiros, entre outros, também repercute no índice local hoje

Renan Sousa
Ricardo Gozzi, Renan Sousa
27 de julho de 2022
7:42
Imagem mostra Jerome Powell como grande estrela do mercado financeiro
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa hoje. Imagem: Shutterstock, com intervenções de Andrei Morais

Chegou o dia. É hoje que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) anuncia sua decisão de política monetária. E as bolsas de valores recuperam terreno depois da aversão ao risco observada ontem.

O susto provocado pela revisão das projeções do Walmart levou o Ibovespa a perder o suporte dos 100 mil pontos.

Hoje, enquanto os investidores aguardam o resultado da reunião de política monetária do Fed, os mercados financeiros aproveitam para repercutir a temporada de balanços diante da expectativa dos balanços das big techs.

A expectativa de uma alta de juro de 75 pontos-base pelo Fed é vista como o ápice de uma semana que ainda reserva os números do PIB dos Estados Unidos e o índice de gastos com consumo pessoal, a métrica preferida dos banqueiros centrais norte-americanos para projetar a inflação.

“É certo que o Federal Reserve aumentará as taxas novamente hoje em mais 75 pontos-base. A única questão é o que vem a seguir, se veremos mais 50 ou 75 pontos-base em setembro”, disse Michael Hewson, analista da CMC Markets.

Diante da inflação mais alta em 40 anos, o Fed encontra-se no meio de um agressivo aperto monetário. O medo dos investidores é que o remédio mate o paciente.

O Fed reagiu tardiamente à alta dos preços e agora o risco é de que a desaceleração econômica se transforme em recessão.

Para além da decisão, prevista para às 15h, os investidores acompanharão com atenção — e tensão — a tradicional entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, que será concedida em seguida.

“Embora o Fed provavelmente ofereça alguma orientação sobre como seus diretores pensam que será a próxima reunião, a quantidade de dados prevista para esse intervalo significa que os investidores devem aguardar até que mais informações estejam disponíveis”, disse Tim Wessel, analista do Deutsche Bank.

Confira o que mais movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta quarta-feira:

Bolsas acompanham balanços das big techs

E enquanto os participantes do mercado aguardam a decisão do Fed, o foco se concentra na temporada de balanços. Mais precisamente nos resultados das gigantes da tecnologia no segundo trimestre.

Ontem, tanto a Microsoft quanto a Alphabet, dona do Google, apresentaram resultados — vale dizer, abaixo das expectativas dos analistas.

Hoje, depois do fechamento, será a vez da Meta Platforms, controladora do Facebook, divulgar seus números. Apple e Amazon publicam amanhã os seus respectivos balanços.

Credit Suisse em apuros

Na Europa, chama a atenção a leve alta das ações do Credit Suisse mesmo depois de o bancão ter reportado prejuízo de 1,593 bilhão de francos suíços, equivalente a US$ 1,66 bilhão. Os analistas de mercado esperavam perdas de 398,16 milhões de francos.

Em reação ao resultado, a direção do Credit Suisse anunciou a saída do CEO Thomas Gottstein, que estava no cargo desde 2020.

Seu antecessor, Tidjane Thiam, deixou a função em meio a um escândalo de espionagem. Gottstein será substituído por Ulrich Koerner, ex-CEO da divisão de gestão de ativos do bancão suíço.

Ibovespa e a corrida eleitoral

Com as atenções do mundo voltadas para a decisão de hoje do Fed, o investidor local deixa o cenário doméstico em segundo plano — mas isso não significa que as preocupações também ficaram. 

Um manifesto em defesa da democracia foi assinado por mais de 3 mil representantes de diversas categorias sociais. Economistas, advogados públicos e privados, membros da sociedade civil, magistratura, ministério público, defensoria entre outras personalidades endossam o documento.

O movimento acontece em meio a tensões envolvendo os riscos de uma possível ruptura democrática com a proximidade das eleições de outubro.

Agências de consultoria de risco, como a Eurasia Group, afirmam que o Brasil pode viver um evento parecido com o que aconteceu no Capitólio dos EUA e que as falas do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), que concorre à reeleição, aumentam as chances de conflitos.

Veja Também: OS DESCONTOS DA BOLSA BRASILEIRA

Como isso afeta os negócios

A elevação do chamado “risco Brasil” coloca pressão sobre a curva de juros e afasta investidores estrangeiros do país. Em outros termos, isso significa que a quantidade de recursos disponíveis deve diminuir enquanto não forem solucionados esses “problemas eleitorias”. 

Assim, o Ibovespa pode demorar a se recuperar e firmar uma marca acima dos 100 mil pontos. Vale ressaltar, ainda, que empresários e banqueiros também assinaram o documento em defesa da democracia. 

Mais agenda para bolsa brasileira

No campo das publicações, o relatório mensal da dívida pública do Tesouro só deve ser divulgado pela tarde, com coletiva de imprensa do coordenador-geral de operações da dívida, Luís Felipe Vital, na sequência. 

Ainda hoje, os balanços de Assaí, Klabin, Grupo Pão de Açúcar (GPA), Suzano, entre outros, movimentam o dia.

Agenda do dia

  • FGV: Sondagem da indústria em julho (8h)
  • Banco Central: Tesouro divulga relatório mensal da dívida em junho (14h30)
  • Banco Central: Coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Luís Felipe Vital, concede entrevista sobre RMD de junho (15h)
  • Estados Unidos: Decisão de juros do Federal Reserve (15h)
  • Estados Unidos: Coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell (15h30)

Balanços do dia

Antes da abertura:

  • Klabin (Brasil)

Após o fechamento:

  • Assaí (Brasil)
  • EDP Brasil (Brasil)
  • GPA (Brasil)
  • Suzano (Brasil)
  • Meta (EUA)
  • Ford (EUA)

Sem horário específico:

  • Rio Tinto (Reino Unido)
  • Carrefour (França)
  • Airbus (França)

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