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Bolsas pelo mundo têm sinais mistos na véspera da reunião do Fed, e dia promete cautela
Depois do banho de sangue nas bolsas ontem, seria de se esperar alguma recuperação nesta terça-feira (25), ao menos parcial. Mas a julgar pelo desempenho dos mercados nesta manhã, fica difícil cravar.
Com a reunião do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve, o banco central americano, marcada para a próxima quarta-feira (26), e ainda com as tensões entre Ucrânia e Rússia no radar, os mercados prometem volatilidade no pregão de hoje.
As bolsas da Ásia fecharam com fortes baixas, ajustando-se ao clima de aversão a risco visto ontem no resto do mundo; já as bolsas europeias veem ligeira recuperação nesta quarta, mas nem de longe suficiente para apagar as perdas de ontem, quando o índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas do continente, fechou em queda de 3,81%.
Os índices futuros de Nova York, por sua vez, operam em queda, após uma surpreendente recuperação e fechamento no azul na reta final do pregão de ontem. Mais cedo, o Dow Jones e o S&P 500 haviam chegado a cair mais de 3%, enquanto o Nasdaq chegou a perder mais de 4%.
O Ibovespa fechou em baixa de 0,92% na segunda-feira, aos 107.937 pontos, após ter chegado a perder os 107 mil pontos, com uma queda de mais de 2% no pior momento do dia.
Já o dólar à vista fechou em alta de 0,88%, retornando ao patamar de R$ 5,50, com a corrida dos investidores para ativos considerados seguros, como a própria moeda americana e os títulos do Tesouro dos EUA, que viram seus preços subirem e seus juros recuarem. Com isso, os juros futuros também caíram por aqui.
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O principal índice da B3 seguiu as bolsas internacionais, que já estavam no clima de aversão a risco com a expectativa com a reunião do Fed e pioraram com as sinalizações de escalada nas tensões entre Ucrânia e Rússia na fronteira entre os dois países.
Durante o fim de semana, o governo americano ordenou a saída de seu corpo diplomático de Kiev, a capital ucraniana, e recomendou que todos os seus cidadãos no país considerassem deixá-lo; o Reino Unido seguiu a decisão. Já a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enviou reforços militares à fronteira entre Rússia e Ucrânia.
O temor do mercado é de que Moscou ordene uma invasão ao vizinho, mas o Kremlin nega que tenha essa intenção. Ontem, as preocupações do mercado só tiveram alívio depois que o presidente americano, Joe Biden, esclareceu que a reunião que faria com líderes europeus para discutir uma eventual invasão se destinava a debater medidas diplomáticas para evitar o conflito.
Saiba o que esperar do pregão de hoje:
É possível que hoje o Ibovespa veja alguma recuperação após a forte queda de ontem, mas os sinais negativos vindos de Nova York põem dúvida quanto a essa possibilidade.
A bolsa brasileira tem estado muito dependente do fluxo estrangeiro neste início de ano, e por se tratar da véspera de uma importante reunião do Fed, é de se esperar que o clima no mundo seja de bastante cautela hoje.
O mercado espera que o banco central americano esclareça os próximos passos da sua política monetária e já contrate uma alta de juros para a reunião de março, mas teme que as sinalizações do Fed sejam ainda mais duras.
Além disso, hoje é feriado em São Paulo, onde está localizada a B3, em razão da comemoração do aniversário da cidade. Embora a bolsa agora funcione normalmente nos feriados, pode ser que este fato tenha algum impacto sobre os volumes negociados.
O dia é de agenda esvaziada no cenário doméstico, o que deve deixar os investidores ainda mais voltados para o exterior. Por aqui, temos apenas a divulgação do Índice de Confiança do Consumidor em janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) - que caiu 1,4 ponto ante dezembro, para 74,1 pontos - e o resultado fiscal da Receita Federal no mês de dezembro.
Mesmo lá fora, porém, o dia tem poucos indicadores. Na Alemanha foi divulgado o Índice de Sentimento das Empresas (Ifo) referente ao mês de janeiro, que surpreendeu positivamente.
O indicador subiu de 94,8 em dezembro para 95,7 em janeiro, após seis meses consecutivos de queda. A expectativa dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal era de 94,7.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) também divulga a atualização das suas projeções de crescimento para os países, e nos Estados Unidos ocorre a divulgação do índice de confiança do consumidor de janeiro e os estoques de petróleo da semana terminada em 21 de janeiro.
Há ainda a divulgação dos balanços de 3M, General Electric, Johnson & Johnson, Verizon e Microsoft.
As principais bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça, com o Nikkei caindo 1,66% em Tóquio, o Hang Seng recuando 1,67% em Hong Kong, o chinês Xangai Composto em baixa de 2,58% e o Shenzhen Composto, também na China, tombando 3,31%.
Na Europa, as bolsas operam no azul, em dia de recuperação e também em reação positiva ao Ifo, na Alemanha. Há pouco, o índice Stoxx 600 subia 0,75%.
Já nos EUA, os futuros operam em baixa. O do Dow Jones caía 0,57%, enquanto o do S&P 500 recuava 0,93%, e o do Nasdaq tinha baixa de 1,40%.
O risco fiscal local tem estado eclipsado pelo noticiário internacional, mas permanece no radar dos investidores domésticos.
Isso inclui a aprovação do Orçamento de 2022 ignorando a recomendação da equipe econômica de corte de R$ 9 bilhões e com proteção às emendas do orçamento secreto, ao fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões (que ainda pode ser elevado para R$ 5,7 bilhões) e com a destinação de R$ 1,7 bilhão para reajustes a servidores, que o presidente Jair Bolsonaro já se comprometeu a destinar às forças policiais, sua base de apoio.
Também inclui a possibilidade de aprovação de um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) para reduzir os preços dos combustíveis por meio do corte dos impostos federais, com grande renúncia fiscal por parte da União.
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