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Nesta madrugada, o minério de ferro recuou 9%, e as siderúrgicas lideraram as quedas do Ibovespa na manhã de hoje
O mercado brasileiro acordou sob o impacto de uma notícia alarmante que pressiona o desempenho do Ibovespa nesta terça-feira (15). Não estamos falando das possibilidades de conflito entre Ucrânia e Rússia e sim da volta da fiscalização chinesa aos produtores de minério de ferro.
Nos últimos meses de 2021, uma série de medidas tomadas pelo governo da China fez com que o minério de ferro abandonasse suas máximas – na casa dos US$ 240 por tonelada – e voltasse ao patamar dos US$ 90.
Com o valor elevado, o governo chinês passou a desconfiar de que o preço da commodity estaria sendo manipulado. O aviso serviu para uma redução intensa na produção de aço no gigante asiático e de gatilho para a queda expressiva do preço observada em seguida.
Nos últimos meses, no entanto, com a situação mais estável e o minério de ferro em patamares mais baixos, a commodity se recuperou e voltou ao patamar dos US$ 140 por tonelada, colocando o governo chinês mais uma vez nos holofotes.

As autoridades voltaram a acusar os produtores de intervenção no mercado, após denúncias de que mineradoras estariam estocando produção para elevar a cotação.
Rodrigo Barreto, analista da Necton Investimentos, explica que, dessa vez, a punição pode ser ainda mais forte, com uma sobretaxa para transações realizadas com contratos futuros já a partir de amanhã.
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Como resposta, o minério de ferro recuou 8,99%, a US$ 134,88 no porto de Qingdao, na China. As empresas do setor de mineração e siderurgia lideram as quedas do Ibovespa.
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 26,48 | -4,54% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 29,86 | -3,83% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 15,20 | -3,06% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 88,77 | -3,06% |
Com a queda vertiginosa do minério de ferro nos últimos meses de 2021, as ações das mineradoras e siderúrgicas acompanharam o movimento. Então é normal que agora os investidores fiquem apreensivos.
Para se ter uma ideia, na última intervenção chinesa, a Vale (VALE3), empresa de maior peso do Ibovespa, recuou 26% desde o momento em que atingiu a casa dos R$ 120, isso mesmo após a recuperação vista em janeiro.
Para Rodrigo Barreto, analista de investimentos da Necton, as siderúrgicas e a própria Vale (VALE3) devem passar por uma correção forte nos preços caso a China mantenha a pressão sobre as cotações de minério, que pode voltar a tocar a faixa dos US$ 100 por tonelada.
Ele ressalta também que podemos ter algum equilíbrio tendo em vista o forte fluxo de entrada de recursos de investidores estrangeiros para a compra de blue chips na bolsa brasileira neste início de ano.
Em 2022, a história tem sido muito diferente do que vimos acontecer no ano passado.

Até o momento, mais de US$ 45,6 bilhões entraram na bolsa brasileira, quase metade de todo o volume visto em 2021. O fluxo em direção ao Brasil ocorre após a queda brusca no valor dos ativos de risco brasileiros vista no ano passado e com o mau momento atual das bolsas internacionais – ao contrário do que acontece em Wall Street, já vivemos a precificação de uma taxa de juros mais elevada.
Segundo Barreto, esse fluxo dos estrangeiros se dá em papéis com boa liquidez, como Petrobras, Vale e bancos, os grandes destaques do ano até momento.
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