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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

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Quais setores da bolsa estão indo melhor em 2022? E quais são os piores investimentos?

O Ibovespa acumula ganhos de mais de 6% no ano, mas alguns segmentos da bolsa têm se destacado. Veja o desempenho dos índices setoriais da B3

Victor Aguiar
Victor Aguiar
30 de janeiro de 2022
15:57 - atualizado às 15:30
Imagem mostrando um homem de camisa branca olhando para um telão de cotações da bolsa, localizado no segundo plano. Ele está de pé, com o braço direito apoiado numa cadeira. Simboliza o investimento em ações e o recebimento de dividendos Ibovespa
Imagem: Shutterstock

Com o primeiro mês de 2022 praticamente fechado, o desempenho do Ibovespa tem surpreendido boa parte dos investidores: o principal índice da bolsa brasileira acumula ganhos de mais de 6% desde o começo do ano — e isso com juros em alta e com os principais mercados acionários do mundo no vermelho. Mas é claro que nem todas as ações estão se valorizando; sendo assim, quais setores têm se destacado, tanto na ponta positiva quanto na negativa?

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Essa é uma pergunta capciosa: quando falamos num setor específico da bolsa, acabamos colocando num mesmo pacote uma série de empresas que não necessariamente reagem da mesma maneira às inúmeras variáveis econômicas. Além disso, há a própria individualidade das companhias — algumas podem estar num bom momento operacional e financeiro; outras, nem tanto.

Também há o fluxo de notícias corporativas em si: alguma ação pode ter um desempenho extraordinariamente bom ou ruim, reagindo às novidades que envolvem a empresa. A depender dos acontecimentos, um papel pode destoar do restante do setor, para o bem e para o mal.

Feitas essas ponderações, há uma maneira bastante simples de checarmos o desempenho dos diversos segmentos da bolsa, e a própria B3 nos ajuda nesse levantamento. A bolsa tem uma série de índices setoriais, com carteiras que são atualizadas a cada quatro meses, em conjunto com o Ibovespa. Eles são:

  • IFNC: Financeiro;
  • ICON: Consumo;
  • IEEX: Energia elétrica;
  • IMAT: Materiais básicos;
  • INDX: Setor industrial;
  • IMOB: Imobiliário; e
  • UTIL: Utilidade pública.

Antes de passarmos para o desempenho de cada um, vale fazer mais algumas ressalvas. Em primeiro lugar, essas carteiras são bastante amplas e, em alguns casos, englobam empresas de naturezas não tão semelhantes assim.

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O índice imobiliário (IMOB), por exemplo, tem operadoras de shoppings, construtoras e incorporadoras e operadoras de galpões logísticos; o de consumo (ICON) tem desde varejistas de roupas a fornecedores de insumos ao agronegócio, passando por redes de farmácia.

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Além disso, uma mesma empresa pode fazer parte de mais de um portfólio setorial. Há uma intersecção considerável entre os índices de energia elétrica (IEEX) e de utilidade pública (UTIL); o mesmo vale para as carteiras de consumo e imobiliário.

Dito isso, veja o gráfico abaixo, com o retorno de cada um dos índices ao longo de 2022 e como cada um deles se compara ao Ibovespa:

Fonte: B3

Uma análise mais atenciosa às curvas nos mostra alguns detalhes interessantes. Até o meio do mês, quase todos os índices setoriais estavam no vermelho, com exceção do financeiro (IFNC) e do de materiais básicos (IMAT). Na segunda metade de janeiro, no entanto, houve uma melhora generalizada na bolsa, afetando positivamente as carteiras.

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Chama a atenção o comportamento do IMAT: o índice, que concentra empresas ligadas ao setor de commodities, começou o ano com tudo, impulsionado pelo avanço nas cotações do minério de ferro. Esse movimento, no entanto, perdeu força com o tempo, no que parece ser uma realização dos lucros.

Vejamos, agora, os pormenores de cada um desses índices.

Índice Financeiro (IFNC): +15,73%

Não tem para ninguém: o segmento financeiro é, de longe, o de melhor desempenho entre as carteiras setoriais da B3. Repare que o movimento de alta tem ocorrido de maneira mais ou menos constante ao longo do mês, indicando um fluxo comprador que se manteve sólido durante janeiro.

É um dos portfólios mais intuitivos, composto por 24 ações — bancos de diferentes portes, empresas do setor de adquirência e outras companhias ligadas à área de serviços financeiros compõem o índice. Itaú Unibanco PN (ITUB4) é a ação com maior peso, com 18,82%, seguida por B3 ON (B3SA3), com 18,66%, e Bradesco PN (BBDC4), com 16,32%.

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EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
B3B3SA3+32,82%Banco InterBIDI11-13,48%
ClearSaleCLSA3+23,56%Boa VistaBOAS3-11,50%
ModalmaisMODL11+20,09%GetNetGETT11-8,69%
Itaú UnibancoITUB4+18,39%SulAméricaSULA11-6,55%
BradescoBBDC4+17,65%Porto SeguroPSSA3-5,40%
Fonte: TradeMap

Veja que a construção da carteira jogou a favor: B3, Itaú e Bradesco, as três ações com maior peso na composição do índice, aparecem entre as maiores altas ao longo de janeiro. O bom desempenho se deve, em grande parte, ao contexto favorável para o setor — as ações estavam descontadas, ao mesmo tempo em que a alta de juros melhora a dinâmica de receita.

Em paralelo, a forte entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira ao longo do mês também é particularmente benéfica para o segmento financeiro: ações como as de Itaú, Bradesco, B3 e Santander são as chamadas 'blue chips' — empresas de grande porte e alta liquidez, características que atraem os investidores externos.

Índice imobiliário (IMOB): +8,33%

O bom desempenho do índice imobiliário pode parecer contraintuitivo à primeira vista: juros altos, afinal, afetam negativamente o setor de construção e incorporação, já que os financiamentos ficam mais caros e o estímulo ao consumo é reduzido.

O segredo, no entanto, fica com a composição da carteira: como dito acima, esse índice engloba diversas outras empresas que não são diretamente ligadas à construção e incorporação. E, ao longo de janeiro, as operadoras de shoppings tiveram altas expressivas:

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EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
CuryCURY3+14,00%MitreMTRE3-10,99%
MultiplanMULT3+13,62%HelborHBOR3-10,68%
brMallsBRML3+13,48%TendaTEND3-7,24%
Plano & PlanoPLPL3+11,38%BR PropertiesBRPR3-2,05%
JHSFJHSF3+11,11%GafisaGFSA3-1,99%
Fonte: TradeMap

Por mais que o consumo doméstico ainda esteja fragilizado por causa da pandemia, o setor de shoppings teve inúmeros motivos para ter um bom desempenho. Multiplan ON (MULT3), por exemplo, avançou na esteira do forte desempenho operacional no quarto trimestre, com crescimento nas vendas em relação ao patamar de 2019.

Já brMalls (BRML3) subiu em meio à possibilidade de fusão com a Aliansce Sonae (ALSO3). As negociações entre as partes estão esbarrando em diversos obstáculos, mas, ainda assim, as conversas prosseguem — e isso, por si só, já é suficiente para fazer os papéis reagirem bem.

Mesmo algumas construtoras e incorporadoras tiveram um bom desempenho no mês: seja pelas prévias operacionais mais fortes que o esperado, seja pelo nível de preço bastante descontado, muitas delas conseguiram se valorizar neste começo de 2022.

E, assim como no caso do índice financeiro, a composição da carteira jogou a favor do IMOB: brMalls ON (BRML3) e Multiplan ON (MULT3) são os dois papéis de maior peso no portfólio; Iguatemi units (IGTI11) e Aliansce Sonae ON (ALSO3), que tiveram ganhos firmes, também estão entre as ações mais relevantes.

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Índice de materiais básicos (IMAT): +1,56%

É uma carteira relativamente pequena, composta por apenas 17 ações. Vale ON (VALE3), com 21,32%, é a ação mais relevante, seguida por Suzano ON (SUZB3), com 19,45%, e Gerdau PN (GGBR4), com 14,21%.

EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
CBACBAV3+23,63%BraskemBRKM5-13,24%
BradesparBRAP4+8,52%Unipar CarbocloroUNIP6-10,12%
ValeVALE3+7,31%Irani PapelRANI3-9,28%
CSN MineraçãoCMIN3+6,08%DexxosDEXP3-9,03%
UsiminasUSIM5+5,61%FerbasaFESA4-5,30%
Fonte: TradeMap

Considerando que a Vale responde por 1/5 do índice de materiais básicos, e que suas ações valorizaram mais de 7% em janeiro, seria difícil que o IMAT não registrasse desempenho positivo no mês. No entanto, o avanço da carteira como um todo pode parecer menor que o esperado.

E isso porque Suzano ON (SUZB3), a segunda maior posição do índice, está praticamente zerada em 2022 — por mais que o cenário seja positivo para a celulose, a queda do dólar afeta diretamente a geração de receita da companhia.

Gerdau PN (GGBR4), a terceira maior ação do portfólio, tem ganhos apenas modestos no mês; a alta do minério de ferro ajuda a companhia, mas seus papéis já vinham de uma valorização intensa em 2021, o que reduziu o espaço para novas valorizações neste começo de ano.

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Já Braskem PNA (BRKM5), com baixas de mais de 10%, foi afetada diretamente pela frustração com a venda da participação detida por Petrobras e Novonor em seu capital — e seu peso de 6,1% na composição do IMAT não é nada desprezível.

Índice de energia elétrica (IEEX): +1,22%

Outro índice relativamente pequeno, com 19 ações de geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia. E, com uma particularidade: todos os papéis têm entre 4% e 6% de peso na composição.

EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
CopelCPLE6+11,97%EnevaENEV3-10,46%
CESPCESP6+7,02%Omega EnergiaMEGA3-9,17%
EletrobrasELET3+6,05%CoelceCOCE5-6,18%
EDP - Energias do BrasilENBR3+5,96%LightLIGT3-3,40%
CPFL EnergiaCPFE3+5,85%Focus EnergiaPOWE3-1,70%
Fonte: TradeMap

Não há muito a ser dito em relação ao IEEX, uma vez que o setor de energia não teve grandes fatores externos que influenciassem as cotações como um todo. A Eneva (ENEV3) anunciou a aquisição da Focus Energia (POWE3) em dezembro; por outro lado, a companhia teve um revés nas negociações com a Petrobras para a compra do Polo Urucu.

A Eletrobras (ELET3), como sempre, segue exposta ao noticiário envolvendo sua eventual privatização — e, ao menos por ora, o mercado mostra uma crença no avanço desse processo, embora a proximidade das eleições presidenciais deva paralisar qualquer tipo de iniciativa do tipo.

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Índice de consumo (ICON): +0,91%

É o mais amplo dos índices setoriais da B3: conta com 81 ações de empresas de diversos ramos de atuação — supermercados, varejistas de moda, redes de farmácias, exportadoras de proteína animal, construtoras e incorporadoras e muitas outras.

EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
Guararapes / RiachueloGUAR3+22,34%EspaçolaserESPA3-28,49%
HapvidaHAPV3+19,46%AlpargatasALPA4-22,05%
Lojas RennerLREN3+15,18%CamilCAML3-21,97%
NotreDame IntermédicaGNDI3+15,16%NaturaNTCO3-15,45%
Hermes PardiniPARD3+14,82%DASADASA3-13,16%
Fonte: TradeMap

Chama a atenção o bom desempenho de Guararapes (GUAR3) e Lojas Renner (LREN3): ambas sofreram bastante durante a pandemia e, agora, voltam ao radar dos investidores, na esteira das prévias operacionais sólidas das operadoras de shoppings.

No mais, Ambev ON (ABEV3), o papel mais importante do índice, com peso de 11,56%, acumula baixa de cerca de 2% no mês, puxando o desempenho da carteira como um todo para baixo. JBS ON (JBSS3), a segunda maior posição (8,27%), cai mais de 4%, exercendo o mesmo efeito.

Índice de utilidade pública (UTIL): +0,31%

O índice de utilidade pública (UTIL) é bem parecido com o de energia elétrica (IEE): é composto por 25 empresas, incluindo as do setor elétrico, as de saneamento básico e as ligadas à gestão de resíduos:

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EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
CopelCPLE6+11,97%EnevaENEV3-10,46%
CESPCESP6+7,02%Omega EnergiaPOWE3-9,17%
EletrobrasELET3+6,05%SabespSBSP3-9,16%
EDP - Energias do BrasilENBR3+5,96%AmbiparAMBP3-7,54%
CPFL EnergiaCPFE3+5,85%LightLIGT3-3,40%
Fonte: TradeMap

De fato, as cinco melhores ações do UTIL são as mesmas do IEEX; na ponta negativa, destaque para o mau desempenho de Sabesp ON (SBSP3) e Ambipar (AMBP3). A Sabesp, aliás, é uma espécie de fiel da balança: sua queda intensa, aliada ao peso de 6,7% na composição da carteira, fazem com que o índice de utilidade pública tenha ganhos inferiores ao de energia elétrica.

Índice do setor industrial: -3,40%

O único dos índices setoriais da B3 a reportar desempenho negativo em 2022, o INDX tem 40 ações e um perfil bastante variado, com empresas ligadas ao consumo doméstico, à cadeia do aço, ao setor de tecnologia e ao de transportes, entre outros.

EmpresaAçãoDesempenhoEmpresaAçãoDesempenho
JHSFJHSF3+11,11%RecrusulRCSL3-31,28%
MRVMRVE3+10,58%AlpargatasALPA4-22,05%
MarcopoloPOMO4+10,16%EmbraerEMBR3-20,19%
RandonRAPT3+9,48%PositivoPOSI3-16,97%
CyrelaCYRE3+8,75%NaturaNTCO3-15,45%
Fonte: TradeMap

A tabela acima mostra o bom desempenho de JHSF ON (JHSF3) e MRV ON (MRVE3), duas construtoras cujas prévias operacionais do quarto trimestre agradaram os analistas. Dito isso, ambas possuem participação inferior a 1% na carteira, pouco contribuindo para o comportamento do índice como um todo.

E quais são os ativos mais importantes do INDX? Ambev ON (ABEV3), com peso de 15,6%; Weg ON (WEGE3), com 11,3%; e JBS ON (JBSS3), com 11,16% — as três amargando perdas de 3% a 4% no ano. Portanto, eis a raiz do mau desempenho do índice.

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Na ponta negativa, Alpargatas ON (ALPA4), Positivo (POSI3) e Natura (NTCO3) são penalizadas pelo consumo doméstico ainda fraco e pelo dólar em baixa — as três são exportadoras, assim como Embraer ON (EMBR3). Já Recrusul ON (RCSL3) despencou mais de 30%, mas é o papel de menor peso no índice, com apenas 0,02% de peso.

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