Quer saber se a bolsa está barata? Olhe para os movimentos dos fundos de private equity
Segundo gestores, fundos de private equity devem continuar olhando para companhias abertas; novos negócios prometem surgir nos próximos meses

Basta uma temporada de baixa de qualquer mercado acionário do mundo para surgir a famosa "pergunta de 1 milhão de dólares": a bolsa está barata? E, claro, essa questão pode ser respondida de diversas maneiras, de acordo com a métrica preferida de quem for esclarecê-la.
Mas não importa muito o ângulo atual, o fato é que a bolsa brasileira está mesmo barata após a baixa provocada pela pandemia, uma fuga intensa de capital estrangeiro e a atratividade da renda fixa — aqui a competição ficou difícil.
Agora, se você não quiser se guiar pelos múltiplos clássicos — hoje, estima-se que as ações da B3 são negociadas no menor nível desde 2008 e abaixo das médias históricas — pode se basear em outro movimento que vem chamando a atenção do mercado: o dos fundos de private equity.
Conhecidos pelos investimentos em empresas de capital fechado, os fundos têm aproveitado a baixa no mercado de ações para surfar algumas barganhas com liquidez garantida — uma grande vantagem para quem está acostumado a precisar criar o caminho de saída de um investimento.
No mercado, o movimento é chamado de PIPE (Private Investment in Public Equity).
Um estudo da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) em parceria com a KPMG mostra que os investimentos de private equity cresceram 617% no Brasil ao longo do primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. As operações totalizaram R$ 16,5 bilhões, dando dimensão do fluxo de capital existente no segmento.
Leia Também
A entrada dos gestores de private equity na bolsa ocorre ao mesmo tempo em que outros investidores típicos desse mercado, como fundos de ações e multimercados, tiveram de vender ações da carteira para fazer frente aos resgates sofridos nos últimos meses.
Fundos de private equity seguem o rastro das barganhas
A General Atlantic está entre as gestoras de private equity que decidiram aproveitar a forte queda das ações para fazer investimentos diretos em empresas listadas na bolsa.
Em maio, a GA passou a deter 11% do capital da Locaweb (LWSA3) após comprar ações da empresa em um leilão na B3. Até o momento, o investimento tem se revelado um bom negócio, já que os papéis da empresa de tecnologia acumulam alta de 39,4% desde então.
A mesma General Atlantic foi responsável por outra movimentação recente que chamou a atenção do mercado. A gestora, que foi uma das primeiras investidoras da XP, decidiu voltar para comprar mais — adquiriu cerca de US$ 100 milhões em ações da empresa nas últimas semanas, tornando-se dona de 5,7% do capital.
A GA não é a única gestora de private equity a avançar em empresas brasileiras na bolsa. Em junho, a britânica Actis — que também é bastante ativa no Brasil — desembolsou mais de R$ 700 milhões para adquirir 10% do capital social da Omega Energia. Na ocasião, o acordo fez as ações MEGA3 dispararem 16%.
Um mês depois, a Alpha Brazil, fundo de investimento detido por investidores sob gestão da Actis, anunciou a compra de mais ações da Omega, desta vez sem revelar o valor do negócio.
João Braga, sócio e analista da Encore Asset, comentou essa tendência em um dos episódios do podcast Market Makers. Para ele, o movimento do General Atlantic de abocanhar uma fatia na Locaweb neste momento do mercado foi bastante acertada.
"Para você chegar nos analistas de um private equity e falar ‘galera, não precisa mais procurar empresa de capital fechado pra comprar, pode comprar as que estão na bolsa, elas já estão baratas o suficiente’. Meu irmão, esse é um sinal muito forte", afirma Braga ao falar do preço baixo encontrado na bolsa atualmente.
Hoje, ele mantém uma lista atualizada em sua conta no Twitter com todas as movimentações do gênero, caso alguém tenha curiosidade em conferir.
O caso da Zamp (BKBR3)
No mês passado, foi a vez do Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, fazer uma oferta por uma participação na Zamp — empresa que detém os direitos da marca da rede Burger King no Brasil.
Há cerca de um mês, o Mubadala oficializou uma oferta pública voluntária para aquisição das ações ordinárias (OPA) da Zamp. O objetivo era comprar 45,15% das ações de emissão da companhia, ao preço de R$ 7,55 por ação, num negócio que movimentaria R$ 938,6 milhões.
Assim, o Mubadala se tornaria controlador da empresa, com 50,10% do capital social da operadora do Burger King.
Esse avanço não agradou a todos. Algumas semanas depois, um grupo de acionistas assinou uma carta onde afirmaram não ter interesse em aceitar a oferta de aquisição do fundo.
O documento leva a assinatura das gestoras Atmos Capital, Fitpart, BW GSS, Mar Asset Management e Vista Capital, que, juntas, representam 20,44% do capital social da Zamp.
Antes, o conselho de administração também já havia se manifestado contrário ao negócio.
No mercado, fala-se que o fundo dos Emirados Árabes trabalha com a ideia de não aumentar o preço de sua oferta pela empresa e até mesmo zerar sua posição, enquanto a avaliação é de que tal oferta subestima o valor real da companhia.
O desfecho dessa história, com o leilão da OPA, está marcado para o dia 15 de setembro, quando saberemos se o fundo irá aumentar o cheque para levar o controle da rede de fast food.
Pode isso?
Para alguns profissionais de mercado com quem eu conversei, os fundos de private equity estariam fugindo de sua natureza ao alocar parte do capital dos investidores em empresas na bolsa.
Em outras palavras, a partir do momento em que um cliente busca um fundo de private equity é porque ele deseja atingir ganhos a partir de um tipo específico de investimentos.
Ou seja, se fosse para investir direto na bolsa, o próprio investidor poderia comprar diretamente as ações em vez de pagar taxa de administração e performance para um gestor de private equity.
Eu levei esse questionamento a um gestor, que minimizou esse tipo de preocupação. “Se eu tenho um mandato longo como acontece com fundos de private equity, por que não aproveitar uma pechincha ou outra para fazer esse dinheiro render, já que ele está nas minhas mãos?”
Para esse profissional, outros fundos de private equity estão analisando oportunidades semelhantes, o que deve levar a novos negócios como esses nos próximos meses.
Ele explica que tais negociações também são motivadas pelo contexto econômico. O período pós-pandemia, que trouxe junto consigo uma crise econômica praticamente global — com o elemento adicional das eleições de 2022 no Brasil —, fez com que os fundos mantivessem um bom nível de dinheiro em caixa, que precisa ser investido de algum jeito.
Aqui, vale lembrar que os mandatos de fundos de private equity são mais longos do que outros veículos, obrigando os gestores a colocar esses recursos em algum investimento por períodos que chegam a cinco ou dez anos.
Por fim, vale destacar que, apesar dos questionamentos, os regulamentos dos fundos de private equity dão liberdade para o gestor empregar o dinheiro dos cotistas, desde que devolva a rentabilidade esperada — que costuma ser bem maior que a dos fundos de ações tradicionais.
Procurada, a Abvcap, associação que representa os fundos, preferiu não comentar o assunto.
DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU