Alpargatas (ALPA4) perde o passo e lidera maiores baixas do Ibovespa com balanço aquém do esperado
Apesar de um bom desempenho no mercado local, operações da Alpargatas (ALPA4) fora do Brasil pressionam os resultados

Já faz alguns anos que a Alpargatas (ALPA4) passa por uma revisão de estratégia sob o comando da Itaúsa (ITSA4), da Cambuhy e da Brasil Warrant, com foco especial na redução do portfólio.
No entanto, a calçadista parece ainda não ter acertado o passo em sua reestruturação ao trazer um balanço que frustrou o mercado.
As ações da Alpargatas fecharam o dia como a maior queda do Ibovespa, recuando 13,54%, a R$ 19,35, refletindo o desânimo dos investidores com os dados referentes ao segundo semestre do ano.

No período, a dona da Havaianas viu seu lucro líquido atribuído aos sócios cair 40% em relação ao mesmo período de 2021, chegando a R$ 64,2 milhões. Já o lucro contábil caiu 39,6%, para R$ 63,8 milhões, na mesma base de comparação.
Na avaliação da XP, ainda que haja sólido aumento de preço/mix e recuperação sequencial de margem, os volumes e o efeito cambial negativo pressionam os resultados.
Com uma queda de 5%, os volumes das operações internacionais sofreram principalmente por causa do ajuste do modelo de negócios dos EUA (-36%) e das restrições de circulação na China (-40%).
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Além disso, a receita líquida internacional cedeu 16,4%, para R$ 433 milhões.
Na comparação anual, a receita líquida do primeiro semestre subiu 5,1%, chegando a R$ 2 bilhões. Porém, a margem bruta caiu de 54,1% para 50,1%, enquanto a margem Ebitda recuou de 20,9% para 17,6%.
Veja também: Avalanche de dividendos da Petrobras (PETR4) - vale a pena?
Ainda assim, a XP manteve recomendação de compra para ALPA4, de olho em um aumento que Alpargatas já implementou e que deve ser totalmente refletido no mercado a partir deste semestre. Com isso, os analistas acreditam que os próximos balanços trarão recuperação das margens.
Eles contam também com o lançamento de novas coleções nos Estados Unidos e na Europa, com chances de aumento de volume nessas operações.
O preço-alvo da XP para Alpargatas é de R$ 28 por ação — potencial de alta de 25,11% se considerado o fechamento de ontem.
Alpargatas (ALPA4) deve seguir pressionada
Para Larissa Quaresma, analista da Empiricus, o crescimento da Havaianas em especial deve continuar impactado ao longo deste ano "pelos desafios na cadeia de suprimentos internacional e pela continuidade das incertezas acerca dos preços de matérias-primas."
Ela também alerta que a Rothy's, empresa da qual a Alpargatas comprou 49,9% do capital social em dezembro, só tem potencial fluxo de caixa no futuro. Assim, essa operação continuará deteriorando o resultado consolidado da empresa.
A analista ainda cita que os papéis ALPA4 são uma posição vendida (short) da série Carteira Empiricus.
Em relatório, a equipe do BofA também demonstrou preocupação com a Rothy's e a maneira como ela impacta o desempenho da Alpargatas.
"Observamos desafios internacionais e investimentos acelerados de marca na Rothy's que podem afetar o desempenho mas também continuaremos procurando possíveis pontos de inflexão. No momento atual, vemos a ALPA4 como bastante valorizada e mantemos nossa classificação neutra na ação", escreveram os analistas do BofA.
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