Petróleo cai mais de 8% com expectativa de trégua na guerra do Oriente Médio
Conversas entre Irã e Catar alimentam possibilidade de acordo, enquanto Goldman Sachs alerta para riscos de oferta e vê barril a US$ 140 em 2027

O petróleo entrou em forte queda nesta segunda-feira (2), com os investidores de olho nas tentativas de negociação para encerrar a guerra no Oriente Médio. A possibilidade de um acordo envolvendo Irã e Estados Unidos, com mediação do Catar, diminuiu parte das preocupações com o abastecimento da commodity e pressionou as cotações.
Às 15h40 (horário de Brasília), o petróleo Brent para janeiro recuava 8,23%, negociado a US$ 104,09 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Nos Estados Unidos, o WTI para dezembro caía 7,92%, a US$ 95,87 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
O mercado reagiu às notícias de que as conversas entre representantes iranianos e mediadores catarianos avançaram nos últimos dias. Segundo uma autoridade familiarizada com as negociações, ouvida pela Reuters, uma proposta para encerrar o conflito já está circulando. Também existe a possibilidade de uma nova reunião para dar sequência às tratativas.
As declarações do governo iraniano reforçaram a expectativa de uma saída diplomática. No domingo (1º), o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araqchi, afirmou que as conversas estavam progredindo e que Teerã pretendia continuar as consultas com os mediadores do Catar.
O chanceler, no entanto, ponderou que o país não descarta outras possibilidades e segue preparado tanto para a "defesa quanto para a diplomacia".
Um dos pontos que pode entrar na negociação é a reabertura do Estreito de Ormuz, rota importante para o transporte de petróleo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que o país tem um plano de dois dias para liberar a passagem e retomar as negociações nucleares com os Estados Unidos, desde que Washington aceite suas exigências.
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Do lado norte-americano, Donald Trump mantém a exigência de que o Irã não tenha armas nucleares. Mas o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no fim de semana que o presidente prefere evitar uma solução militar e gostaria de resolver o impasse por meio da diplomacia.
Goldman Sachs vê petróleo a US$ 140 em 2027
A perspectiva de um acordo ajudou a derrubar os preços nesta segunda-feira, mas ainda há incertezas sobre a capacidade de recuperação da oferta de petróleo na região.
O Goldman Sachs, por exemplo, elevou suas projeções para a commodity diante dos riscos de abastecimento. O banco avalia que o Brent pode chegar a US$ 140 por barril em 2027 caso a produção de petróleo do Golfo permaneça 3,5 milhões de barris por dia abaixo da média de 2025.
Na avaliação da instituição, a queda das cotações não elimina os fatores que podem provocar uma nova disparada. Entre eles estão a intensificação dos ataques a navios, os danos à infraestrutura petrolífera e a permanência de um prêmio de risco mais elevado nos preços.
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