Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
A evolução da dívida e a capacidade de geração de caixa da companhia se tornaram pontos centrais para os investidores

As ações da CSN (CSNA3) figuram entre as maiores altas do Ibovespa nesta terça (3), impulsionadas pelo avanço em uma das frentes mais acompanhadas pelos investidores: a venda da CSN Cimentos.
A movimentação reforça a percepção de que a companhia está conseguindo avançar na sua estratégia de desalavancagem.
Em março, a siderúrgica divulgou um prejuízo líquido 748% maior do que no mesmo período do ano anterior, em um cenário marcado pela alta da alavancagem e pela queima de caixa. Desde então, a evolução da dívida e a capacidade de geração de caixa da companhia se tornaram pontos centrais para os investidores.
Justamente por isso, o anúncio da assinatura de um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group, realizado na sexta-feira (30), agradou. Com validade de dez dias, o acordo prevê a negociação dos documentos definitivos da venda da subsidiária de cimento e considera um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões.
Por volta das 12h15, os papéis da CSN avançavam 4,38%, a R$ 4,05, depois de chegar a subir quase 6% na máxima do dia.
Venda de ativos ganha tração e anima o mercado
Para o BTG Pactual, o anúncio chegou em um momento interessante, poucas semanas após a CSN divulgar a venda de sua operação siderúrgica na Alemanha, a Stahlwerk Thüringen (SWT), para o grupo espanhol Megasa, em uma transação avaliada em cerca de R$ 3,1 bilhões.
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Somadas, as duas negociações representam aproximadamente R$ 15,8 bilhões em valor de empresa anunciado, reforçando o esforço da companhia para reduzir sua alavancagem financeira. O efeito no caixa, porém, dependerá dos ajustes de dívida e das condições finais dos acordos.
Na avaliação dos analistas liderados por Leonardo Correa, a negociação da CSN Cimentos é um passo relevante porque aumenta a visibilidade sobre o plano de redução do endividamento.
Por outro lado, o banco pondera que o valuation de R$ 12,7 bilhões ficou mais próximo da parte inferior das expectativas informais do mercado, que variavam entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões. Isso reduz o espaço para uma surpresa positiva mais expressiva.
Ainda assim, o BTG destaca que a operação ganha relevância diante de uma dívida líquida que alcançava R$ 42,1 bilhões ao final do segundo trimestre de 2026.
Desalavancagem segue no centro da tese
A leitura do Citi vai na mesma direção. O banco vê o avanço das negociações como positivo, especialmente pelo potencial de acelerar a desalavancagem da companhia.
Mesmo assim, os analistas lembram que o trabalho está longe de terminar. Com os juros ainda elevados no Brasil e revisões para baixo das projeções da CSN Mineração, a companhia deve continuar buscando alternativas para fortalecer seu balanço e reduzir a dívida.
Por enquanto, a recomendação do Citi para as ações da CSN permanece neutra.
O que ainda preocupa os analistas?
Apesar do progresso, o BTG acredita que a venda da CSN Cimentos, sozinha, não resolve todos os desafios da companhia.
A casa destaca que a CSN ainda possui outros ativos passíveis de monetização, incluindo operações ligadas a minério de ferro, infraestrutura e ativos imobiliários, que podem contribuir para reduzir a alavancagem nos próximos trimestres.
Além disso, o ambiente operacional continua desafiador. A siderurgia brasileira segue enfrentando forte concorrência, enquanto o negócio de minério sofre pressão de fretes mais elevados e de um mercado internacional menos favorável.
Na prática, isso significa que a geração orgânica de caixa tende a permanecer pressionada, tornando a venda de ativos um componente cada vez mais importante para a recuperação financeira da companhia.
Para o BTG, os movimentos recentes indicam avanços no reposicionamento estratégico da CSN sob o comando de Fabio Schvartsman, embora a capacidade de execução e o timing das próximas etapas ainda sejam pontos de atenção para o mercado.
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