Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
Para XP, a bolsa segue atrativa, mas três fatores macroeconômicos acendem sinal de alerta para renda variável no curto prazo

O aumento da preocupação com as contas públicas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a perspectiva de juros elevados por mais tempo foi o pano de fundo para uma forte reprecificação dos ativos brasileiros. O Ibovespa (IBOV), por exemplo, teve um tombo de 10% em reais e de 14% em dólares.
Esses fatores também pesaram na visão da XP sobre a bolsa brasileira no curto prazo. A corretora de investimentos rebaixou a recomendação para bolsa de compra para neutra e prevê o Ibovespa aos 200 mil pontos no fim de 2027, o que implica em um potencial de valorização de 19% sobre os níveis atuais. O potencial de retorno, porém, é parecido com o da renda fixa local.
“Em nossa visão, estamos perto de entrar em um regime macro desafiador para a bolsa e vemos riscos de queda para as estimativas de lucro do consenso para 2027, com a economia desacelerando”, destacaram os estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo, Caio Souza e Antonio Mello, em relatório divulgado nesta terça-feira (3).
Outro ponto que contribuiu para a revisão é a postura do investidor em relação à bolsa. O Índice de Sentimento XP voltou aos níveis pessimistas e não dá sinais de “Compra” no curto prazo.
Bolsa está barata, mas ainda não é hora de comprar
Os estrategistas da XP concordam que a bolsa está barata, ainda mais após a forte reprecificação de outubro. Em números, o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) projetado caiu para 8,2 vezes, ante a média histórica de 10x vezes nos últimos 10 anos.
O prêmio de risco também melhorou para 4,5%, abaixo da média histórica de 5,3%. Em linhas gerais, quanto mais alto o índice, melhor.
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Apesar do valuation atrativo, a equipe vê pelo menos três motivos para manter cautela adiante. O primeiro deles é a perspectiva de que estamos perto de entrar em um regime macroeconômico mais desafiador para a bolsa, com inflação e juros em alta – o que é historicamente o pior cenário para os retornos da bolsa.
"Desde 2002, esse foi o pior regime para a bolsa, com retorno real médio do Ibovespa de -17,5% ao ano", destacaram os estrategistas.
Diante disso, a economia tende a desacelerar, colocando em risco os lucros nos próximos meses, principalmente em 2027 – o segundo motivo apontando pelos estrategistas. No cenário mais pessimista, eles calculam uma queda de 13% no lucro líquido do Ibovespa no próximo ano, o que levaria o múltiplo de P/L para 9,3 vezes, próximo da média histórica.
O Índice de Sentimento XP também entra na conta. O índice chegou ao otimismo extremo, 100 pontos, em 9 de outubro precificando uma eventual mudança de governo com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Naquele momento, Flávio Bolsonaro (PL), mais alinhado às expectativas do mercado, ficou à frente de Lula com uma vantagem de 2,2 milhões de votos.
Contudo, com a reeleição do petista, o índice caiu para 18, em um forte e rápida correção da bolsa.
Como se posicionar?
Embora os cíclicos domésticos pareçam muito atrativos em valuation, os estrategistas seguem preferindo empresas de alta qualidade, boas pagadoras de dividendos e exportadoras. “Evitamos empresas muito alavancadas.”
Segundo eles, a incerteza segue alta. Mesmo assim, a reprecificação recente abriu uma “janela de oportunidades” em nomes de alta qualidade como Sabesp (SBSP3), Rede D'or (RDOR3), Totvs (TOTS3), Itaú (ITUB4) e Cury (CURY3).
“Nossos analistas setoriais veem hoje como potenciais oportunidades em três grupos: nomes cujo valuation ficou bem mais atrativo depois da correção; nomes de alta qualidade que devem se mostrar resilientes no ambiente macro atual; e nomes defensivos com exposição ao dólar, que devem se sair melhor em um cenário de risk-off doméstico”.
Confira a lista completa de nomes para acompanhar depois da queda do mercado:
| Ticker | Empresa | Setor | Retorno no mês | Score qual. | P/L 2027 projetado |
|---|---|---|---|---|---|
| VTRU3 | Vitru | Educação | -22,2% | 81 | 3,0x |
| RDOR3 | Rede D’Or | Saúde | -17,3% | 96 | 11,6x |
| MOTV3 | Motiva | Transportes | -16,4% | 51 | 9,2x |
| ITUB4 | Itaú Unibanco | Bancos | -12,6% | 67 | 8,1x |
| SBSP3 | Sabesp | Saneamento | -10,0% | 83 | 10,3x |
| CURY3 | Cury | Constr. Civil | -6,6% | 100 | 5,8x |
| TOTS3 | TOTVS | TMT | -4,3% | 77 | 16,7x |
| WEGE3 | WEG | Bens de Capital | -2,2% | 75 | 28,1x |
| EMBJ3 | Embraer | Bens de Capital | 2,4% | 88 | 20,3x |
| PETR4 | Petrobras | Óleo & Gás | 7,3% | 66 | 7,0x |
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