Ibovespa desacelera alta e chega a perder os 112 mil pontos, com virada de Nova York para o negativo
O risco fiscal permanece no radar com a PEC dos combustíveis, que pode gerar um grande impacto na inflação, mas também com grande renúncia fiscal

O Ibovespa tinha mais um dia de alta substancial, ainda movido pela entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira, aproveitando-se dos descontos das ações.
Porém, perto das 15h (horário de Brasília), as bolsas americanas - que abriram em alta, mas vinham perdendo força - viraram para o negativo. Há pouco, o Dow Jones caía 0,17%, o S&P 500 tinha queda de 0,60%, e o Nasdaq perdia 1,24%.
Com isso, o Ibovespa, que vinha subindo mais de 1% e testando os 113 mil pontos, desacelerou a alta para 0,78%, por volta das 17h, aos 112.154 pontos. Mais cedo, havia chegado a perder os 112 mil pontos.
Já o dólar à vista ficou no negativo durante todo o dia, tendo chegado a cair mais de 1% e bater os R$ 5,35 na mínima. Porém, desacelerou as quedas na parte da tarde, fechando em baixa de 0,32% ante o real, a R$ 5,4238, mesmo com as perspectivas de alta nos juros em breve nos Estados Unidos
O dia começou positivo nas bolsas internacionais, mesmo após o Federal Reserve, o banco central americano, ter sinalizado ontem que subirá os juros e interromperá a compra de ativos em março, mostrando preocupações com a inflação.
Apesar de as bolsas americanas terem virado para queda após a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, na última quarta-feira, as bolsas europeias - que já estavam fechadas naquele momento - fecharam hoje em alta, mais uma vez. O índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas do continente, terminou a sessão com ganho de 0,65%.
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Por aqui, os juros futuros começaram o dia mistos, mas acabaram fechando o dia em alta, ainda na esteira da postura mais hawkish (dura contra a inflação) do Fed ontem. Veja o fechamento dos principais vencimentos:
- Janeiro/23: alta de 12,027% para 12,22%;
- Janeiro/25: alta de 11,043% para 11,315%;
- Janeiro/27: alta de 11,092% para 11,325%;
- Janeiro/29: alta de 11,261% para 11,46%.
[captacao]
A força da economia americana
Na manhã desta quinta foram divulgados alguns dados econômicos importantes nos Estados Unidos. A primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) mostrou que a economia americana cresceu 5,7% em 2021.
No quarto trimestre, o PIB cresceu a uma taxa anualizada de 6,9%, bem acima da estimativa de 5,5% dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal.
A inflação anualizada medida pelo PCE, índice de preços ao consumidor usado como referência pelo Fed, foi de 6,5% no quarto trimestre. Já o núcleo do indicador, que desconsidera os preços de alimentos e energia, cresceu a uma taxa anualizada de 4,9% no mesmo período.
Os pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 22 de janeiro tiveram queda de 30 mil, para 260 mil, na série com ajustes sazonais. O número ficou abaixo das estimativas dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que era de 265 mil.
Os indicadores mostram que, de fato, a economia americana vem se recuperando com força, o que justifica o aperto monetário já sinalizado pelo Federal Reserve.
Ontem, Jerome Powell disse que há bastante espaço para aumentar juros sem prejudicar o mercado de trabalho, o que deixou o mercado em alerta, uma vez que um aumento nas taxas diminui a atratividade dos ativos de risco.
Risco fiscal
A ameaça às contas públicas volta ao radar do investidor local nesta quinta. Na noite de ontem (26), o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que a proposta de emenda à constituição (PEC) dos combustíveis já está acertada com a equipe econômica. Ele ainda disse esperar que o Congresso aprove a medida.
A PEC propõe que o governo federal retire o PIS/Cofins dos combustíveis, da energia elétrica e do gás. Desde o ano passado, o imposto sobre o gás de cozinha foi zerado.
Por outro lado, a proposta ainda exige que governadores isentem os combustíveis de ICMS, uma das principais fontes de renda dos estados. Também na tarde de ontem, chefes dos poderes executivos estaduais decidiram congelar o imposto por mais 60 dias.
Em números
A medida pode gerar um déficit de até R$ 57 bilhões nas contas públicas, pela perda de arrecadação, segundo fontes do governo. Mas um relatório da XP prevê uma perda de até R$ 240 bilhões, se os estados entrarem na conta.
O impacto no preço dos combustíveis seria limitado: entre R$ 0,18 e R$ 0,20. De acordo com os cálculos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média de preços cairia de R$ 6,71 para R$ 6,51 por litro de combustível.
Por outro lado, os índices de preços sentiriam um impacto maior. Pelos cálculos da XP, a inflação projetada, hoje em 5,2%, poderia cair para 1%, queda de 4,2 pontos percentuais.
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