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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Mercados Hoje

Sem Nova York, Ibovespa destoa das bolsas internacionais e opera em queda; dólar fecha em alta, e juros sobem pressionados pelo fiscal

Feriado nos EUA diminui liquidez global e queda no minério de ferro afeta cotações de mineradoras e siderúrgicas por aqui

Renan Sousa
Renan Sousa
17 de janeiro de 2022
10:18 - atualizado às 17:39
Montagem de estátua de urso dourado na frente da B3 | Ibovespa
Confira o que movimenta o Ibovespa e o dólar hoje (17). Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois de avançar mais de 4% na semana passada, o Ibovespa opera em baixa nesta segunda-feira (17).

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Com as bolsas americanas fechadas em razão do feriado do dia de Martin Luther King Jr., o que reduz a liquidez dos mercados globais, o índice é puxado para baixo pelas ações de mineradoras e siderúrgicas.

Por volta das 17h30, o Ibovespa recuava 0,25%, a 106.662 pontos, enquanto o dólar à vista fechou em alta de 0,24%, a R$ 5,5266, após passar boa parte do dia operando próximo da estabilidade.

Hoje os investidores digerem os dados do Produto Interno Bruto (PIB) da China e do IBC-BR, indicador do Banco Central considerado a prévia do PIB.

Por aqui, o IBC-Br subiu 0,69%, ligeiramente abaixo da mediana das projeções colhidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estadão, que era de 0,70%. O intervalo das previsões ia de queda de 0,30% a avanço de 1,00%.

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Já na China, o PIB cresceu 8,1% em 2021, em linha com as estimativas colhidas pelo The Wall Street Journal e acima da meta do governo chinês, que era de expansão de 6%. O crescimento também foi bem superior ao de 2020, quando o PIB do gigante asiático se expandiu apenas 2,2%.

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As bolsas na Europa fecharam majoritariamente em alta, com o índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as empresas mais importantes do continente, fechando com ganho de 0,70%.

A inflação de janeiro medida pelo IGP-10, que veio acima do esperado (1,79%, ante expectativa de 1,61%) e a pressão dos servidores públicos por reajustes salariais, com greves marcadas para amanhã (18), pressionaram os juros futuros, que fecharam perto das máximas. Veja o desempenho dos principais contratos:

  • Janeiro/23: alta de 11,952% para 12,015%;
  • Janeiro/25: alta de 11,228% para 11,410%;
  • Janeiro/27: alta de 11,137% para 11,41%.

Greve de servidores pressiona fiscal

Servidores dos Três Poderes estão programando uma paralisação nacional nesta terça por reajustes de salários, em alguns casos congelados desde 2017.

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O movimento demonstra a insatisfação dos servidores pelo fato de o presidente Jair Bolsonaro ter articulado, durante a votação do Orçamento de 2022, aumentos apenas para as carreiras policiais, que fazem parte da sua base de apoio.

Reajustes salariais pressionariam ainda mais as contas públicas, o que impulsiona os juros futuros para cima. A proximidade das eleições presidenciais incrementa os temores do mercado, que acredita que Bolsonaro aumente os gastos públicos na tentativa de se reeleger.

PIB chinês mostra força, mas os estímulos não param

Apesar do crescimento econômico forte em 2021, o Banco do Povo da China (PBoC, em inglês), banco central do gigante asiático, manteve os estímulos monetários, cortando a taxa de juros de médio prazo do país.

A expansão do PIB no quarto trimestre foi de 4% na comparação anual, acima das estimativas, mas bem inferior ao crescimento de 4,9% do trimestre anterior, já mostrando uma redução da atividade. Além disso, o avanço da pandemia de covid-19 no país, com o alastramento da variante ômicron, preocupam.

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O corte de juros pelo banco central chinês vem na contramão de uma série de medidas dos principais BCs do mundo para conter a inflação. Em especial do Federal Reserve, que pretende aumentar os juros e retirar os estímulos da economia ainda neste ano. Por outro lado, o avanço da pandemia também pode frustrar e atrasar os planos do Fed. 

Minério em queda

As empresas do setor de mineração, que haviam paralisado suas atividades em Minas Gerais devido às chuvas, começaram a retomar as atividades.

A paralisação, no entanto, não chegou a afetar negativamente os papéis de mineradoras e siderúrgicas na semana passada. Hoje, essas ações operam em baixa, com a queda de 1,84% do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, cotado a US$ 125,65 por tonelada.

No entanto, a expectativa com o avanço da atividade econômica no gigante asiático, com a manutenção dos estímulos monetários mesmo após um crescimento forte em 2021, pode impulsionar o preço das commodities metálicas nos próximos pregões.

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*Com a colaboração de Luiz Carlos Corrêa, sócio da Nexgen Capital

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