“Paulo Guedes promete muito e entrega pouco”, diz João Amoêdo
Em entrevista ao podcast RadioCash, o fundador do Partido Novo falou sobre sua transição da iniciativa privada para a política e tece críticas ao governo Bolsonaro

Embora a figura de Paulo Guedes tenha sido um grande chamariz para a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, o balanço após três anos de governo é negativo. Esta é a avaliação de João Amoêdo, do Partido Novo, que se diz muito decepcionado com o Ministro da Economia, para quem faltou capacidade de execução.
“Apesar de ter um ótimo discurso, na prática fugiu muito da execução, né? Não entregou o que deveria ter entregue e o resultado é isso que a gente tá vendo aí”, diz o fundador do Novo.
Insatisfeito com os resultados entregues pelo ministro, o empresário considera que Guedes está se deixando influenciar por Bolsonaro, quando o oposto é que deveria acontecer. A incapacidade de conciliar os interesses do Congresso e a falta de foco em temas centrais são alguns pontos críticos citados por Amoêdo em entrevista ao podcast RadioCash.
“Eu fiquei muito decepcionado mesmo com o Guedes e acho que nesse um ano e pouco de mandato que resta, ele fará pouco” ‒ João Amoêdo, fundador do Partido Novo.
Quanto ao governo Bolsonaro em si, o fundador do Novo afirma: “já dá pra ter um diagnóstico claro que é um governo que não funcionou”. Como falhas, ele cita os estragos feitos ao meio ambiente, às contas públicas, às condições sanitárias, ao quadro social e ao quadro econômico. “Sem contar os inúmeros crimes de responsabilidade que foram cometidos e o enfraquecimento das instituições”, finaliza.
Ouça a entrevista completa com João Amoêdo dando play abaixo ou buscando por “RadioCash” na sua plataforma de podcasts de preferência:
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Grande defensor do liberalismo, corrente também seguida por Guedes, Amoêdo acredita que ter uma maior liberdade econômica é a solução para melhorar a qualidade de vida das pessoas: “as pessoas conseguem ter o seu negócio, conseguem empreender, conseguem ter uma melhor educação e consequentemente uma melhor qualidade de vida.”
Para ele, o Brasil caiu em uma “armadilha”, na qual o Estado cresceu demasiadamente, mas contra o interesse do cidadão, resultando em privilégios para determinados grupos. “Sem um governo mais liberal, com mais poder para o cidadão, com a carga tributária menor, com menos intervenção do Estado, dificilmente a gente consegue colocar o Brasil no rumo do crescimento”, comenta.
Mercado financeiro vs. política
Como João Amoêdo foi de profissional bem-sucedido no mercado financeiro à presidenciável em 2018? Em seu novo livro, “Sem Atalho: Uma jornada até a política e minhas ideias para o Brasil”, o empresário conta sua trajetória desde os tempos de faculdade até fundar o Partido Novo e concorrer à presidência. Segundo Amoêdo, o objetivo do livro é “tentar inspirar outras pessoas para virem para a política também, pra gente poder fazer essa renovação e ocupar os espaços.”
Misturando uma narrativa biográfica com um ensaio crítico sobre o Brasil, “Sem Atalho” traça o caminho do engenheiro e administrador até o Itaú e, posteriormente, até o pleito de 2018. O político conta que buscava usar algumas práticas da iniciativa privada para melhorar a vida do cidadão brasileiro. O melhor jeito de fazer isso seria através de um partido político e foi daí que veio a ideia do Novo, fundado em 2011.
Apesar de todos os desafios que o mercado financeiro impõe, para o fundador do Novo, trabalhar com política é mais difícil. Isto porque diferente da iniciativa privada, onde é possível alinhar objetivos com sistema de bonificações e participações societárias, na política, as agendas pessoais de cada um acabam interferindo no alinhamento.
“O mundo político privilegia os votos ao invés da competência.” ‒ João Amoêdo, político e empresário.
Outra dificuldade do mundo político foi a dificuldade de achar uma boa referência entre os partidos políticos brasileiros. Ao fundar o Novo, Amoêdo se deparou com uma realidade bem diferente do que acontece na iniciativa privada, onde é comum capturar práticas de instituições de sucesso. “Eu olhava todos os partidos e falava ‘eu não quero ser igual a esses partidos que tão por aí, eu não quero ter as mesmas práticas desse partido’, então qual é o nosso benchmark?”, relata.
O empresário conta que começou a buscar referências fora do Brasil. A ideia de fazer um processo seletivo para os candidatos foi inspirada em um partido da África do Sul, por exemplo.
“Eu passei por reestruturações lá na financeira do BBA, depois fiz uma reestruturação no Unibanco e eu te diria que o desafio no Novo foi muito maior do que todos esses outros aí que eu tive a oportunidade de participar.” ‒ João Amoêdo, fundador do Partido Novo.
A carteira de investimentos de João Amoêdo
O empresário diz ter sempre sido um tanto quanto conservador em seus investimentos e afirma privilegiar a liquidez. No Brasil, Amoêdo revelou estar investindo bastante em LCAs, além de considerar os papéis indexados à inflação uma boa opção também.
No mercado de ações, ele tem posições internacionais e no Brasil, gosta de blue chips.
“Eu prefiro sempre os papéis tradicionais, quer dizer, as grandes empresas que têm bons volumes de dividendos. Eu não sou muito de apostar em coisas muito diferentes, eu prefiro exatamente aquelas que tem uma tradição no seu ramo de atuação”, comenta.
Como proteção, seu ativo principal é o ouro. Já para diversificar um pouco o portfólio, sua aposta é o bitcoin.
Quer conferir o papo completo com João Amoêdo? Ouça o RadioCash dando play abaixo:
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