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pandemia

Estudo aponta relação entre negacionismo de Bolsonaro e evolução da pandemia no Brasil

Segundo o levantamento, em cidades onde o presidente obteve mais de 50% dos votos no segundo turno das eleições de 2018, número de mortes foi 415% maior do que nos municípios onde ele perdeu o pleito

(Campo Alegre de Lourdes - BA, 30/07/2020) Presidente da República, Jair Bolsonaro, aciona a fonte conectada ao sistema integrado de abastecimento de água de Campo Alegre de Lourdes. Foto: Alan Santos /PR -

No momento em que a CPI da Covid avança em Brasília, um estudo publicado na SSRN (Social Science Research Network, uma revista acadêmica internacional) reforça o argumento dos que apontam o governo federal como principal responsável pelas mortes provocadas pela pandemia do coronavírus.

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Segundo o levantamento, em cidades onde o presidente Jair Bolsonaro obteve mais de 50% dos votos no segundo turno das eleições de 2018, o número de novas mortes foi 415% maior do que nos municípios onde ele perdeu o pleito. O número de casos foi 299% superior, na mesma base de comparação.

Os números ficam ainda mais discrepantes quando focados em cidades que deram mais de 70% dos votos no segundo turno para Bolsonaro, comparadas com aquelas em que menos de 30% escolheram o então candidato.

De acordo com o estudo, o número de mortes do primeiro grupo chegou a ser 647% maior do que o do segundo grupo, enquanto o de infeções foi 567% superior.

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"O artigo associa a atitude negativista da liderança nacional com o comportamento mais arriscado de seus apoiadores, levando a resultados desastrosos em termos de vidas perdidas".

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Sandro Cabral, do Insper, Leandro Pongeluppe, da Universidade de Toronto, e Nobuiuki Ito, do Ibmec

Para elaborar o levantamento, os pesquisadores reuniram o número de mortes e casos dos 5.570 municípios do país durante as primeiras 52 semanas da pandemia.

Os dados foram cruzados com as informações do TSE sobre os resultados de 2018 em cada cidade, sem considerar fatores como renda e acesso a serviços básicos.

O estudo, que pode ser acessado neste link, foi conduzido pelos pesquisadores Sandro Cabral, do Insper, Leandro Pongeluppe, da Universidade de Toronto, e Nobuiuki Ito, do Ibmec.

O grupo aponta que Bolsonaro seria um "arquetipo de líder em negação". "O presidente do Brasil fez uma sequência de discursos para televisão e rádio minimizando a gravidade da pandemia de covid-19", lembram.

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A pesquisa também mostra a relação entre a variação do risco de infecção e morte ao longo do tempo. Em um gráfico, por exemplo, é possível notar que, na sétima semana da pandemia, logo após um pronunciamento oficial do presidente, o risco aumentou nos municípios com maioria pró-Bolsonaro.

Gráfico mostra a relação entre mortes e as cidades que apoiaram massivamente em Bolsonaro.

Negacionismo

Bolsonaro minimizou a gravidade da pandemia desde os primeiros casos no Brasil. No final de março, quando o país contava pouco mais de 50 mortos por covid-19, o chefe do executivo afirmou em cadeia nacional que o novo coronavírus se tratava de uma "gripezinha".

O presidente discursou dezenas de vezes contra o isolamento social e a favor de remédios sem eficácia comprovada, trocando por duas vezes o ministro da Saúde em meio ao avanço da doença.

O governo brasileiro também recusou onze ofertas formais de fornecimento de vacinas contra a covid-19, segundo o portal G1. O método do Ministério da Saúde, com o general Eduardo Pazuello à frente, para dizer não sempre foi o de ignorar as propostas.

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O país conta com cerca de 8% da população vacinada, enquanto a doença segue infectando e provocando mortes em patamares elevados. Em países como os Estados Unidos, o avanço da imunização dá mais segurança aos agentes econômicos e permite a projeção de uma recuperação da atividade.

Na quinta-feira (6), o Brasil registrou 2,5 mil vidas perdidas pela covid-19. Desde o início da pandemia, 416,9 mil pessoas morreram em decorrência da doença.

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