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2021-01-12T19:01:19-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
boas perspectivas

Para Verde Asset, de Stuhlberger, cenário para a Bolsa nos próximos anos é muito bom

Gestora avalia que juros permanecerão baixos por bastante tempo e cita como principal risco o desarranjo fiscal

12 de janeiro de 2021
16:42 - atualizado às 19:01
Luis Stuhlberger, gestor do fundo Verde
Luis Stuhlberger, gestor do fundo Verde - Imagem: Leo Martins

O cenário para a Bolsa nos próximos anos é muito bom, diante da perspectiva de crescimento econômico e juros em patamares historicamente baixos por um bom tempo. Mas é preciso ficar atento aos efeitos do fim do auxílio emergencial sobre a atividade neste começo de 2021 e, principalmente, à forma como o governo lidará com a delicada situação fiscal.

A análise é da Verde Asset, a gestora do lendário gestor Luis Stuhlberger, divulgada em carta aos investidores.

Pelo fato de a crise de covid-19 ter sido muito diferente de todas as outras enfrentadas, a gestora afirma que é muito difícil prever a velocidade da recuperação. Um ponto que ela destaca é que, por ter sido causada pela parada repentina das atividades, ela elevou a taxa de poupança das famílias.

Com isto, não será necessário esperar um longo processo de redução de alavancagem das famílias. “Pelo contrário, à medida que a atividade social se recuperar, a economia estará preparada para entrar em um novo ciclo de crescimento econômico”, diz trecho da carta.

“Partindo de um alto nível de desemprego e capacidade ociosa da economia, os juros podem permanecer baixos por bastante tempo, mesmo com a retomada da atividade. O cenário de crescimento econômico com juros baixos é muito bom para a Bolsa nos próximos anos”, continua.

O grande risco é o desequilíbrio fiscal do País, que exigirá manutenção das medidas de ajuste nos próximos anos. Para a gestora, a expectativa é de que o Brasil continuará perseguindo o equilíbrio, depois das lições aprendidas na crise de 2015, que resultaram em crise cambial e inflação, forçando o aumento da taxa de juros.

Ações na carteira

Junto com uma análise macroeconômica para 2021, a carta de dezembro aos investidores da Verde trouxe a avaliação dela sobre empresas que possui em sua carteira:

Petrobras (PETR4)

A volatilidade da indústria do petróleo no ano passado representou uma oportunidade para a Verde aumentar sua posição em Petrobras, avaliando que a queda das ações durante a crise foi exagerada.

Agora, a ação da estatal se tornou um dos nomes centrais de sua carteira em 2020, avaliando que a companhia colherá bons resultados com o pré-sal, em que os custos de produção são baixos, a robustez de sua posição financeira e a perspectiva de retomada da demanda por combustíveis. Apesar dos elogios, a gestora possui uma posição significativamente menor de ações da Petrobras.

“Em 2021, acreditamos no avanço da pauta micro da empresa (por exemplo, a venda dos ativos de refino e a implementação efetiva da nova política de dividendos) e na continuação da retomada da mobilidade conforme a imunização é feita em diferentes países, o que deverá firmar os preços do petróleo em patamares mais elevados”, diz trecho da carta.

BR Distribuidora (BRDT3)

Mesmo tendo contribuição negativa, a Verde aumentou seu investimento na distribuidora de combustíveis, elogiando a capacidade de execução da administração. “Operacionalmente, a BR Distribuidora entrega tudo o que prometeu após sua privatização”, diz trecho da carta.

A expectativa é de que ela apresente novas melhoras ao longo de 2021. E a companhia deve se beneficiar da retomada da demanda por combustíveis, além de entrar em novas oportunidades de negócio.

Magazine Luiza (MGLU3) e MercadoLibre

Com a pandemia, muitos consumidores recorreram ao e-commerce para realizar compras. Segundo a Verde, as vendas pela internet avançaram o equivalente a quase três anos em 2020, com o comportamento das pessoas mudando a uma velocidade nunca vista.

Para a gestora, o uso do e-commerce pelos brasileiros deve se manter acelerado por muitos anos. “O ano passado representou um salto para as vendas online, mas ainda estamos muitos anos atrás de nações desenvolvidas e devemos ver a América Latina crescer mais rápido que esses países nos próximos anos”, diz trecho do relatório.

E este movimento deve ser liderado por Magazine Luiza e MercadoLibre, “que têm hoje as melhores propostas de valor para os consumidores e evoluem a uma velocidade ainda superior à dos outros concorrentes”.

Enjoei (ENJU3)

Outra empresa de e-commerce, a Enjoei se diferencia pelo fato de focar na venda de produtos usados, principalmente vestuário. Além disso, a empresa é líder neste segmento, dez vezes maior que seus concorrentes.

A Verde avalia que a Enjoei ainda está num estágio de maturidade inicial, com boa posição em um mercado grande e pouco explorado. Ela também tem boa proposta de valor e ampla margem para o crescimento da marca. “Essa combinação nos deixa bastante animados com as perspectivas de expansão da companhia”, diz trecho da carta.

Hapvida (HAPV3), NotreDame Intermédica (GNDI3) e SulAmérica (SULA11)

O segmento de saúde trouxe boas contribuições para a Verde no ano passado, mas com resultados distintos entre as empresas – Hapvida e Intermédica tiveram ganhos entre 15% e 20%, enquanto SulAmérica perdeu cerca de 20% do seu valor.

A gestora destacou que a NotreDame Intermédica conseguiu aumentar organicamente sua base de beneficiários no ano passado e acelerou o ritmo das aquisições. O início das operações em novas regiões, como Minas Gerais, abre novas avenidas de crescimento. E a retomada da economia representa uma grande oportunidade de captura de novos beneficiários.

Na Hapvida, a integração bem-sucedida das últimas grandes aquisições (São Francisco e Grupo América) foi o principal destaque de 2020 para a Verde. “Já é possível verificar uma convergência parcial da margem bruta das aquisições para o patamar que a Hapvida opera no Norte e Nordeste, mesmo sem a integração completa dos sistemas hospitalares (já ajustado pela estimativa de impacto da covid-19, que trouxe ganhos temporários de margem)”, diz trecho da carta.

No caso da SulAmérica, a aposta é que a retomada da economia, com a Selic retornando a patamares mais sustentáveis, ajudará na recuperação dos resultados.

Suzano (SUZB3)

Mesmo após a forte valorização em 2020, a gestora manteve seus investimentos na Suzano, por considerar que o preço atual dos papéis continua atrativo e que ela ainda vai se beneficiar da recuperação do ciclo da celulose.

“Fora isso, a companhia tem oportunidades interessantes, como o projeto de Ribas do Rio Pardo (MS), que aumentará a capacidade de produção da Suzano em aproximadamente 20% em uma planta que deverá ter o custo mais competitivo entre os outros ativos de seu portfólio”, diz trecho da carta.

Natura (NTCO3)

A Verde voltou a ter uma posição relevante em Natura em 2020, se tornando um de seus maiores investimentos.

A avaliação da empresa está calcada em dois pilares. O primeiro é a evolução do modelo de vendas, apostando num ecossistema digital que une consultoras, site e lojas físicas. O segundo é a reestruturação pela qual a companhia passou, com a captura de sinergias com a Avon, resultando em uma empresa líder no mercado de cosméticos na América Latina.

“Mantemos uma posição relevante na empresa, mesmo após a forte valorização das suas ações em 2020, porque acreditamos que esses dois pilares devem dar frutos por vários anos, e que o time de gestão encontrará novas formas de geração de valor no longo prazo”, diz trecho da carta.

B3 (B3SA3)

As ações da operadora da Bolsa tiveram um desempenho robusto em 2020, graças à maior atividade no mercado de capitais e as taxas de juros mais baixas.

A expectativa é de que a companhia continue apresentando ganho de eficiência e amplie as fontes de receitas a partir do lançamento de novos produtos, além de se beneficiar do crescimento do interesse no mercado de capitais no País.

Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3)

As ações das duas companhias de locação de veículos tiveram contribuição relevante para a Verde em 2020. A gestora aumentou significativamente sua posição em Localiza e passou a investir em Unidas, por entenderem que este mercado tem boas perspectivas no longo prazo e que os danos da pandemia seriam muito menores do que o mercado esperava.

“Ao longo de 2021, a Localiza e a Unidas devem retomar o acelerado crescimento dos últimos anos. O acordo de fusão entre elas, se finalizado, trará grandes avenidas de geração de valor ao longo do tempo”, diz trecho da carta.

Vivara (VIVA3)

O que era um investimento pequeno em 2019 se tornou relevante em 2020, com a gestora aproveitando a crise para aumentar sua posição, apostando que ela teria ganho de participação de mercado.

A boa execução digital fez com que a Vivara tivesse um ganho de market share muito maior do que a Verde esperava, com as vendas no terceiro trimestre se igualando ao patamar de 2019.

Cia. Hering (HGTX3)

Uma das mais afetadas pela pandemia, a Cia. Hering teve também problemas operacionais, resultando em um desempenho inferior aos seus concorrentes em 2020.

Ainda assim, a Verde avalia que a nova administração está tomando as medidas certas para consertar a situação, abrindo caminho para bons resultados a partir deste ano.

Equatorial (EQTL3)

A Verde investe na Equatorial de forma ininterrupta há 11 anos e pretende manter isso em 2021, citando a “gestão excepcional” da empresa, que se materializa em excelência na gestão dos ativos e na alocação de capital.

O impacto da covid-19 foi muito pequeno no setor de distribuição de energia, abrindo caminho para a compra das ações a preços convidativos. Fora isso, a empresa está expandindo sua área de atuação, entrando no mercado de saneamento. Ainda que não tenha arrematado nenhuma concessão, a gestora considera positiva esta diversificação.

Omega (OMGE3)

Para a Verde, a geradora tem um enorme potencial de geração de valor como consolidadora no mercado de energia renovável, já que existe uma vasta oferta de ativos operacionais nas mãos de desenvolvedores que desejam vendê-los para reciclar capital.

“Aproveitando novas oportunidades de aquisição com bons retornos, a empresa poderá dobrar novamente a capacidade instalada de seu portfólio nos próximos anos”, diz trecho da carta.

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