Suzano (SUZB3) lucra R$ 10 bi no 2º trimestre, ajudada pela alta nos preços da celulose
Com o preço da celulose aumentando mais de 30% no exterior, a Suzano (SUZB3) gerou caixa e viu sua receita avançar no 2º trimestre

A Suzano (SUZB3) vendeu um volume menor de papel e celulose no segundo trimestre deste ano, mas, mesmo assim, ainda obteve resultados amplamente positivos entre abril e junho. Tudo isso por causa da elevação dos preços da commodity, que mais que compensaram a queda na demanda pelos produtos.
A gigante do setor reportou receita líquida de R$ 9,8 bilhões, cifra 23% maior na comparação com o mesmo período do ano passado. O mercado externo continua sendo protagonista, respondendo por R$ 8,29 bilhões das vendas da Suzano — um crescimento de 10% na mesma base.
Em termos operacionais, a companhia vendeu 2,53 mil toneladas de celulose no trimestre, volume 9% menor que o visto entre abril e junho do ano passado. O preço da commodity, no entanto, disparou: o valor médio no mercado externo ficou em US$ 636 a tonelada, aumentando 35% no mesmo intervalo.
O impulso dado pelo preço da celulose na receita líquida da Suzano acabou se propagando por todo o balanço. Com custos praticamente estáveis, o lucro bruto da empresa ficou em R$ 5,1 bilhões, aumentando 25% em um ano; o resultado das operações foi de R$ 5,2 bilhões, mais que o dobro do visto há um ano.
O Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — avançou 63% entre os períodos, totalizando R$ 6,9 bilhões; em bases ajustadas, que desconsideram itens não recorrentes, o Ebitda foi de R$ 5,9 bilhões (+32%).
Veja abaixo como ficaram as margens da Suzano no trimestre:
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- Margem bruta: 51,5% (era 40,1% no 2T20);
- Margem Ebitda: 70,1% (era 52,8% no 2T20);
- Margem Ebitda ajustada: 60,4% (era 52,3% no 2T20).
Suzano (SUZB3): Lucro acima da receita?
Quem bate o olho nos resultados da Suzano pode estranhar um detalhe: o lucro líquido, de R$ 10 bilhões, foi superior à receita líquida. Como isso é possível?
Essa aparente distorção se deve ao resultado financeiro líquido, que ficou positivo em R$ 9,7 bilhões — há um ano, a linha estava negativa em R$ 5,7 bilhões. Tudo graças aos ganhos de R$ 6,9 bilhões com a variação cambial e monetária.
Ocorre que mais de 80% do endividamento da Suzano é denominado em dólares. Mas como a moeda americana se desvalorizou frente ao real no período em questão, o montante da dívida da companhia acabou diminuindo quando convertido para reais. Ou seja: esses ganhos com a variação cambial afetam o lucro, mas não causam qualquer efeito nas operações ou no caixa da Suzano.
No segundo trimestre de 2020, a Suzano teve prejuízo líquido de R$ 2,1 bilhões.

Caixa e dívida
Voltando ao lado das operações, o ambiente de preços favorável para a venda de celulose no exterior fez a Suzano reportar uma geração de caixa operacional de R$ 4,94 bilhões, montante 47% maior na comparação anual.
A dívida líquida recuou 16% frente o segundo trimestre de 2020, para R$ 57,2 bilhões; a alavancagem, medida pela relação entre endividamento líquido e Ebitda nos últimos 12 meses, caiu para 3,1 vezes — há um ano, o índice estava em 5,6 vezes.
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