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disputas no varejo online

Mercado Livre separa R$ 10 bi para investimentos neste ano e deve dobrar em número de funcionários

Maior parte irá para o que pode se tornar sua terceira frente de negócios: a logística; disputa com Correios está descartada

Imagem: Mercado Livre / Divulgação / Facebook

Com o crescimento forte tanto no shopping virtual quanto na área financeira no ano passado, o Mercado Livre separou R$ 10 bilhões para investir em 2021 e a maior parte irá para o que pode se tornar sua terceira frente de negócios: a logística.

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"Por enquanto, estamos trabalhando para solucionar, facilitar e agilizar a entrega das vendas dos clientes", diz Stelleo Tolda, presidente do Mercado Livre para a América Latina. "Mas quando esse gargalo estiver resolvido, podemos oferecê-lo a terceiros."

Entre outros movimentos, os recursos farão com que o número de funcionários do Mercado Livre passe dos atuais 5 mil para mais de 10 mil, até o fim do ano.

A expectativa é que o Mercado Envios, nome da área de logística, trilhe percurso parecido com o do Mercado Pago, segmento de serviços financeiros do Mercado Livre.

Nascido para resolver os problemas de pagamentos dos vendedores do maior shopping virtual da América Latina, o Mercado Pago levou dez anos para se tornar relevante dentro da plataforma.

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Hoje, tem autorizações do Banco Central para funcionar como carteira virtual (com direito a rendimento maior do que a poupança), como processador de pagamentos (e com maquininhas no varejo físico) e como instituição financeira (para poder aumentar o limite do crédito, entre outros serviços).

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Os serviços são vendidos a terceiros e os próximos passos são oferecer alternativas de investimento para quem tem dinheiro no Mercado Pago, mas sem concorrer com as plataformas do segmento, como a XP.

Com tamanho crescimento, hoje a área financeira movimenta mais dinheiro do que o próprio shopping virtual. O volume de pagamentos processados no ano passado, nos 18 países da América Latina em que o Mercado Livre está presente, foi de quase US$ 50 bilhões.

Já as vendas das lojas abrigadas na plataforma somaram US$ 20 bilhões. Em 2019, elas haviam sido de US$ 28 bilhões e US$ 13 bilhões, respectivamente. O Brasil responde por pouco mais da metade da receita líquida da empresa e cresceu 120% em reais, no ano passado.

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Apesar de o Mercado Pago movimentar mais dinheiro que o marketplace, o retorno para o Mercado Livre é maior com os vendedores na plataforma. "Um dos nossos objetivos é incluir as pessoas no sistema financeiro e, portanto, as taxas cobradas são mínimas", diz Ricardo Lagreca, diretor jurídico e de relações governamentais do Mercado Livre.

Há um longo caminho para o Mercado Envios trilhar, antes de se tornar uma área de negócios. Os R$ 10 bilhões em investimento para 2021 equivalem ao que foi destinado à rubrica nos últimos quatro anos. Entre outras coisas, o dinheiro servirá para a construção de centros de distribuição e contratações para as áreas de logística e tecnologia.

Longe dos correios

Por outro lado, usar os recursos para entrar em uma eventual disputa pelos Correios está completamente descartado. "Os Correios não são pensados para a eficiência que buscamos", diz Tolda. "Como brasileiros e grandes usuários do serviço, queremos que ele melhore sempre, mas nosso modelo é outro."

Na prática, o Mercado Livre não pretende se tornar um Correios privado ou montar uma gigantesca estrutura própria de distribuição, apesar de haver mais carros, furgões e até mesmo aviões pintados com a marca da companhia. "Somos uma empresa de tecnologia", diz Tolda.

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Trocando em miúdos, isso significa que os sistemas que desenvolvem e em que investem conversam com boa parte das empresas de logística do País e traçam as rotas mais eficientes para cada carga, com os menores custos e prazos de entrega. Mas há muito a percorrer, sobretudo por conta do tamanho do País.

Com a prioridade dada à área, se há três anos 95% das entregas do Mercado Livre eram feitas pelos Correios, hoje só 5% são transportados por essa via. Em uma das frentes desenvolvidas, há armazéns com mercadorias de 10 mil lojistas virtuais estocadas e despachadas assim que o clique de venda é concluído.

Em um outro modelo, o Mercado Envios recolhe os produtos em pontos de coleta e os distribui. O menor canal, mas ainda muito importante, é a remessa pelos próprios vendedores, pelos Correios.

"A nova fronteira dos marketplaces chama-se logística e todas as empresas da área estão correndo atrás de soluções para prestar o serviço mais rápido de entrega de mercadorias", afirma Eugênio Foganholo, sócio da consultoria especializada em varejo Mixxer.

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"Não é à toa que o Magalu está comprando startups que resolvem o último trecho da entrega e a B2W também caminha nessa direção."

Segundo Foganholo, esse diferencial é essencial na hora de conquistar os vendedores, que costumam ter lojas virtuais em todas as plataformas concorrentes. "Os grandes marketplaces estão se tornando seres tentaculares, com braços fortes em toda a prestação de serviços aos lojistas e clientes finais", afirma.

"No desafio da logística, o próximo obstáculo a ser superado é o do transporte de alimentos." Nessa área, o Mercado Livre fez no mês passado uma parceria com o GPA, das redes Pão de Açúcar e Extra, e começa a fazer testes com alimentos não perecíveis.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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