Embraer tem prejuízo de R$ 490 milhões, mas começa a sair da zona de turbulência
A Embraer fechou o primeiro trimestre no vermelho, mas mostrou tendências animadoras no lado operacional e de gestão de caixa

A Embraer passou boa parte de 2020 voando às cegas. A pandemia pegou o setor aéreo em cheio, reduzindo o tráfego global — e, consequentemente, diminuindo a demanda das companhias por novas aeronaves. E, como desgraça pouca é bobagem, a Boeing rompeu o acordo de compra da área de aviação comercial da fabricante brasileira.
Uma tempestade perfeita, por assim dizer.
Mas, depois de um ano enfrentando as nuvens espessas da incerteza, o clima começa a ficar mais favorável. Os resultados da Embraer no primeiro trimestre de 2021 ainda refletem a turbulência dos últimos meses, mas também trazem alguns sinais de que o céu pode começar a ficar menos cinza num futuro próximo.
Afinal, é verdade que a companhia fechou os primeiros três meses do ano com prejuízo de R$ 490 milhões; que o resultado operacional ajustado ficou negativo em R$ 160 milhões; e que as margens das principais divisões continuam bastante pressionadas.
Mas também é verdade que a receita líquida saltou 55% em relação ao primeiro trimestre de 2020, para R$ 4,45 bilhões; que, em comparação com as perdas de R$ 1,3 bilhão vistas há um ano, o prejuízo reportado agora não parece tão desanimador; e que o consumo de caixa foi reduzido drasticamente.
E, ainda mais importante: a companhia assinou recentemente um contrato para a venda de 30 aeronaves E195-E2 a um comprador não revelado. Uma sinalização animadora quanto à retomada da demanda do segmento de aviação comercial.
Leia Também
"O primeiro trimestre foi forte em termos de atividade de vendas, e acreditamos que a tendência continuará pelo resto do ano", disse Antonio Garcia, vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores, em conversa com jornalistas. "Melhores entregas, controle de custos e de investimentos, menos consumo de caixa".
Mantenham os cintos apertados
Olhando para os destaques financeiros, chama a atenção o crescimento da receita líquida: os R$ 4,45 bilhões reportados no primeiro trimestre desse ano foram diretamente influenciados pelo maior número de entregas de aeronaves — foram 13 jatos executivos e nove comerciais.
A percepção de melhora no ambiente de negócios se confirma ao analisarmos o desempenho de cada divisão da Embraer: em aviação comercial, as receitas aumentaram 145% em um ano; em executiva, o crescimento foi de 38%; e em defesa e segurança, o salto foi de 51%.
Sendo assim, por que o resultado operacional da fabricante ficou negativo?
Em primeiro lugar, o custo dos produtos vendidos e serviços prestados quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 4 bilhões. A comparação, no entanto, está distorcida: entre janeiro e março de 2020, a empresa colocou grande parte de seus funcionários em licença remunerada, o que reduziu fortemente a linha de custos.
Em segundo, uma série de gastos não recorrentes relacionados à produção da divisão de aviação executiva impactaram a Embraer nesse início de ano. E, em terceiro, o mix de entregas menos rentável e a desvalorização do real ante o dólar também contribuíram para pressionar as operações.
Veja abaixo como ficaram as margens da Embraer no trimestre:
- Margem bruta: 9,5% (era 29,1% no 1T20);
- Margem operacional ajustada: -3,6% (era 2,2% no 1T20);
- Margem Ebitda ajustada 2,3% (era 11,1% no 1T20);
- Margem em aviação comercial: 33,9% (era 21,5% no 1T20);
- Margem em aviação executiva: 18,9% (era 21,2% no 1T20);
- Margem em defesa e segurança: 15,9% (era 16,3% no 1T20).
"Com certeza, a partir do segundo trimestre, começaremos a ver uma recuperação das margens", disse Garcia. "Tivemos eventos específicos que não se repetirão, a expectativa é positiva".
O horizonte da Embraer
Apesar das margens comprimidas, alguns elementos bastante positivos chamam a atenção no balanço — e ajudam a explicar a redução no prejuízo, apesar da piora no resultado operacional.
A Embraer teve um ganho líquido de R$ 109 milhões com as variações monetárias e cambiais, revertendo a perda de R$ 116 milhões vista há um ano. As despesas com Imposto de Renda recuaram fortemente: foram de R$ 784 milhões no primeiro trimestre de 2020 para R$ 7 milhões.
Ainda mais animador é o lado da gestão de recursos. Houve uma queima de caixa de R$ 1,2 bilhão, bem abaixo do uso de R$ 2,9 bilhões reportados no mesmo período do ano passado. O caixa total, de R$ 14 bilhões, ficou praticamente estável em comparação com o fim de 2020.
No front do endividamento, a Embraer tem uma dívida líquida de R$ 10,8 bilhões, acima dos R$ 8,8 bilhões contabilizados no fechamento de 2020, muito por conta da variação cambial. O perfil dos compromissos, no entanto, é bastante alongado: o prazo médio é de mais de 4 anos, com 92% dos vencimentos no longo prazo.
Pouso e decolagem
As ações ON da Embraer (EMBR3) operam em baixa nesta quinta-feira (29), recuando cerca de 3%. No entanto, vale ressaltar o bom desempenho desde o começo do ano: após um 2020 difícil, os papéis acumulam ganhos de mais de 70% — um indício de que o mercado está vendo com bons olhos a tese de recuperação da companhia.

"Vemos agora um aumento no número de pessoas vacinadas no mundo. O avanço da vacinação é fundamental para a retomada do setor aéreo e para o aumento de novos pedidos por parte dos clientes, especialmente no segmento comercial", disse Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer.
E mesmo a divisão executiva tem boas perspectivas: apesar do trimestre mais pressionado em termos de margens, a própria companhia trabalha com um cenário de crescimento "de pouco menos de 10%" para o segmento em comparação com 2020.
NOVAS FRONTEIRAS
Quer investir na China sem sair da B3? BTG Pactual Asset fecha parceria com gigante chinesa para preparar novos ETFs
9 de outubro de 2026 - 5:01RECOMENDAÇÃO
O pior já passou para a SLC Agrícola (SLCE3)? Bancos elevam projeções para 2027, mas fazem alerta aos investidores
8 de outubro de 2026 - 17:33Conteúdo Empiricus
Com R$ 210 bilhões em operações em 2026, mercado de M&A mira as médias empresas, mas este erro pode comprometer o valor da negociação
8 de outubro de 2026 - 17:01A VENCEDORA DOS JUROS BAIXOS
XP (XPBR31) pode ganhar um empurrão da Selic mais baixa; UBS BB eleva preço-alvo e vê até 25% de alta
8 de outubro de 2026 - 16:07AINDA ESTÁ BARATO?
A festa da bolsa ainda não acabou: BTG aponta onde a queda dos juros pode abrir espaço para mais altas
8 de outubro de 2026 - 13:33SINAL VERDE
GPA (PCAR3) vai virar a página? Justiça dá aval a plano de recuperação extrajudicial; ação dispara até 10% na B3
7 de outubro de 2026 - 14:17VAI VIRAR O JOGO?
Hora de comprar JBS (JBSS32)? Dor de cabeça pode virar trunfo — e fazer ação saltar até 70%, diz XP
7 de outubro de 2026 - 8:46O RALI ESTÁ SÓ COMEÇANDO
Bolsa brasileira disparou após o 1º turno; agora, UBS BB revela onde ainda pode haver espaço para ganhar
6 de outubro de 2026 - 19:43PROJEÇÃO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3) sob pressão: Citi diz o que está no caminho da mineradora; saiba o que fazer com a ação agora
6 de outubro de 2026 - 19:05NO MEIO DO CAMINHO
Banrisul (BRSR6) ainda não conquistou o UBS BB — mas apostar contra a ação ficou mais difícil; analistas elevam recomendação
6 de outubro de 2026 - 17:02SEGUNDO O BTG PACTUAL
Grupo Mateus (GMAT3), Vulcabras (VULC3) e outras: por que a economia nem precisa melhorar tanto para estas ações decolarem logo
6 de outubro de 2026 - 16:20O BONDE DOS ESQUECIDOS?
Comeram poeira! Rali dos bancos na B3 deixa estas duas ações para trás — mas JP Morgan vê espaço para uma nova arrancada
6 de outubro de 2026 - 15:32PUXOU O FREIO
JP Morgan ‘manda vender’ ação do Banco do Brasil (BBAS3) após rali eleitoral — e elege outro bancão para comprar agora
6 de outubro de 2026 - 14:22OTIMIZANDO ONDE DÁ
Na luta para virar o jogo, Hapvida (HAPV3) fecha acordo bilionário com a Roche. Como a parceria pode ajudar a operadora?
6 de outubro de 2026 - 10:31DESPEDIDA COM DATA MARCADA
Adeus, B3: oferta para tirar Helbor (HBOR3) da bolsa recebe aval da CVM e tem leilão marcado; veja os próximos passos
6 de outubro de 2026 - 9:50VEJA AS FAVORITAS
Após eleições, JP Morgan troca campeãs do Minha Casa, Minha Vida por construtoras de média e alta renda
5 de outubro de 2026 - 18:13COMMODITIES
Petrobras (PETR4) ou Vale (VALE3): qual delas se dá melhor caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno
5 de outubro de 2026 - 17:05MODO RELAX
Da esteira para a massagem: Smart Fit (SMFT3) quer comprar até 20% do Buddha Spa. O que está por trás da estratégia?
5 de outubro de 2026 - 9:00FAVORITA DOS ANALISTAS
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja a ação que pode blindar seus investimentos no segundo turno
5 de outubro de 2026 - 6:03A VACA E O FRANGO