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De um lado, as ações da companhia estão sendo negociadas com descontos elevados; por outro lado, o risco político permanece significativo
Quando diante de uma possibilidade de investimento, analistas, economistas e gestores sempre buscam entender qual a relação entre o risco e o retorno daquele ativo, buscando a melhor forma de lidar com essa dicotomia.
Como sabemos, aqueles ativos com mais riscos acabam recompensando com maiores retornos quando os nossos planos vão de acordo com a realidade. Mas quando as coisas dão errado, o prejuízo é certo e implacável.
Muitos estão enfrentando este dilema com a Petrobras (PETR4). Por um lado, ela é uma estatal e está sujeita a pressões políticas, como vimos nos atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e o então mandatário da estatal, Roberto Castello Branco, a respeito da política para reajuste dos preços dos combustíveis.
Por outro lado, seu valuation está em um patamar muito bom para ser ignorado, com uma projeção de rentabilidade do fluxo de caixa livre ao acionista (o FCFE yield, que sinaliza o potencial de retorno aos acionistas) de 30%.
Comprar ou não comprar? O que fazer diante desse dilema shakesperiano? Confrontado pela questão, o Credit Suisse resolveu dar uma resposta salomônica, elevando a neutra a recomendação para os recibos de ações (ADRs), numa tentativa de equilibrar esses dois fatores, e subiu o preço-alvo de US$ 8,00 para US$ 10,00.
Os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero ponderaram os dois argumentos – ação barata, melhor comprar, e risco de interferência estatal, melhor vender – e preferiram a neutralidade, vendo tanto risco quanto retorno alto.
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Do lado positivo está o fato de as ações da Petrobras estarem bastante descontadas no mercado. Considerando o preço dos combustíveis no patamar atual e tomando como certas as falas da nova diretoria, de que seguirá adiante com os planos de investimentos, os analistas do Credit Suisse calculam um FCFE de US$ 17 bilhões em 2021, o que faz as ações serem negociadas com um FCFE yield de 31% e um múltiplo EV/Ebitda (indicador que mostra se uma empresa está sub ou supervalorizada) de 3,1 vezes.
“Esta é uma avaliação marcadamente descontada, sob qualquer ponto de vista”, diz trecho do relatório.
Conspira a favor da tese de compra a perspectiva de bons resultados no primeiro trimestre (o balanço da Petrobras está previsto para ser divulgado em 13 de maio) e a expectativa de pagamento de um montante elevado de dividendos – os analistas calculam um rendimento de 30%, com os valores sendo pagos em 2022.
Diante de tantos atrativos, não haveria motivos para os analistas do Credit Suisse não recomendarem a compra das ações, certo?
Não é tão simples assim. Elas estão baratas porque a percepção de risco da Petrobras continua elevada, especialmente do lado da política de preços.
Por mais que o substituto de Castello Branco, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, tenha sinalizado que manterá a paridade com as cotações internacionais, os analistas ainda têm dúvidas se a Petrobras conseguirá capturar os ganhos com a alta dos preços do petróleo, por conta da sensibilidade política em torno do preço dos combustíveis.
“Nós acreditamos que é possível que os preços dos combustíveis e as ameaças de greve por parte dos caminhoneiros voltem às manchetes em breve”, diz trecho do relatório. “Isso pode acontecer em maio, quando vence o desconto no PIS/Cofins, levando a um aumento do preço na bomba para os caminhoneiros quando a demanda por frete é sazonalmente mais baixa.”
A política também pesa quando se considera que o ciclo eleitoral de 2022 foi antecipado, com o país bastante dividido. Apesar de este fator ter sido antecipado pelos investidores, ele deve continuar influenciando as ações.
Os analistas do Credit Suisse citaram outro risco para a tese de investimento da Petrobras: um aumento de investimentos em projetos não rentáveis, depois que o processo de desalavancagem financeira for encerrado. Não se trata de um risco imediato, segundo eles, mas é um fator que precisa ser considerado na hora de analisar as ações.
E existe um fator fora do controle da companhia, que é a possibilidade de o petróleo se desvalorizar se o Irã acelerar as exportações da commodity, como está se especulando.
O que fazer então com Petrobras depois de toda esta explanação? Aí é com você. Boa sorte.
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