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Companhia recebeu recentemente aporte de US$ 430 milhões, e segundo Wagner Ruiz, um de seus fundadores, estão no radar “seis ou sete aquisições”
A caminho de uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla de inglês), o Ebanx monitora sete potenciais aquisições e busca talentos internacionais. Com 300 vagas abertas no "chão de fábrica", a fintech vê no mais recente aporte uma catapulta também para atrair executivos de renome.
A empresa de pagamentos com sede em Curitiba (PR) anunciou em junho um aporte de US$ 430 milhões da Advent International. Parte do investimento, US$ 30 milhões, está destinado a apoiar a abertura de capital da companhia nos Estados Unidos — mais provavelmente, na Nasdaq.
Segundo um dos fundadores da empresa e CRO (Chief Risk Officer) do Ebanx, Wagner Ruiz, a companhia está preparada para fazer o IPO no "melhor momento", mas em até 12 meses.
"A gente tem uma operação bastante globalizada e opera um ambiente de negócios que é difícil de explicar para o investidor [local]. Por isso, a gente entende que lá fora haveria uma facilidade maior de abrir capital", disse Ruiz em entrevista ao Seu Dinheiro.
"Acho que, acima de tudo, a empresa precisa estar em um bom grau bom para ir a público — e nós estamos. Depois você tem outras variáveis"
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEWagner Ruiz, co-fundador do Ebanx
Fundado em 2012, o Ebanx é dono de uma plataforma que processa pagamentos de compras internacionais (cross-border) para empresas na América Latina e América Central.
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Por meio da plataforma, uma empresa pode vender em diversos países latino-americanos, na moeda local, e receber a liquidação dos pagamentos em dólares em qualquer lugar do mundo, sem a necessidade de entidade no país em que é feita a operação.
A mesma empresa pode vender localmente em outros países da América Latina e receber seu saldo no mercado interno, tudo em moeda local.
Na prática, quando você paga uma compra no AliExpress, Shopee, Uber, Airbnb ou Spotify, por exemplo, o Ebanx também fatura com a transação. Para o usuário comum, a operação dispensa a necessidade de o usuário ter de usar um cartão de crédito internacional.
A plataforma do Ebanx mira um mercado em franco crescimento. O mercado digital na América Latina (incluindo e-commerce, compras de produtos e serviços digitais, e compras no turismo) chegou a US$ 210 bilhões no ano passado, um avanço de 18%.
O responsável pelos investimentos da Advent na área de serviços financeiros na América Latina, Mario Malta, disse que o Ebanx é uma das empresas mais "impressionantes" que ele já conheceu.
"É o líder em um mercado em altíssimo crescimento, servindo clientes que estão entre as marcas que mais crescem no mundo, e os ajudando a vender com simplicidade, confiança e alto nível de aprovação de transações", disse.
O CRO do Ebanx conta que a empresa, desde 2015, avança para outros países como parte de uma estratégia de facilitar a operação dos principais clientes. "A ideia era cobrir tudo abaixo de México, tirando países como Cuba, em que não tem como operar".
"Um player global geralmente escolha uma plataforma [de pagamentos] por regiões", diz o executivo. "Ele não quer ter 10 prestadores de serviços para a mesma função".
Para chegar a outros países, o Ebanx montou uma equipe de expansão, que é responsável pelo primeiro contato com o novo mercado e por montar o time local.
"No primeiro país que a gente chegou, o México, levou nove meses para entender como tudo funcionava. Hoje, em três meses é possível implantar alguma solução em um novo mercado", conta Ruiz. "A grande diversão é que cada país é um universo paralelo, ainda que existam semelhanças".
A consolidação do mercado passa também por aquisições de outras empresas, segundo o executivo. "A gente está olhando seis ou sete empresas, inclusive no Brasil, sempre com a ideia de trazer mais volume para os três segmentos", diz o CRO.
Além da área de compras internacionais (cross-border), o Ebanx tem um segmento de pagamentos locais e um de produtos voltados ao consumidor final (que inclui uma conta de pagamentos digital).
Ruiz diz que com a pandemia, alguns clientes "sofreram bastante", enquanto os de áreas como e-commerce e bens digitais cresceram. Mas, segundo ele, os volumes de transações já registram uma normalização.
"De maneira geral houve uma digitalização absurda. Em países como o Peru, que estava mais atrasado nesse processo, o nível de digitalização foi impressionante: o e-commerce cresceu 450%", comenta o executivo.
Em 2020, o Ebanx processou mais de 145 milhões de transações, em uma alta anual de 38%, seguindo o mesmo rápido ritmo de crescimento dos últimos anos. "No geral, a gente conseguiu manter o crescimento que estava desenhado antes da pandemia", diz Ruiz.
Desde o ano anterior, a fintech é um considerada um "unicórnio", quando uma empresa é avaliada em mais de US$ 1 bilhão, depois de um aporte do fundo americano FTV Capital — que segue como sócio após o investimento mais recente da Advent.
Ruiz destaca que o investimento liderado pela Advent ajudará a atrair talentos e a encontrar "as pessoas certas". "Nossa atração e retenção de talentos já estava boa, mas dá para acelerar, especialmente na parte internacional".
O movimento, apoiado na reputação da gestora, seria uma continuidade a contratação de Alexandre Dinkelmann (ex-Totvs) para o cargo de Chief Financial Officer (CFO), feita no início deste ano.
Fora da área executiva, Ruiz reforça a percepção do mercado de que é mais difícil encontrar profissionais ligados a tecnologia. "Dois anos atrás a gente teve que montar um escritório em São Paulo para buscar pessoas", conta.
Hoje, o Ebanx tem cerca de mil funcionários, sendo que 20% é de fora do Brasil. Entre as 300 vagas abertas após o último aporte, 100 são para a área de tecnologia da empresa
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