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2021-02-23T17:45:30-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO

Cogna fecha acordo com empresa de educação apoiada por Lemann

Cogna adquire sistema de ensino da Eleva por R$ 580 milhões e vende grupo de colégios para empresa apoiada por bilionário por R$ 964 milhões

23 de fevereiro de 2021
7:54 - atualizado às 17:45
Jorge Paulo Lemann, do fundo 3G, dono da Ambev
Jorge Paulo Lemann, do fundo 3G, dono da Ambev - Imagem: Felipe Rau / Estadão Conteúdo

A Cogna Educação (COGN3) anunciou na segunda-feira (22) à noite que fechou um acordo com a Eleva Educação para realizar compras e vendas de ativos, em uma operação que atenderá o objetivo de expansão da divisão da parte de materiais didáticos da primeira e a necessidade de fortalecimento do portfólio de escolas da segunda.

Segundo comunicado, a operação envolverá duas etapas. Em uma delas, a Somos Educação, subsidiária da Cogna que atua na área de educação básica, pagará à Eleva R$ 580 milhões pela Editora Eleva, que detém os direitos e ativos relacionados aos sistemas de ensino de educação básica comercializados pelo grupo que tem o bilionário Jorge Paulo Lemann como um dos principais acionistas.

O valor corresponde a um múltiplo do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de 16,6 vezes da editora em relação a 2020, estando sujeito a ajustes de acordo com a receita a ser apurada em 2021 e 2022. Ele será pago ao longo de cinco anos.

A outra etapa consiste na venda, pela Cogna, de um portfólio de colégios para a Eleva por R$ 964 milhões, correspondente a um múltiplo de Ebitda de 16,3 vezes em relação ao ano de 2020. O montante também estará sujeito a ajustes de acordo com a receita apurada em 2021 e 2022.

Do preço de aquisição, o montante de R$ 625 milhões será pago ao longo de cinco anos e o restante será utilizado pela Cogna para a integralização de debêntures conversíveis a serem emitidas pela Eleva.

Caso a empresa do grupo de educação de Lemann realize uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), como pretende, de acordo com notícias na mídia, a Cogna passará a ser acionista, direta ou indiretamente.

Razões para o acordo

Segundo o jornal “Valor Econômico”, que adiantou as negociações, foi a Eleva que iniciou as conversas com a Cogna.

A empresa, que pretende realizar um IPO na metade deste ano, tinha interesse em fortalecer suas operações com as 52 escolas conceituadas que a Cogna possui.

Para a Cogna interessava o sistema de ensino da Eleva, para expandir sua divisão de materiais didáticos, além de atender à demanda de investidores por aquisições relevantes.

Na avaliação do BTG Pactual, o sistema de ensino da Eleva vale cerca de R$ 400 milhões, e as instituições de ensino da Cogna, cerca de R$ 2 bilhões.

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