O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Paulo Caffarelli deixou a presidência da Cielo. Um substituto já foi escolhido, mas a empresa tem um longo caminho para voltar ao jogo
Uma notícia pegou o mercado de surpresa na noite de quarta-feira (19): Paulo Caffarelli, que ocupava a presidência da Cielo há pouco menos de três anos, renunciou ao cargo — os motivos para a saída não foram revelados. Uma movimentação que ocorre num momento delicado para a companhia, que enfrenta desafios operacionais e passa por apuros na bolsa.
Ontem, por exemplo, as ações ON da Cielo (CIEL3) fecharam a R$ 3,90, perto das mínimas históricas. Vale lembrar que, num passado não tão distante assim, a empresa era vista como uma das promessas do Ibovespa — há cinco anos, os papéis eram negociados acima dos R$ 20,00.
O que aconteceu de lá para cá?
É uma história longa e complexa, mas que pode ser resumida em três palavras: aumento da concorrência. No meio da década passada, a Cielo reinava soberana no segmento de maquininhas de cartão; mas, com a chegada de novos competidores — como Stone, GetNet, PagSeguro e muitos outros —, o jogo mudou.
Rapidamente, a empresa começou a perder participação de mercado. Enquanto os rivais ofereciam descontos e adotavam uma postura agressiva de preços para conquistar, a Cielo ficou parada no tempo e viu a adesão entre microempresas e empreendimentos de pequeno porte diminuir.
A abertura de capital da Stone e da PagSeguro na Nasdaq aumentou o poder de fogo das companhias, que ficaram ainda mais capitalizadas para a disputa do mercado. A Cielo se viu obrigada a entrar na guerra de preços, o que erodiu suas margens.
Leia Também
E mesmo na área de serviços aos lojistas, a Cielo comeu poeira: os rivais também passaram a oferecer funções semelhantes — nem mesmo o apoio do Bradesco e do Banco do Brasil, seus dois acionistas, serviu para dar vantagem à companhia.

Dado esse contexto, fica claro que Gustavo Henrique Santos de Sousa, nomeado como novo CEO da Cielo — ele atualmente é vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores — tem uma tarefa árdua pela frente.
Durante a gestão Caffarelli, a Cielo até conseguiu melhorar suas métricas operacionais e tomou iniciativas para acelerar sua transição digital. No entanto, a empresa ainda tem um longo caminho para fazer frente às concorrentes.
"A discussão hoje em Cielo não é especificamente ganhar participação de mercado. A empresa precisa se reposicionar no mercado para voltar a ganhar margem e competir no mercado", diz um gestor de fundo multimercado que prefere não se identificar.
E, de fato, as margens da Cielo passaram por uma piora expressiva ao longo dos últimos anos. Os descontos que precisaram ser implantados para fazer frente à concorrência, aliados a uma estrutura organizacional e administrativa relativamente grande, impactaram fortemente essas métricas.

Veja abaixo um comparativo dos principais dados de Cielo, Stone e PagSeguro em 2020. Repare que, apesar de a Cielo ser maior em termos de volume de transações e receita líquida, seus resultados pioraram em relação ao ano anterior. Além disso, as margens de Stone e PagSeguro são bem maiores — indicando que suas operações estão bem mais saudáveis.
| Resultados 2020 | Cielo | Stone | PagSeguro |
| Vol. de transações (R$ mi) | 643.955 | 209.900 | 161.500 |
| Variação x 2019 | -5,7% | 62,6% | 40,7% |
| Receita líquida (R$ mi) | 11.186 | 3.320 | 2.089 |
| Variação x 2019 | -1,5% | 28,9% | 32,6% |
| Lucro Líquido (R$ mi) | 631,5 | 837,4 | 375,6 |
| Variação x 2019 | -64,0% | 4,1% | -4,2% |
| Margem líquida | 5,6% | 25,2% | 18,0% |
E mesmo alguns detalhes operacionais mostram a fraqueza da Cielo. A GetNet, do Santander, teve 63% das transações com cartão de crédito — mais rentáveis que as de débito. Na Cielo, 55% das operações foram em crédito.
Outro ponto apontado como desafio para o crescimento diz respeito à estrutura acionária: a Cielo tem dois controladores, Bradesco e Banco do Brasil, e é listada em bolsa — o que dificulta um alinhamento entre todas as partes.
PagSeguro e Stone são listados em Nova York, mas livres e independentes em termos de conflitos de acionistas; GetNet e Rede são integradas a grandes instituições financeiras.
"O mercado sabe que a Cielo está trabalhando nesse ponto também, de alinhar os interesses entre todos os acionistas, já faz algum tempo", diz o gestor. Ainda assim, eventuais conflitos quanto ao rumo a ser tomado pela companhia são comuns e geram ainda mais ruído ao comportamento das ações.
Parte do mercado especula que a saída de Caffarelli — que, antes de ser CEO da Cielo, ocupou a presidência do Banco do Brasil — pode ser um sinal de que o Bradesco pode começar a assumir as rédeas do negócio.
Ainda assim, é improvável que qualquer um dos controladores tente se desfazer de sua participação acionária na Cielo, considerando o baixo valor das ações da companhia.

Em suma: Gustavo Henrique Santos de Sousa tem o desafio de alinhar os interesses dos acionistas, acelerar a transformação digital, aumentar a oferta de serviços, recuperar as margens e recuperar a confiança do mercado e dos analistas — mesmo com as ações perto das mínimas, poucos se arriscam a recomendar a compra dos papéis da Cielo.
Veja abaixo um resumo das recomendações e preços-alvos das principais casas de análise:
A nova gestão tem muito trabalho pela frente — e tudo isso enfrentando competidores que estão capitalizados e que crescem a olhos vistos.
A agência rebaixou nota de crédito da companhia para B2 e acendeu o alerta sobre a dívida bilionária
Banco mantém visão positiva no longo prazo, mas diz que expectativas altas e trimestre fraco podem mexer com a ação
A companhia tem uma dívida considerada impagável, de R$ 2,7 bilhões, praticamente o dobro do seu valor de mercado
À primeira vista, o mercado teve uma leitura positiva da proposta de migração da empresa para o nível mais elevado de governança corporativa da B3; saiba o que muda
Operação reúne as empresas Exiro Minerals, Orion Resource Partners e Canada Growth Fund, e prevê investimento de US$ 200 milhões
Citi cortou preço-alvo, mas manteve a recomendação de compra graças a uma arma que pode potencializar o negócio da companhia de software
Para o BTG, a situação financeira para as empresas do setor será mais apertada em 2026; veja quais são as empresas mais eficientes e que podem gerar mais retornos
A parceria dá à Unipar Indupa o direito de adquirir, após cumprir algumas condições, uma participação de 9,8% do capital total da Ventos de São Norberto Energias Renováveis
Empresa convoca acionistas para votar migração ao segmento mais alto de governança da B3; veja o que muda para os investidores
A venda da operação na Rússia era a última peça que faltava para a conclusão da estratégia de simplificação corporativa da Natura e retorno ao foco na América Latina
O tombo da mineradora foi o grande responsável por colocar o Ibovespa no terreno negativo nesta quarta-feira (18); sem o impacto de VALE3, o principal índice da bolsa brasileira teria subido 0,21%
Analistas da XP apontam quais são as perspectivas para as construtoras de alta renda em 2026 e os desafios que o investidor pode esperar
Com cortes de até 51% nas taxas logísticas e redução na mensalidade dos vendedores, a gigante norte-americana eleva a pressão sobre o Mercado Livre no México e reacende o temor de uma escalada na guerra do e-commerce na América Latina
Banco aponta spreads baixos, queima de caixa acelerando e avalia que Petrobras dificilmente fará aporte para evitar impacto na política de dividendos
Veja as tendências para as ações de empresas do ramo de alimentos e bebidas com o avanço do uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, e da busca pelo bem-estar
Segundo site, a Shell teria apresentado uma proposta diferente da alternativa discutida pela Cosan e por fundos do BTG para a Raízen; veja o que está na mesa
Aportes fazem parte do plano de recuperação aprovado nos EUA e incluem oferta de ações com direito de preferência aos acionistas
Dados da empresa de tecnologia mostram que a adesão da tecnologia no Norte Global é quase o dobro em comparação às nações emergentes
Instituição, que já se chamou Indusval, Voiter e Pleno, mudou de dono e de estratégia antes de terminar sob liquidação do Banco Central; entenda
Imóvel histórico no centro de Milão será transformado no 18º hotel da rede Fasano; operação de 52,5 milhões de euros reforça estratégia de expansão internacional e foco em receitas recorrentes da companhia