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Viver (VIVR3) deixa recuperação judicial e ações disparam; veja como identificar empresas que também podem se recuperar

Pontos são de especialista em gestão estratégica e processos de reestruturação corporativa; Viver (VIVR3) subiu mais de 150% no último ano e ganha impulso com saída da RJ

Recuperação Judicial: mulher jovem olhando por uma lupa, em um fundo rosa
Imagem: Shuterstock

Após deixar a recuperação judicial, as ações da construtora Viver (VIVR3) chegaram a subir 11% na máxima do dia nesta terça-feira (3), a R$ 4,44. No dia anterior os papéis já haviam disparado 15% e, nos últimos 12 meses, a valorização é de mais de 150%.

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O investidor que não detém a ação da companhia provavelmente deve estar se perguntando como identificar oportunidades semelhantes antes que elas aconteçam.

Quando a Viver (VIVR3) ainda estava em recuperação judicial, o Seu Dinheiro conversou com Salvatore Milanese, sócio-fundador da Pantalica Partners, especializada em gestão estratégica e processos de reestruturação corporativa.

Milanese elencou alguns pontos fundamentais para identificar uma companhia em recuperação judicial que poderá ser bem-sucedida. São eles:

  • Credibilidade do plano: é preciso que o planejamento seja realista e bem feito, traçando um roteiro plausível para a reestruturação da dívida e das operações;
  • Viabilização de recursos: a venda de ativos e a obtenção de novas fontes de capital é essencial para que a situação financeira da empresa melhore — o plano, assim, deve fazer menção a essas questões;
  • Transparência: uma empresa em recuperação judicial deve prestar contas à CVM de maneira periódica. Ainda assim, a comunicação aberta com os credores e potenciais investidores, independente do regulador, é vista como um bom sinal;
  • Administração especializada em situações de crise: é preciso que a diretoria saiba conduzir a empresa nesse momento excepcional — em geral, a manutenção de executivos no alto escalão é vista com ressalvas.

Recuperação judicial e o potencial das ações atrativo

Quanto ao comportamento das ações, o potencial de valorização num cenário em que a companhia consegue sair da recuperação judicial é bastante atrativo.

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Mas é necessário compreender que, por mais que a notícia seja excelente, os papéis dificilmente voltarão ao patamar de preço anterior ao processo.

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Ao atravessar uma recuperação, a empresa como um todo passa por uma mudança profunda.

A Oi, por exemplo, era uma gigante do setor de telecomunicações, com operações em telefonia móvel, fibra ótica, torres e diversas outras atividades. No entanto, boa parte desses ativos foi vendida.

O patamar de R$ 20,00 por ação visto em 2014 era adequado para a Oi de 2014 — uma empresa que não existe mais.

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A nova Oi será focada nos serviços de infraestrutura e fibra ótica, e o desafio é entender qual o valor dessa companhia reestruturada. Somente assim se saberá qual o preço justo dos papéis.

Essa é uma tarefa complexa e que costuma ser quase inviável para o investidor pessoa física.

Caso você se sinta inseguro com a ideia de comprar ações de empresas em recuperação judicial, busque a ajuda de especialistas. O risco é grande — e nada melhor que contar com pessoas experientes nessa hora.

Beira Mar Condomínio Clube, em Paulista (PE), construído pela Viver (VIVR3), que saiu de recuperação judicial
Beira Mar Condomínio Clube, em Paulista (PE), construído pela Viver (VIVR3)

E o que aconteceu com a Viver (VIVR3)?

O período de recuperação judicial representou a fase de reestruturação financeira da Viver. A construtora converteu dívidas habilitadas no âmbito do processo em capital e, consequente, pagou seus credores.

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"Por meio dessas capitalizações, a companhia sucedeu na quitação de 98% da dívida habilitada perante o processo de recuperação judicial", disse a empresa em comunicado.

A recuperação judicial cumpriu com o objetivo de preservar a continuidade das atividades do Grupo Viver e sua função social, preservar os interesses e direitos de seus clientes, fornecedores, credores, colaboradores e acionistas, além de proteger a situação financeira da empresa.

"Os valores remanescentes, assim como todos os créditos ilíquidos, cujo fato gerador seja anterior ao pedido da recuperação judicial, continuam sujeitos aos efeitos do plano, ainda que tais débitos venham a ser liquidados após o encerramento do processo", disse a empresa.

"A companhia entende que este é o momento de crescer e se fortalecer visando uma estrutura cada vez mais sólida, retomando os lançamentos imobiliários cautelosamente".

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Viver (VIVR3), em comunicado

Viver (VIVR3): em recuperação desde 2016

Em setembro de 2016, quando começou a recuperação judicial da Viver, havia um passivo de quase R$ 1 bilhão a ser reestruturado. De lá para cá, foram feitas cinco etapas de capitalização da companhia, que segue operando em ritmo lento.

No primeiro trimestre, a empresa vendeu apenas 41 unidades, ou R$ 13,4 milhões.

A receita líquida somou R$ 23,9 milhões, o Ebitda foi de R$ 9,2 milhões e o lucro líquido de meros R$ 100 mil — números que, embora modestos, representam uma evolução na comparação com o primeiro trimestre de 2020.

Com o fim do processo de recuperação judicial, abrem-se novos horizontes para a empresa. O acesso a linhas de crédito com condições mais atraentes será facilitado, o que deve impulsionar a compra de novos terrenos e o desenvolvimento de empreendimentos nas áreas que já estão em posse da companhia.

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Atualmente a Viver tem um banco de terrenos de R$ 153,7 milhões — mais da metade está na região Sudeste. Uma área pouco expressiva em termos de valor, mas que está em regiões aquecidas.

VÍDEO: Quais ações de empresas em recuperação judicial podem valer o risco?

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