Semana mais curta traz expectativa com auxílio emergencial e preço dos combustíveis
O Ibovespa se reapresenta hoje após às 13h. Enquanto isso, desempenho de ações brasileiras no exterior deve trazer otimismo

Como uma típica quarta-feira de cinzas, quem descansou quer dormir mais, quem trabalhou está só o pó. Mas isso não é motivo para desânimo, porque os ventos dos mercados do exterior devem trazer boas notícias para nós, desolados de um carnaval sem avenida.
O Ibovespa se reapresenta hoje após às 13h, com a divulgação do Boletim Focus às 12h. Enquanto isso, empresas brasileiras no exterior devem trazer otimismo por aqui. Isso se ele sobreviver ao noticiário interno.
Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) devem repercutir positivamente a alta no preço do minério de ferro e do barril de petróleo, mas a cautela com as discussões de novas parcelas do auxílio emergencial e o atraso na vacinação devem pesar negativamente.
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Desempenho no exterior
O principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, o EWZ, que replica o índice MSCI Brazil, fechou em alta de 0,56% em Nova York, apontando para uma abertura positiva da bolsa brasileira.
A alta se deve, principalmente, às ações da Vale e da Petrobras, que tiveram desempenho positivo com o ambiente externo e o preço das commodities. A mineradora brasileira surfou nas boas notícias sobre o pagamento de dividendos recorde da BHP, a maior do setor em valor de mercado. Além disso, o preço do minério de ferro também teve uma escalada no mercado.
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Já a Petrobras se beneficiou da nevasca que está atingindo o Texas nos últimos dias. A tempestade obrigou algumas refinarias e gerou apagões no estado, pressionando os preços do barril de petróleo WTI acima dos US$ 60.
Ainda assim, o investidor deve manter a cautela na abertura da bolsa hoje. As influências positivas amparadas no noticiário externo podem não sobreviver à sequência dos fatos no cenário interno.
Terras exteriores
Nos países onde as bolsas não pararam, a maioria dos índices opera em queda devido ao “otimismo exacerbado” com a recuperação econômica, principalmente dos EUA. As bolsas da Ásia fecharam sem direção definida, em um movimento de realização de lucros.
Nova York irá voltar seus olhos para o pacote de estímulos de Joe Biden, que deve ganhar contornos mais bem definidos esta semana. O auxílio para a retomada da economia deve ser da ordem de US$ 1,9 trilhão e, de acordo com os democratas, deve ser votado ainda neste final de semana.
Terras brasileiras
Sem maiores novidades sobre o auxílio emergencial, o noticiário local deve focar em outro tema custoso ao governo federal. Durante os dias de carnaval, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou um decreto que facilita a posse de até seis armas de fogo por cidadão habilitado.
Ao mesmo tempo, estados e municípios sofrem com a falta de imunizantes para a covid-19, o que chegou a gerar um movimento de prefeitos para pedir a saída do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. O movimento para agradar sua base de eleitores pode custar a ajuda do Centrão na aprovação das reformas, o que será observado de perto pelos investidores.
Onde está o Guedes?
Antes do fechamento da bolsa brasileira por causa do carnaval, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que iria trabalhar com a equipe econômica para a elaboração de duas propostas de emenda à constituição. As PECs de Guerra e do Pacto Federativo pretendem garantir a meta fiscal enquanto acontece o pagamento do auxílio emergencial.
Entretanto, não se tem maiores notícias do ministro ou de sua equipe econômica quanto ao andamento da elaboração de ambas. Na teoria, enquanto o auxílio emergencial de R$ 200 custaria R$ 20 bilhões aos cofres públicos, as parcelas de R$ 250 que o governo quer aprovar podem apertar o orçamento em R$ 30 bilhões.
As parcelas devem voltar entre março e abril, mas a equipe econômica precisa decidir uma forma de financiar o benefício.
Gasolina na fogueira
Em seu passeio de jet ski na folga do feriado, Bolsonaro voltou a falar sobre o preço dos combustíveis. “Vai ter novidade boa esta semana, com toda certeza”, disse.
Nas últimas semanas, o presidente fez os mercados balançarem com propostas de redução do ICMS, o que desagradou governadores, isenção do PIS/Cofins, que gerou mal estar na equipe econômica, e uma sugestão de interferência na política de preços da Petrobras, que foi mal vista pelos investidores.
Os esforços tentam agradar os caminhoneiros, que ameaçaram greve nas últimas semanas, devido à alta de preços do diesel. A “queda de braço” segue entre ele e Guedes para zerar o imposto federal, que, por lei, precisa de uma contrapartida para compensar a arrecadação.
Empresas
A Fitch reafirmou que o futuro da Petrobras não é positivo. A agência de classificação de riscos manteve olhar pessimista para a estatal brasileira, avaliando que o perfil de crédito é de “risco intrínseco”.
Hoje o Carrefour deve divulgar seu balanço após o fechamento, enquanto IRB e JHSF mostram seus dados na quinta-feira (18).
Agenda: eventos e indicadores
Na agenda de hoje, estão programadas as divulgações dos dados da produção industrial norte-americana (11h15), vendas no varejo (10h30) e de inflação dos EUA (10h30). À tarde (16h), o Federal Reserve (Banco Central norte-americano) publica a ata da última reunião de política monetária.
No Brasil, o Banco Central deve divulgar o fluxo cambial semanal (14h30) e dados da balança comercial da semana (15h).
Para os próximos dias desta semana encurtada pelo carnaval, na quinta-feira (18) a Fipe deve divulgar o IPC da segunda quadrissemana de fevereiro (5h) e a FGV lançará os dados do índice geral de preços mensais (IGP-M) e dos índices de preços ao consumidor semanal e das capitais (IPC-S e IPC-S Capitais) no mesmo horário (8h).
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