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PARAÍSO DO MINISTRO

Nos EUA, Guedes faz defesa de offshore e alega que problema com inflação é global

Assim como o presidente do BC, o ministro da Economia declarou que a empresa aberta em um paraíso fiscal é legal

Guedes
"Eu saí do comando da empresa semanas antes de assumir o ministério", disse Guedes. Imagem: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Apesar do feriado brasileiro, a agenda do ministro da Economia está cheia de compromissos nesta terça-feira (12). De passagem pelos Estados Unidos para participar de eventos organizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e G20, do qual o Brasil faz parte, Paulo Guedes conversou com a CNN Internacional sobre os assuntos econômicos do momento.

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Apontado como proprietário de uma empresa em um paraíso fiscal, prática conhecida como offshore, na investigação "Pandora Papers", o ministro declarou que "não fez nada de errado". Assim como o presidente do Banco Central, ele alegou que sua offshore é "legal, reportada ao Comitê de Ética da Presidência, declarada na Receita Federal e registrada no BC".

"Eu saí do comando da empresa semanas antes de assumir o ministério. E além disso, na semana passada, a Suprema Corte brasileira arquivou o caso", afirmou ao programa “First Move”.

Inflação generalizada

Guedes também aproveitou seu momento na rede televisiva norte-americana para dizer que a alta dos preços é algo generalizado em todo o mundo e que, no Brasil, a elevação dos valores de alimentos e energia responde por metade das taxas do País.

Vale lembrar que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superou a marca de 10% no acumulado de 12 meses pela primeira vez desde fevereiro de 2016, com avanço de 1,16% em setembro.

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De acordo com o ministro, é por causa dessa resiliência dos preços em segmentos fundamentais para a população que o governo decidiu manter benefícios concedidos durante a pandemia de coronavírus. "Vamos aumentar a transferência direta de renda para população pobre para cobrir os preços dos alimentos e da energia".

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O FMI previu que a inflação deve seguir em alta no globo até o fim de 2021, mas deve arrefecer no ano que vem e retornar a níveis pré-pandemia. O Banco Central do Brasil também iniciou sua escalada de alta dos juros de forma antecipada em relação ao restante do mundo para tentar interromper a elevação dos preços.

A autoridade monetária acreditava que a inflação seria passageira, mas, ultimamente, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, admitiu que as elevações foram mais persistentes do que o imaginado inicialmente. O IPCA está muito acima da meta perseguida pelo BC, de 3,75% este ano, e também é superior ao intervalo de tolerância que a autoridade monetária pode usar para acomodar choques inesperados, de 5,25%.

Mesmo com essa margem, o BC não deve cumprir seu objetivo e Campos Neto terá que dar explicações sobre o fracasso ao ministro da Economia.

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Pacotes social e verde

Sobre a ajuda à população mais carente citada por Guedes, o governo pretende elevar o benefício médio do Auxílio Brasil a cerca de R$ 300,00 por mês. Há a expectativa de que o programa social, que é o substituto do Bolsa Família, atualmente de R$ 190,00, deve ser lançado no próximo mês.

Na entrevista, o ministro também falou sobre o pacote de crescimento verde, que deve ser lançado durante a COP-26, em Glasgow (Escócia), no mês que vem. Ele mantém a projeção ambiciosa de ferramentas no valor de US$ 2,5 bilhões e lembrou, mais uma vez, que já há cerca de US$ 100 bilhões contratados em infraestrutura.

Custos da pandemia

Ao ser confrontado sobre as cerca de 600 mil mortes causadas pela pandemia no País, Guedes afirmou que o País gastou "mais que o dobro do que a média dos países emergentes e 10% mais do que os países ricos" para salvar vidas. "Não aceito sua narrativa. Nós gastamos mais dinheiro salvando vidas do que vocês", disse Guedes à jornalista da CNN.

Ainda sobre o tema, ele atribuiu a queda de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado ao distanciamento social, e disse que a medida também teve consequências negativas para o desemprego do País. "Nossa escolha foi manter vidas em primeiro lugar. Por isso, gastamos 110% do PIB em transferência de renda para pessoas pobres, para que elas praticassem o distanciamento social".

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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