Investir em ações de banco ainda é uma boa? Veja 3 motivos que deixam a XP Investimentos cautelosa
Se no ano passado a postura era otimista, agora os analistas do setor financeiro da XP estão mais cautelosos, já que o cenário é de preços elevados dos ativos e uma concorrência e intervenções regulatórias preocupantes.

A temporada de balanços brasileira está prestes a começar. Como já é tradição, os grandes bancos privados devem estar entre os primeiros a divulgarem os seus números do segundo trimestre de 2021
A largada será dada pelo Santander Brasil, na próxima quarta-feira (28), antes da abertura do mercado, mas a XP Investimentos aproveitou o momento para rever as suas expectativas para todo o setor bancário.
Se no ano passado a postura era otimista, agora os analistas do setor financeiro da XP — Marcel Campos, Matheus Odaguil, Vitor Pini e Artur Alves — estão mais cautelosos, já que o cenário é de preços elevados dos ativos e uma concorrência e intervenções regulatórias preocupantes.
Por estarem muito próximos dos seus múltiplos históricos e a chegada do open banking trazendo uma concorrência ainda mais agressiva no segmento de atacado, o sentimento é de preocupação, o que mexe com o potencial de alta das companhias.
Em relatório, a XP Investimentos rebaixou os papéis do Santander de neutro para venda e os do Bradesco de compra para neutro. Já as recomendações para as ações do Banco do Brasil (compra) e Itaú (neutra) se mantiveram.
Para os analistas as recomendações se mantiveram neste patamar pois o BB ainda tem um preço atraente e conta com rendimento de dividendos, enquanto o Itaú pode destravar valor com a criação da Newco, empresa que agregará a participação do bancão no capital da XP. Já o rebaixamento de Bradesco e Santander se deve aos riscos e os múltiplos elevados em que os papéis são transacionados.
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- Bradesco : Preço-alvo de R$ 26,00 (9% de potencial de alta)
- Santander: Preço-alvo de R$ 36,00 (10% de potencial de queda)
- Banco do Brasil: Preço-alvo de R$ 52,00 (64% de potencial de alta)
- Itaú Unibanco: Preço-alvo de R$ 28,00 (4% de potencial de queda)
Confira 3 motivos para a visão mais cautelosa dos analistas:

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1) Open banking é um risco
O Open Finance do Banco Central é uma medida que consolidará os dados dos clientes no setor financeiro, aumentando a oferta de crédito, seguros e investimentos. Má notícia para os bancões.
Na visão dos analistas, a medida irá diminuir as barreiras de entradas de novos competidores, que já entram no jogo podendo jogar de igual para igual, ou seja, trabalhar com a mesma base de dados consolidados. A mudança tem potencial de aumentar a competição no setor e diminuir o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) das empresas. “Mesmo que seja difícil prever os vencedores, acreditamos que os incumbentes (operadores históricos) podem ser os perdedores devido à sua alta participação de mercado, estrutura e experiência do cliente abaixo da média”.
O open banking deve ser implementado em quatro fases no Brasil, mas ainda há incertezas quando se olha para o exterior. O BC da Inglaterra não conseguiu implementar a medida com sucesso, levando a uma baixa adesão de apenas 10% dos usuários, mas os analistas da XP estão confiantes no modelo proposto pelo BC brasileiro.
O Brasil sai na frente com dados padronizados em API, grande número de participantes já os estágios iniciais e o papel ativo dos reguladores. "Temos o excelente histórico regulatório do Banco Central do Brasil, combinado com bancos digitais como Nubank e Inter, que têm milhões de clientes, mas praticamente nenhuma participação no mercado de crédito".
2) Concorrência elevada e qualificada
Com todas as companhias tendo acesso a uma grande quantidade de dados e a queda nas barreiras de entrada, a perspectiva é de que cada vez mais produtos diferenciados sejam criados. Para os analistas, o que deve impulsionar a concorrência é justamente a qualidade dos produtos e a experiência dos clientes, o que não costuma ser um ponto positivo nos bancos tradicionais e sim de fintechs como o Nubank, por exemplo.
Outro ponto delicado é a imersão dos bancões tradicionais no sistema antigo e a sua já grande participação de mercado.
3) Indo muito além do crédito
Ao contrário do que ocorreu no exterior, a regulação local será mais agressiva, abrangendo diversos produtos e pressionando as margens de seguros, investimentos e operações de câmbio.
Com isso, os novos entrantes podem acabar chegando já oferecendo serviços melhores de crédito, levando a uma queda no spread bancário de aproximadamente 1,2 ponto percentual.
Seguros e investimentos também devem contar com uma maior oferta de produtos e concorrência. Essas mudanças podem impulsionar o processo de digitalização das instituições e as transformações em grandes plataformas. “Se for esse o caso, teríamos um mercado mais competitivo, com participantes dispostos a destruir valor por maior valor de mercado”.
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