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Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @Renan_SanSousa
Esquenta dos Mercados

Auxílio sem compromisso fiscal e interferência na Petrobras devem desanimar Bolsa hoje

Pegue seu guarda-chuvas (ou sua regata) e confira os principais destaques do dia: inflação, ajuda fiscal nos EUA e auxílio emergencial

Renan Sousa
Renan Sousa
9 de fevereiro de 2021
8:22 - atualizado às 9:41
Homem olhando para o céu.
Imagem: Shutterstock

Uma nuvem voltou a pairar sobre os céus da bolsa. O sol de Wall Street e sua renovação de máximas não foi capaz de dissipar um velho inimigo dos lucros dos investidores: a interferência do governo em grandes empresas. 

A Petrobras segue sendo alvo de apontamentos do governo, tanto na política de preços quanto na cobrança de impostos. Além das novas discussões do auxílio emergencial fora de exigências que cumpram a regra fiscal, o exterior faz um movimento de realização de lucros. Ou seja, o sol já se pôs nesta terça-feira (9).

O IBGE tambvém divulgou hoje o O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação do país, registrou uma alta de 0,25% em janeiro. Esse resultado vem dentro das expectativas do mercado na comparação mês a mês. Mesmo assim, o indicador acumula alta de 4,56%, acima dos 4,52% observados nos 12 meses.

Pegue seu guarda-chuvas (ou sua regata) e confira os principais destaques do dia. 

Não mexe no meu queijo

A segunda-feira (8) foi marcada principalmente por cautela. O Ibovespa começou o dia em alta, motivado pelo exterior favorável com o avanço do pacote de incentivos do presidente norte-americano Joe Biden, mas isso não foi suficiente para conter o noticiário local. 

O mercado sentiu que a Petrobras não estava sendo tão transparente com sua política de preços, o que fez os papéis da empresa recuarem até 4% no pregão de ontem. Além disso, as últimas falas do presidente da república Jair Bolsonaro (sem partido) indicaram que o governo federal não está se entendendo com a estatal.

Mesmo após a reunião com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em que foi afirmado que o governo não interferiu nem nunca interferiria na política de preços da estatal, conseguiu afastar os temores do mercado. A recente disputa com os estados pelas mudanças na cobrança do ICMS e a tentativa de agradar os caminhoneiros com a redução do preço do diesel afetaram o Ibovespa nos últimos dias. 

Para completar o show de preocupações dos investidores, o novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na tarde de ontem que não quer atrelar novas parcelas do auxílio emergencial às PECs que já estão no Congresso. Na prática, isso quer dizer que não existiria uma garantia de equilíbrio fiscal para o pagamento do benefício. 

Mesmo com a posição vindo na contramão do que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do ministro da Economia, Paulo Guedes, vêm dizendo, a declaração fez o mercado torcer o nariz. 

Com isso, o Ibovespa fechou o dia em queda de 0,45%, aos 119.696,36 pontos. O dólar comercial também teve um recuo de 0,20%, cotado a R$ 5,37.

Lá fora

O mundo segue acompanhando a vacinação dos países contra o coronavírus, mas o que realmente injeta ânimo nos mercados é o pacote de estímulos de Joe Biden. A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, voltou a dizer que um pacote fiscal robusto é necessário, o que abre ainda mais o caminho para a aprovação dos US$ 1,9 trilhão que Biden pretendia. 

Na última sexta-feira (5), Biden anunciou que decidiu manter a proposta de um novo salário mínimo de US$ 1.400, como forma de atenuar os impactos econômicos da crise da covid-19. A posição revoltou o Partido Republicano, que negociava enxugar os benefícios, alegando a iminência de pressões na inflação e na dívida pública. 

Assim, os índices de Nova York operam em leve queda, em um movimento de realização de ganhos, após renovarem máximas históricas na semana passada.

As bolsas europeias seguem oscilando, em um movimento de realização de lucros após uma semana seguindo a onda de dias positivos, puxada pelos índices de Nova York.

As bolsas asiáticas fecharam em alta, em especial os índices chineses, que vinham sofrendo quedas nos últimos dias, agora voltaram a subir, também muito influenciados pelo otimismo de Wall Street.

Empresas

Na temporada de balanços, o BTG Pactual registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no quarto trimestre do ano passado, acima do mesmo intervalo do ano anterior. Em comparação ao terceiro trimestre, o crescimento foi de 22,65%. 

Após o fechamento da bolsa, a TIM também deve divulgar seus dados e outra empresa de peso, o Twitter, deve fazer o mesmo nos Estados Unidos. 

Agenda do dia: fique de olho

Hoje deve foi divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro (9h), pelo IBGE. A expectativa era que o índice estivesse entre 0,24% a 0,54% na comparação de mês a mês e na faixa dos 4,86% no acumulado de 12 meses.

Também foram divulgados os dados de produção industrial do país. Dos quinze locais pesquisados, onze tiveram aumento da atividade na passagem de novembro para dezembro.

Nos EUA, o Departamento de Trabalho mostrará os dados de emprego, ou Job Openings and Labor Turnover Survey (em tradução literal, "pesquisa de ofertas de emprego e desligamento de funcionários") e o Instituto Americano de Petróleo informa seu relatório semanal de estoques.

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