A inflação nos EUA está no nível mais alto em quase 40 anos. Entenda por que isso é um problema para o seu bolso
O mundo não é mais o mesmo daquele de quatro décadas atrás, mas muitas situações encontram paralelo nos dois momentos, como inflação e juros em alta

O planeta Terra respirava futebol em julho de 1982. O timaço de Zico, Sócrates, Júnior e Falcão desfilava pelos gramados espanhóis — até ser parado pelo oportunismo de Paolo Rossi.
Era o fim da trajetória de um dos maiores times de futebol da história. Uma tragédia esportiva que marcaria toda uma geração.
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico Norte, em um país alheio ao futebol, Paul Volcker - o então presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos - debatia-se com a aceleração da inflação no país.
Quase 40 anos depois, voltamos quase ao mesmo lugar: os norte-americanos se veem às voltas com uma inflação galopante.
O CPI, como é conhecido o índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos, subiu 6,8% em novembro, segundo dados divulgados hoje, atingindo o maior nível desde julho de 1982. Na variação mensal, o indicador subiu 0,8%, ficando ligeiramente acima da projeção de 0,7%.
Se há paralelos no campo da inflação, a situação é diferente no lado esportivo: os Estados Unidos aprenderam a gostar um pouco mais do soccer — e, inclusive, estão bem cotados para participar da Copa do Mundo de 2022.
Leia Também
Eduardo Bolsonaro tem prisão decretada e passaportes cancelados por Moraes após condenação no STF
Como era o mundo em 1982
O futebol era apenas uma distração, um ópio para aliviar a dor de tempos difíceis. A Guerra Fria era outra: a grande rivalidade geopolítica mundial era protagonizada por Estados Unidos e União Soviética.
Guerra nas Estrelas, Glasnost, Perestroika, Muro de Berlim, Cortina de Ferro, bomba atômica, champanhe e caviar certamente competiriam com futebol, seleção brasileira e guerra fria em um hipotético top trend global do Google, se algo assim existisse na época.
A China? Era um gigante com os pés no barro. Sob a batuta de Deng Xiaoping, o país asiático dava os primeiros passos na trajetória ascendente que a transformaria de uma nação rural a potência científica e tecnológica menos de 40 anos depois.
Se alguém ousasse afirmar em 1982 que a China de 2021 seria uma potência industrial e o Brasil estaria se debatendo com os efeitos de uma desindustrialização acelerada, seria ridicularizado sem cerimônia.
A América Latina vivia entre a cruz e a espada; a América Central era um subcontinente em guerra; a Argentina desafiava a Inglaterra pelo controle das Ilhas Malvinas. Os regimes ditatoriais predominantes nos anos 1970 caíam um depois do outro. A crise da dívida era a anticereja do bolo de uma década que mais tarde seria considerada perdida.
Como será o mundo em 2022?
Essa é a pergunta de US$ 1 milhão que deve ser feita ao presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, na próxima quarta-feira (15).
Depois que o conceito de que a inflação mais alta nos EUA é transitória foi por água abaixo, os olhos dos investidores em todo mundo estarão voltados para uma questão em específico: o possível anúncio da aceleração do famoso tapering - como é conhecido o processo de retirada de estímulos fornecidos pelo Fed.
“Agora que a transitoriedade está morta e enterrada, o Federal Reserve deve, finalmente, adotar uma postura mais assertiva na direção do aperto monetário na reunião da semana que vem”, diz o economista-chefe internacional do ING, James Knightley.
Isso quer dizer que o banco central norte-americano irá acelerar o processo de retirada do dinheiro injetado para apoiar a economia dos EUA no auge da crise da covid-19 para passar para a segunda etapa: o aumento da taxa de juros, hoje perto de zero, em uma tentativa de conter a inflação.
“Esperamos que haja três elevações da taxa de juros nos Estados Unidos em 2022. A primeira em junho, a segunda em setembro e a última em dezembro do próximo ano”, afirma o analista chefe do Danske Bank, Mikael Olai.
Um elefante numa loja de cristais
Um movimento dessa magnitude - retirada de estímulos e aumento dos juros - ao ser realizado pelo principal banco central do mundo pode ser comparado a um elefante em uma loja de cristais: precisa ser realizado com cautela para evitar uma catástrofe.
Mas o que você tem a ver com isso? Tudo. Quando o Fed reduz os estímulos, ele está, na prática, retirando dinheiro de circulação disponível para investimentos no mundo todo, inclusive aqui.
Países emergentes como o Brasil, que oferecem mais risco, serão os primeiros a sentir o impacto, já que o investidor estrangeiro ficará mais seletivo e reduzirá suas aplicações por aqui.
Esse comportamento terá dois efeitos práticos: pode pressionar para baixo o preço das ações que o gringo se desfizer e puxar para cima a cotação do câmbio, por conta dos dólares que os estrangeiros retiram do Brasil.
Um outro ponto que não pode ser ignorado é como a alta de juros nos Estados Unidos afeta os mercados globais. E a linha de raciocínio é uma só: uma taxa básica mais elevada lá torna os Treasuries - os famosos títulos da dívida do governo norte-americano - muito mais atraentes.
Isso significa que o apelo de ativos de risco como o de países emergentes - e, novamente, o Brasil entra nessa roda - diminui. E, com os dólares em revoada, corremos o risco de conviver com mais inflação e juros mais altos do que já temos hoje.
ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores
7 de outubro de 2026 - 14:05FINANCIAMENTO SUSTENTÁVEL
ETF com selo do BID e que investe na Amazônia Legal? AMAB11 atrai R$ 66 milhões em apenas dois meses
7 de outubro de 2026 - 12:03RECEIO COM A IA
Ray Dalio volta a bater na inteligência artificial e defende que bolha está prestes a estourar. Quais são os sinais?
7 de outubro de 2026 - 11:47TEM PRA TODO MUNDO
Lotofácil 3798 tem 58 ganhadores, mas só um vai embolsar valor milionário; Mega-Sena 3067 acumula e prêmio atinge a marca de R$ 100 milhões
7 de outubro de 2026 - 7:16ESTÁ VALENDO
Primeiro dia sem bets e R$ 1,3 bilhão em saldo: o prazo para a restituição das apostas on-line começará a correr
6 de outubro de 2026 - 19:28SD EXPLICA
O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda os riscos para os títulos públicos do Tesouro Direto
6 de outubro de 2026 - 11:41PISOU NO FREIO
Quer vender seu carro? Mercado de usados já não paga como antes — e exige atenção aos elétricos
6 de outubro de 2026 - 8:00DE OLHO NOS BOLETOS
Inquilino não pagou o condomínio? Saiba quem responde pela dívida e o que pode acontecer com o morador inadimplente
6 de outubro de 2026 - 6:01CORRIDA CONTRA O RELÓGIO
Tem dinheiro esquecido nas bets? Faltam poucas horas para sacar antes do fechamento das plataformas
5 de outubro de 2026 - 14:21NO RETROVISOR
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 100 milhões e cola de vez na +Milionária
5 de outubro de 2026 - 7:48ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: como fazer sua ‘colinha’ para votar? Veja a ordem dos candidatos na urna
4 de outubro de 2026 - 11:39LOTERIAS
Lotofácil premia aposta solitária de São Paulo em R$ 1,83 milhão; veja o que aconteceu com a Mega-Sena e outras loterias
4 de outubro de 2026 - 10:21GÁS RENOVADO
Gás do Povo outubro 2026: veja critérios e como receber gás grátis do governo
4 de outubro de 2026 - 5:13O QUE BOMBOU
Chinelo-mule polêmico da Havaianas, o que falta para a Hapvida se recuperar e o fim da greve da Caixa: veja as mais lidas da semana
3 de outubro de 2026 - 17:24VEJA COMO VOTAR
Seu Dinheiro é finalista do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2026; veja como votar
3 de outubro de 2026 - 10:00PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: veja quem recebe a sétima parcela e as datas de depósito
3 de outubro de 2026 - 5:08MOMENTO PROMISSOR
Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados
2 de outubro de 2026 - 19:00INDECISÃO?
Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)? Entregas do terceiro trimestre dividem JP Morgan e Santander
2 de outubro de 2026 - 16:30DEPOIS DA QUEDA