Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados
Banco mantém recomendação de compra das administradoras de shoppings, diante da recuperação do setor após a pandemia

“Tudo passa”. O ditado pode dar esperança àqueles que enfrentam momentos adversos. Para o BB Investimentos, a expressão pode resumir a fase em que se encontra o setor de shoppings.
O banco manteve a recomendação de compra e elevou os respectivos preços-alvo da Allos (ALOS3) e da Multiplan (MULT3) após incorporar os resultados do primeiro semestre de 2026 das companhias.
O otimismo, segundo o relatório, reflete o momento de transição vivido pelo setor de shoppings. Em 2020, a pandemia de covid-19 provocou uma forte desaceleração das atividades, afetando sobretudo as receitas de aluguel das lojas físicas — principal linha de negócios das companhias.
As duas empresas, porém, passaram por uma rápida recuperação. E agora, no primeiro semestre deste ano, elas só não apresentaram crescimento operacional acima da média do mercado doméstico, como também registraram avanço das vendas superior à inflação.
E esse desempenho, para o BB, não é alcançado pelo setor nacional como um todo desde 2022.
Perspectivas para a Allos
No caso da Allos, o BB Investimentos elevou o preço-alvo de ALOS3 de R$ 32 para R$ 38 para o fim de 2027, representando um potencial de alta de aproximadamente 24,7%
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Na avaliação do banco, a administradora de shopping segue com uma situação financeira confortável, mesmo com a expectativa de aumento do endividamento.
Atualmente, a relação entre dívida líquida e Ebitda — que mostra quantos anos de geração operacional de caixa seriam necessários para quitar a dívida líquida. — está em 1,7 vez, e deve se aproximar de 2 vezes nos próximos períodos.
Com a alta esperada no endividamento, as despesas financeiras podem pressionar os resultados no curto prazo. Mesmo assim, o indicador continua bem abaixo do limite de 4 a 4,5 vezes previsto pela companhia, o que garante uma margem de segurança confortável.
Além disso, a geração de caixa dos shoppings e de negócios como publicidade e incorporação imobiliária deve ajudar a compensar esse impacto.
O novo fundo imobiliário
No relatório, um dos destaques foi a parceria entre a Allos e a Kinea Investimentos para a criação de um fundo imobiliário (FII), no qual a companhia pretende manter cerca de 24% das cotas.
O fundo poderá captar até R$ 2 bilhões para adquirir participações da Allos em sete shoppings. Embora reduza sua participação direta nesses ativos, a companhia pretende manter cerca de 24% das cotas do FII, mantendo exposição indireta aos resultados dos empreendimentos.
Os recursos recebidos poderão ser utilizados para financiar novos investimentos, diminuir dívidas ou remunerar os acionistas.
Diversificação: uma estratégia pro investidor
A Allos também busca diversificar suas receitas para além dos aluguéis, beneficiando o investidor ao reduzir a dependência desse segmento e abrir novas frentes de crescimento.
Segundo o BB, os destaques são os estacionamentos — cuja receita cresceu 4,5% na comparação anual —, os serviços, com avanço de 21%, e o negócio de publicidade.
O crescimento da receita de serviços foi impulsionado principalmente pela Helloo, subsidiária de publicidade em telas instaladas em shoppings, prédios e aeroportos (mídia out-of-home) da companhia.
Visão para a Multiplan
Já no caso da Multiplan, a casa elevou o preço-alvo de MULT3 de R$ 35 para R$ 41 para o fim de 2027, representando um potencial de alta de aproximadamente 24,36%.
Na avaliação do BB, a administradora mantém uma posição financeira confortável mesmo em meio a juros elevados, e segue reduzindo seu endividamento após ter desembolsado cerca de R$ 2 bilhões para a recompra de ações no fim de 2024.
A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 1,9 vez no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela forte geração de caixa da companhia e pelos recursos obtidos com a venda de participações minoritárias em alguns shoppings.
O BB também destaca a estratégia de reciclagem de ativos, por meio da venda de participações em empreendimentos para levantar recursos sem perder o controle dos ativos.
Além disso, o portfólio da Multiplan segue apresentando crescimento. As receitas de aluguel avançaram 5,2% nos últimos 12 meses, impulsionadas pelas expansões do MorumbiShopping e do BH Shopping. Já as receitas com estacionamentos registraram alta de 9,7% no período.
Quais são os riscos?
A tese de investimento do BB para as empresas, no entanto, também envolve alguns riscos.
Para a Allos, o BB destaca:
- Juros altos por um período mais longo;
- Desaceleração da economia;
- Alta do desemprego;
- Reajustes dos aluguéis abaixo da evolução dos preços do mercado.
Para a Multiplan, os principais riscos apontados pelo banco incluem:
- Dificuldades em manter um mix atrativo de lojas nos shoppings, com possíveis impactos na taxa de ocupação;
- Crescimento da ocupação e dos aluguéis por metro quadrado abaixo do esperado;
- Vendas menores do que as projetadas nos shoppings e nos empreendimentos residenciais.
*Sob supervisão de Carina Brito.
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