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ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores

Agência de classificação de risco diz que o resultado da eleição terá implicações para a confiança dos investidores, as contas públicas e o crédito de vários setores

Lula aparece do lado esquerdo em uma montagem. Do lado direito, Flávio Bolsonaro.
Lula (esquerda) e Flávio Bolsonaro (direita) - Imagem: Palácio do Planalto/Agência Senado. Montagem: Seu Dinheiro

Ainda não dá para saber de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai conseguir o feito inédito de um quarto mandato ou se o senador Flávio Bolsonaro (PL) é quem vai subir a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027. Mas uma coisa a Moody's tem certeza: o próximo presidente do Brasil assumirá o cargo com o peso que não vem só da faixa.

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Segundo a agência de classificação de risco, quem vencer o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, precisará lidar com uma política fiscal sob pressão crescente, em um ambiente de empréstimos caros e de endividamento elevado tanto do governo quanto das famílias.

Para a Moody's, a disputa tende a ser apertada, o que traz implicações relevantes para a confiança dos investidores, para o desempenho fiscal e macroeconômico e para o perfil de crédito de diversos setores. 

Fiscal fraco e dívida sem estabilização 

Na avaliação da agência, quem vencer a eleição herdará uma posição fiscal mais fraca do que a atual.  

O relatório destaca que não há uma trajetória clara de estabilização da dívida pública no horizonte previsível. Isso significa que, sem mudanças, a dívida do país não tem previsão de parar de crescer em relação ao tamanho da economia. 

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A agência lembra ainda que o Brasil tem um dos maiores níveis de endividamento soberano entre as principais economias da América Latina.  

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Em outras palavras, o país parte de uma situação mais delicada do que a de vários vizinhos de peso na região. 

Para a Moody's, um plano de consolidação fiscal de médio prazo ajudaria a restaurar a credibilidade do governo.  

O que muda em cada cenário 

O relatório compara o que a agência espera de cada um dos dois candidatos no segundo turno. 

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Em uma reeleição de Lula, a Moody's avalia que o governo tenderia a manter o arcabouço fiscal, a regra atual que organiza as contas públicas.  

A busca por resultados melhores em um quarto mandato do petista se daria por meio de crescimento econômico, medidas de receita e maior eficiência do gasto. 

Já sob Flávio Bolsonaro, a agência vê maior probabilidade de cortes significativos de despesas e de intensificação dos esforços para reduzir a dívida.  

A Moody's faz, porém, duas ressalvas importantes: os detalhes de implementação são indefinidos, e formar consenso no Congresso pode ser um complicador político.  

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Orçamento engessado 

Independentemente de quem ganhe, o próximo presidente terá pouco espaço para mexer nas contas, de acordo com a agência.  

Segundo o relatório, mais de 90% do orçamento federal é predeterminado por exigências legais, o que limita a margem para mudanças.  

Por isso, reformas relevantes, diz a agência, dependeriam de aprovação do Legislativo. 

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Os riscos para o setor privado 

A Moody's também olha para o setor privado, e aponta que a fragilidade financeira de empresas brasileiras amplia os riscos de crédito em um cenário de financiamento mais caro. 

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Há, no entanto, um grupo em posição mais confortável. Os mercados devem seguir acessíveis, em geral, para companhias com grau de investimento — as consideradas mais seguras pelas agências de risco —, exportadoras e empresas de infraestrutura regulada. 

No outro extremo, as mais afetadas tendem a ser as empresas com grande parcela de dívida a taxas flutuantes, aquelas que acompanham os juros do mercado e ficam mais caras quando eles sobem, e com fluxo de caixa livre negativo, ou seja, que gastam mais do que geram de caixa. 

Para o setor bancário, o cenário também é de atenção. Segundo a Moody's, juros altos, custo do crédito maior e atividade mais fraca devem pressionar a qualidade dos ativos e a rentabilidade dos bancos. 

O papel do Estado 

Outro ponto de atenção do relatório são as políticas do próximo governo sobre governança, instituições e o papel do Estado na economia.  

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Segundo a agência, essas escolhas devem orientar as perspectivas de crédito, crescimento e investimentos no país. 

A Moody's avisa que a intervenção estatal pode representar risco para setores regulados e para estatais. 

Bancos públicos e a possível mudança de governo 

A agência também comenta o papel das instituições financeiras públicas.  

Com a expansão de programas públicos de crédito, a avaliação é que os bancos públicos devem sustentar o crescimento das concessões, mesmo com piora das condições operacionais. 

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Uma eventual mudança de governo, por outro lado, poderia reduzir a disposição dessas instituições para emprestar. 

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