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5 perguntas sobre a intervenção na Petrobras e os preços dos combustíveis

Por que o presidente não pode defender o interesse da população e outras perguntas sobre a interferência na Petrobras

Bolsonaro Mercados Baixa Petrobras
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois de diversas ameaças, aconteceu o que o mercado mais temia. A volta da interferência do governo federal na Petrobras (PETR4) trouxe lembranças recentes e amargas e provocou um choque nos mercados.

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As ações da estatal amargaram um tombo de 20% na segunda-feira (22) e diversos analistas passaram a recomendar a venda das ações da empresa, ainda que tenham recuperado parte das perdas na sessão de terça-feira (23).

A troca do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna fez o investidor cair no fato. As ações recuaram, especulações surgiram e Paulo Guedes teve de engolir em seco, totalmente contra a sua política liberal de não interferência nas estatais.

Mas algumas dúvidas surgiram na mente de muita gente: se o presidente só está tentando manter os preços acessíveis, por que isso seria ruim? Se a empresa é estatal, ela não deveria defender os interesses do Estado? E uma série de outras questões.

Por isso, nós listamos aqui cinco perguntas sobre a interferência na Petrobras, com as respectivas respostas dos especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro.

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1 - Por que a Petrobras precisa seguir a cotação internacional do petróleo?

Se a Petrobras é uma empresa que extrai e refina o petróleo, ela poderia colocar o preço que bem entende nos combustíveis que saem de suas refinarias, certo? Errado.

Por maior que seja nossa estatal, ela não é dona do mercado, como comenta o diretor financeiro da plataforma Comdinheiro, Filipe Ferreira. “Não é uma relação direta. A Petrobras extrai um tipo de petróleo e vende outro tipo, ou seja, nem sempre o petróleo que ela extrai é o mesmo que faz a gasolina”, diz. 

A Petrobras não é obrigada a seguir os preços do barril de petróleo. Entretanto, perde dinheiro se o preço dos combustíveis que saem das refinarias não considerar o custo da principal matéria-prima. O que nos leva à pergunta seguinte:

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2 - Se a Petrobras junta produção e refino do petróleo, por que a empresa não pode controlar os preços, vendendo combustível mais barato no mercado interno?

Parece uma conclusão simples, mas quando uma refinaria da Petrobras compra petróleo dela mesma mais barato, o negócio de extração sai prejudicado, o que no fim do dia dá na mesma. “É um prejuízo para a mesma empresa. Não passa de um jogo de palavras”, afirma Ferreira.

De um jeito ou de outro, portanto, a empresa perde ao não considerar o preço internacional do petróleo na política de preços dos combustíveis.

Para Carlos Heitor Campani, professor de finanças do Coppead/UFRJ, uma alternativa para a Petrobras seria fazer um hedge de preços internacionais para reduzir as oscilações do preço do barril e do dólar.

O hedge é um mecanismo utilizado para conter as oscilações dos preços das commodities no mercado internacional, dando maior previsibilidade na produção e venda. Por meio de contratos futuros, os produtores estabelecem um preço fixo para os compradores, que só sentem as oscilações de preço ao final de um certo período.

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“É um controle de preços? Sim, mas de uma maneira mais segura para o mercado e para a saúde financeira da empresa", diz.

O controle de preços artificial, praticado quando há um subsídio do preço final da gasolina ou do diesel, traz outros desdobramentos, sobre os quais falaremos agora.

3 - Por que interferir nos preços é uma atitude mal vista pelos investidores?

A interferência gera incertezas, e as incertezas são precificadas pelo mercado. “Quanto maior o risco, mais o investidor quer de retorno”, diz Compani.

Se o Estado interfere na estatal de maneira a melhorar sua saúde financeira e garantir uma maior sustentabilidade dos negócios, evidentemente que o mercado verá isso de maneira positiva.

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Mas o que acaba acontecendo na maioria das vezes é uma interferência que visa agradar os consumidores (e eleitores), nem que seja ao preço de uma piora na situação financeira da estatal.

4 - Por que a Petrobras não deve ser usada para o brasileiro ter um combustível mais barato?

Para responder esta pergunta, o professor e coordenador do curso de administração do Ibmec SP, Cristiano Corrêa, lança outra, no mínimo, curiosa. 

“Para que o governo quer uma estatal? Se ela servir como forma de ativo, precisa dar lucro. Se for para beneficiar a população, ela pode dar prejuízo, sim”, diz. Ele usa como exemplo a estatal venezuelana PDVSA, que consegue vender a gasolina na bomba a menos de US$ 1,00 o litro. 

Para esse caso, o objetivo da empresa é cumprido, que é levar combustível barato para a população. Mas no caso de uma estatal como a Petrobras, que tem capital aberto e com ações na bolsa, espera-se que a empresa tenha uma administração que trabalhe para todos os acionistas, incluindo a União e os minoritários.

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Uma Petrobras menos lucrativa também é ruim para o país no longo prazo, já que a companhia contará com menos recursos para financiar seus investimentos, incluindo a exploração do petróleo do pré-sal, gerando menos riqueza.

A PDVSA enfrenta exatamente esse dilema. Embora a Venezuela tenha uma das maiores reservas de petróleo provadas do mundo, o país registrou no ano passado o menor nível de produção desde 1945, de acordo com informação da Bloomberg.

Para manter os investimentos e os níveis de produção, a Petrobras teria dois caminhos. O primeiro seria tomar dívida no mercado, estratégia adotada no passado recente e que quase quebrou a companhia.

A segunda opção seria usar dinheiro público para capitalizar a estatal. “Recursos de saúde e educação”, lembra o diretor da Comdinheiro. Como não podem ocorrer gastos sem contrapartida devido às regras fiscais, novos impostos teriam de ser implementados. Novamente, uma medida impopular. 

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5 - Quais as consequências do controle de preços?

“Mas o presidente quer defender a população, evitar a greve, deixar a gasolina mais barata! Por que isso seria ruim?” Você já deve ter ouvido essa pergunta alguma vez, e a resposta está em uma velha conhecida e persona non grata dos brasileiros: a inflação.

Uma frase comum no mercado é “não existe almoço grátis”. Seja por meio de subsídios ou manipulação de preços na compra e venda do barril, a conta uma hora chega. E geralmente vem acompanhada de juros.

Se a empresa passa a segurar o repasse do aumento das cotações do petróleo vendendo um combustível com preço abaixo do mercado, a inflação fica represada em um primeiro momento. Mas nenhuma companhia é capaz de segurar os reajustes para sempre.

Foi o que aconteceu por exemplo a partir de 2015, quando aconteceu um fenômeno oposto ao atual: os preços dos combustíveis subiram e pressionaram a inflação enquanto no exterior o petróleo operava em queda e o país entrava em uma das piores recessões da história.

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