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A perspectiva de elevação de juros faz deste um momento oportuno para aumentar a exposição em algumas companhias com múltiplos baixos, geradoras de caixa e que são ótimas pagadoras de dividendos
Para ser bem sincero, eu não sou do tipo que adora ficar acompanhando o sobe e desce dos mercados a cada hora.
Não me entenda mal, mas na maior parte do tempo, todos aqueles movimentos não passam de ruído.
"Você viu que PETR4 caiu 0,1% à tarde por causa de um problema que impediu o abastecimento de uma das refinarias da Petrobras durante 10 minutos?"
"O S&P subiu 0,15% ontem depois que o presidente dos Estados Unidos tirou uma selfie na fábrica da Ford."
Me desculpe, mas isso não vai mudar os fundamentos do mercado ou das empresas, e por isso não costumo dar muita atenção para esse sobe e desce.
No entanto, nem sempre os movimentos são à toa. Algumas vezes eles nos dão sinais importantes, como foi o caso da quarta-feira da semana passada (12), quando o Ibovespa caiu quase 3%, deixando muito claro qual é o maior medo dos investidores daqui para frente.
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O mercado, em sua tarefa de sempre tentar antecipar o que vai acontecer daqui a alguns meses, já elegeu seu maior motivo de preocupação: a inflação.
Se você faz compras de alimentos, tentou adquirir um carro ou fez uma obra em casa recentemente, sabe bem do que eu estou falando. Os preços dispararam!
E não pense que o efeito é exclusivo nosso. No dia 12 deste mês, os investidores ficaram assustados com dados da inflação norte-americana (CPI) muito acima do esperado, com aumentos significativos nos preços de vários itens, como transporte, carros usados e energia, o que provocou um forte movimento de venda nas bolsas globais naquele dia.
Para conter a alta dos preços, o Fed poderia começar a aumentar a taxa básica de juros já nos próximos meses. Mas esse movimento, que por um lado ajudaria a esfriar a economia e a conter a alta da inflação, por outro, provocaria efeitos muito adversos em algumas ações.
O aumento da taxa de juros acabaria se tornando um duro golpe para companhias com baixa geração de caixa atual e expectativa de lucros apenas em um futuro distante. Isso porque, quanto maior a taxa de juros, maior é o custo da espera, e os fluxos de caixa distantes se tornam bem menos atrativos.
Imagine só comprar uma ação e ter de esperar um lucro que viria só daqui a dez anos. Se você pode investir hoje sem risco algum com uma taxa de 15% ao ano, não faz sentido se arriscar!
É por isso que, nesses dias em que surgem receios inflacionários, as companhias que mais sofrem são justamente aquelas com múltiplos elevados (preço/lucro acima de 25 vezes), já que são exatamente sobre essas que estão depositadas as maiores expectativas de crescimento futuro — empresas de tecnologia são um bom exemplo.
Por outro lado, juros em patamares mais altos são bem menos prejudiciais para companhias que já são geradoras de caixa, pois os investidores não precisam esperar uma eternidade até embolsar os seus merecidos dividendos.
Na verdade, essas podem até se beneficiar da alta de juros, caso tenhamos um elevado movimento de rotation — migração de investidores de companhias de crescimento para companhias de valor.
Enquanto uns choram, outros vendem lenços. De qual lado você prefere ficar?
Antes que você saia por aí vendendo todas as ações que devem sofrer com a alta dos juros, é sempre bom lembrar que no mercado não existe tudo ou nada.
A expectativa de um 2021 mais atribulado para companhias de tecnologia não faz da Magazine Luiza e da Amazon péssimos investimentos — pelo contrário, acreditamos que elas são vencedoras do processo de digitalização do varejo no longo prazo.
Mas vale a pena pensar em reduzir a participação dessa classe de ativos, caso ela seja muito representativa no seu portfólio.
Por outro lado, a perspectiva de elevação de juros faz deste um momento oportuno para aumentar a exposição em algumas companhias com múltiplos baixos, geradoras de caixa e que são ótimas pagadoras de dividendos.
Desde o início do ano, o ETF Vanguard High Dividend Yield (azul), que concentra grandes pagadoras de dividendos, superou com alguma folga o S&P 500 (verde) e com muita folga a Nasdaq (rosa), composta pelas companhias de tecnologia e com múltiplos elevados.
Aqui no Brasil, uma companhia que se enquadra bem nessas características de múltiplos baixos, forte geração de caixa e pagamento de dividendos é a Hypera (HYPE3), que além disso ainda deve se aproveitar em 2021 da integração dos portfólios de Takeda e Buscopan e também da volta das consultas médicas que atrapalharam a venda de remédios sob prescrição no ano passado – por esses motivos ela também é uma das minhas preferidas na bolsa.
Mas além da Hypera, existem várias outras companhias com características parecidas e que são escolhidas a dedo pelo Sergio Oba para fazerem parte do portfólio da série Vacas Leiteiras. Como este é um ótimo momento para investir em pelo menos algumas delas, deixo aqui o convite caso você queira conhecer mais sobre a série.
Um grande abraço e até a próxima!
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