Como a relação entre expectativa e resultados afeta o desempenho das ações na bolsa
Se os investidores esperam grande evolução no desempenho de uma companhia, e ela entregar resultados "apenas" bons, as ações tendem a ser duramente punidas

Como esquecer aquela tarde de domingo?
Estávamos no fim de 2002 e naquele ano o Coringão já tinha sido campeão do torneio Rio-São Paulo e da Copa do Brasil. Naquele dia, tentaria o título do Campeonato Brasileiro também, o terceiro no mesmo ano.
O adversário? O Santos Futebol Clube, com um time cheio de garotos da base, que tinha passado para a fase final daquele campeonato na última colocação e estava numa fila de vários anos sem títulos.
Como você deve imaginar, as minhas expectativas eram grandes.
Quer dizer, grandes, não! As expectativas eram enormes, na verdade.
Azar o meu, porque o Corinthians perdeu aquela decisão. Toda aquela expectativa virou frustração e, pela primeira vez (e última na vida), eu chorei por causa de um jogo de futebol.
Leia Também
Mas a pergunta mais importante desse episódio é a seguinte: será que se o Timão tivesse chegado à final como um azarão, sem muitas chances de vitória, e tivesse perdido da mesma maneira, a minha reação teria sido a mesma?
É bem provável que não.
Início da temporada de resultados
Essa é uma lição que não se restringe ao esporte. No mercado financeiro, as expectativas têm um enorme peso no sucesso ou fracasso de um investimento.
Se os investidores esperam grande evolução no desempenho operacional e financeiro de uma companhia, e ela entregar resultados "apenas" bons, mas abaixo do esperado, as ações tendem a ser duramente punidas.
O contrário também é verdade: ações de companhias das quais não se espera muita coisa podem sofrer grandes valorizações, já que não será muito difícil que ela surpreenda positivamente seus acionistas pessimistas.
Mas talvez seja na época de divulgação de resultados que essa batalha entre expectativa e realidade seja mais intensa.
Para o segundo trimestre de 2021 (ou, 2T21 na linguagem de Bolsa), a expectativa é de números com forte crescimento em relação ao mesmo período do ano passado.
Um pouco por conta da recuperação da economia, mas boa parte desse otimismo vem do fato de a base de comparação ser muito fraca, já que o 2T20 foi muito afetado pelos lockdowns.
Imagine o resultado dos shoppings, por exemplo, que estavam de portas fechadas durante quase todo o segundo trimestre do ano passado. Qualquer resultado mais ou menos no 2T21 já será muito melhor que o do mesmo período do ano passado.
Pensando nisso, muita gente está de olho na compra de ações visando o crescimento de Ebitda e lucros, achando que isso é o suficiente para ganhar dinheiro.
"O lucro deve subir 150% neste trimestre. Vou aproveitar e comprar umas ações no dia anterior à divulgação do resultado e colocar o lucro no bolso no dia seguinte"
Quem dera fosse assim tão fácil…
Mais do que crescer ou diminuir, o que importa é como os números virão na comparação com as expectativas dos analistas e investidores.
Um crescimento de 500% no lucro pode resultar em forte decepção se as expectativas eram ainda maiores.
Da mesma forma, um prejuízo pode até ser notícia boa, caso a perda tenha sido bem menor do que a antecipada.
Moral da história: operar resultados é muito, muito mais difícil do que o pessoal costuma imaginar.
Uma alternativa
Uma alternativa é utilizar opções.
Mas não comprando opções daquelas ações que você acredita que vão apresentar bons resultados.
Mais uma vez: o que importa é a expectativa do mercado, não se o resultado vai crescer ou não.
E podemos utilizar as opções para medir como está a expectativa dos investidores.
Quando a expectativa sobre os resultados é grande, muita gente começa a tentar antecipar a divulgação comprando opções, o que faz o preço desses ativos aumentar.
Se, por outro lado, ninguém está esperando muita coisa dos resultados, a procura por opções será pequena e, consequentemente, o preço desses ativos tende a cair.
Conseguimos medir esse interesse por opções através da volatilidade implícita, que nada mais é do que uma medida da expectativa de movimento das ações.
Quanto mais alta a volatilidade implícita, mais o mercado está esperando fortes movimentos.
Por outro lado, se ela estiver baixinha, os investidores não estão esperando grandes coisas – o que, na verdade, é bom, já que expectativas baixas são mais fáceis de serem superadas e permitem grandes valorizações da ação.
De olho nesse índice, nesta semana sugerimos uma compra de calls (opções de compra) da Hypera, com vencimento em agosto, em minha série Flash Trader.
Os resultados serão fantásticos? As calls vão se multiplicar? Sinceramente, eu não sei.
Mas olha como as expectativas do mercado estão baixas na véspera da divulgação:
Pode não acontecer nada demais e tudo bem. Como investimos pouco nesses ativos (muito pouco mesmo), perderemos apenas os cem ou duzentos reais colocados nessas calls e não sairemos machucados deste episódio.
Mas se a companhia surpreender — e as expectativas baixas nos ajudam nessa tarefa — as calls tendem a ganhar muito valor. Lembrando que, junto com os resultados, podemos ter também algumas boas notícias relacionadas às marcas recém adquiridas da Sanofi, por exemplo.
Foco no longo prazo
Mas a verdade é que, apesar de você conseguir aproveitar uma ou outra boa aposta na divulgação de resultados ao longo dos anos, não é isso que vai definir o seu sucesso como investidor no longo prazo.
Por exemplo, o investimento em Hypera (presente na série Vacas Leiteiras da Empiricus), que gera muito caixa e paga ótimos dividendos, será frutífero no longo prazo independente de a ação subir ou cair 5% depois da próxima divulgação.
Basta olhar para os maiores investidores de todos os tempos para aprender que nenhum deles criou sua fortuna com apostinhas de curto prazo em resultados.
Foi comprando ações de companhias de qualidade, com valuations atrativos e grande potencial de crescimento que eles conseguiram fazer seus investimentos se multiplicarem.
Se você topa seguir esse mesmo caminho vitorioso, a série as Melhores Ações da Bolsa traz uma série de oportunidades para você.
Aliás, o Max Bohm acabou de sugerir aos assinantes da série a participação no IPO de uma companhia com muito potencial de crescimento, cujo período de reserva termina na semana que vem.
Se quiser conhecer a série e essa nova sugestão, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a próxima!
TANQUE CHEIO NA BOLSA
Petrobras (PETR4) bate R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez. O que está por trás do novo recorde?
14 de outubro de 2026 - 16:27O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO
FII do agronegócio fecha venda milionária de fazenda e estima impacto positivo de R$ 5,78 por cota
14 de outubro de 2026 - 11:58É HORA DE COMPRAR?
Próxima parada do Ibovespa: 220 mil pontos. A visão dos gestores sobre a bolsa depois do 2º turno das eleições
13 de outubro de 2026 - 18:00O PESO DA INADIMPLÊNCIA
Crise das Casas Bahia (BHIA3) pesa sobre o HSLG11: FII pede despejo após calote, e cotas caem mais de 4%
13 de outubro de 2026 - 13:02SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026