Ecos de Independência: o risco político do 7 de setembro e o desconto na bolsa e nos ativos brasileiros
O feriado traz consigo o medo da elevação do risco político. Mas é preciso ter calma para analisar o panorama para a bolsa e os investimentos

Chegamos ao tão aguardado dia 7 de setembro. Muito temos acompanhado ao longo deste terceiro trimestre, que tanto nos prometia, quanto à deterioração das relações entre os Poderes da República — e o impacto do risco político no desempenho da bolsa. Há muita gente falando sobre isso, e a verdade é que poucos são os que realmente agregam à discussão.
O Brasil é pouco trivial quando se trata de política, o que dá contornos bem nebulosos às cenas dos próximos capítulos. Havendo ou não real risco de ruptura institucional, notou-se nas últimas semanas um maior desconto sobre os ativos de risco locais, derivado, entre outras coisas, desse desconforto com o contexto político de Brasília. Já não há muitas perspectivas de aprovações relevantes positivas nesta segunda metade de 2021.
Elevou-se, portanto, a percepção de risco local com o esticar da corda nas mão do Palácio do Planalto. Temor político e falta de visibilidade fiscal, o calcanhar de Aquiles da economia brasileira, fez com que houvesse perda de aderência entre os fundamentos da realidade concreta e os ativos financeiros.
Consequentemente, o Brasil acabou ficando extremamente desvalorizado. Uma maneira de ver isso é comparar as participações de investidores estrangeiros no Brasil (BRL) com as da África do Sul (ZAR), antes (esquerda) e depois do COVID (direita). Em outras palavras, em % do PIB, as participações de investidores estrangeiros no Brasil são agora menores do que em 2010.

Difícil argumentar que o desconto é válido. Quero dizer, não somos perfeitos, mas isso é demais. Os investidores estrangeiros têm aumentado suas participações em ações e títulos na China em 5% trimestralmente, mas por muitos anos tiraram dinheiro do Brasil.
Isso está mudando gradualmente, vale dizer: o capital está voltando para o Brasil e os investidores estrangeiros agora estão mais otimistas do que os brasileiros. Mas ainda assim, as últimas porradas sobre nossas ações provocaram um desconto aparentemente exagerado, em meu entendimento.
Leia Também
Veja abaixo o múltiplo de preço sobre lucro projetado para os próximos 12 meses do Ibovespa, o principal índice da bolsa. Estamos no mesmo patamar do low verificado no pior da pandemia no ano passado — a conta não fecha.

Risco político e bolsa: faz sentido?
Dificilmente você vai conseguir me convencer de que é justo o desconto simplesmente pelo risco de ruptura institucional. Principalmente porque o Brasil, segundo a teoria da ciência política, seria o que poderíamos chamar de "sistema político de múltiplos vetos".
O que isso quer dizer?
Bem, se trata da combinação de Suprema Corte independente, Ministério Público independente, divisão clara dos poderes com um Congresso forte e independente (cada vez mais independente nos últimos cinco anos, vale ressaltar), mídia livre e estados da federação com poder de polícia e orçamentário (arrecadatório e de investimento).
É difícil governar o Brasil. Uma ruptura institucional, então, é mais difícil ainda.
Claro, todos ficaremos de olho para acompanharmos o tom das manifestações de hoje, dia 7 de setembro. Contudo, é provável que as coisas não se percam mais do que se perderam. Se algo pior acontecer, o caldo tende a engrossar para o lado do Executivo, que deverá conter sua ala de apoio ao longo do dia de hoje.
Risco político é muito difícil de mensurar. O mercado sabe ler este risco menos ainda. Ainda assim, temos verificado uma conjuntura macroeconômica soberana. Se o dia 7 de setembro passar e, conforme predominantemente se espera, os atos sejam mais manifestações pacíficas do que qualquer outra coisa, podemos voltar a tentar precificar de maneira mais apurada nossos ativos.
Em sendo o caso, o Brasil e a bolsa estão bem baratos, como pudemos ver acima.
Na série "Palavra do Estrategista", best-seller na Empiricus, Felipe Miranda e eu construímos algumas carteiras muito interessantes para capturar a valorização dos ativos brasileiros nesta segunda pernada do segundo semestre, enquanto o risco da crise hídrica ainda não aparecer de maneira mais evidente no radar e o Federal Reserve nos EUA não aperta sua política monetária com a redução da compra de ativos por lá ("tapering").
Para os interessados em aproveitar este desconto proporcionado, entre outras coisas, pela degradação fiscal brasileira e pelo risco político doméstico, que deve se apaziguar (as coisas pioram antes de melhorar), vale a pena conferir a série e se debruçar sobre nossas análises para os mais variados tipos de investimentos para diferentes perfis de investidores.
DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA
Gigante à vista: Patria fica a um passo de unir quatro fundos imobiliários (FIIs) em um só
21 de outubro de 2026 - 11:20DECOLOU
SpaceX salta 10% após balanço, mas duas linhas do resultado servem para manter investidores ‘com os pés no chão’, diz BTG
21 de outubro de 2026 - 11:17É COMPRA
XP dá sinal verde para fundo imobiliário e recomenda compra — mas com uma ressalva
20 de outubro de 2026 - 15:07ESG