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A força do dólar: veja quanto da moeda americana você deve ter na carteira

Movimento global de fortalecimento da divisa dos EUA salta aos olhos, mas existe um limite para a exposição de seus investimentos ao dólar, além de um melhor ponto de entrada

Dólar
Imagem: Shutterstock

Tem chamado a atenção a velocidade com que o dólar tem se valorizado desde o início do segundo semestre. Aqui me refiro a um contexto de força global e não contra o real brasileiro, especificamente. Temos nossa própria dinâmica aqui, apesar de a força da moeda americana no mundo ser uma das variáveis de referência.

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Ainda que as últimas semanas de valorização tenham sido chamativas, o movimento de apreciação da moeda americana no mundo tem sido notável ao longo de 2021 inteiro, com o Dollar Index (DXY), índice que mede a força do dólar frente uma cesta de divisas, em especial o Euro, se apreciando em 5% até a primeira metade de outubro.

Abaixo, o leitor pode conferir o movimento de apreciação da moeda americana.

Fonte: Market Watch

Se observarmos bem, já no começo do ano flertamos com uma alta da divisa dos EUA, a qual voltou para o patamar inicial e recuperou valor nos últimos meses.

Por que o dólar sobe?

O movimento mimetiza a alta dos yields dos títulos do Tesouro dos EUA, que começaram a subir bem em 2021 devido às expectativas de inflação global e o compasso de espera do mercado pelo aperto monetário por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano); isto é, retirar liquidez do mercado (reduzir o nível de compra de ativos e subir juros).

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Há outros movimentos que têm motivado a atração de recursos de volta para a terra do Tio Sam, apreciando a moeda, até mesmo porque o otimismo com a economia é notável. Aqui estão algumas dessas razões para estar otimista agora:

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  • os lucros corporativos ainda estão bem fortes, com quatro temporadas seguidas batendo as expectativas de mercado e um bom início de apresentação dos resultados do terceiro trimestre;
  • o próprio Fed, que, ainda que flerte com o aperto monetário, mantém-se em patamares altamente estimulativos;
  • as recompras de ações por parte das empresas, que podem totalizar mais de US$ 1 trilhão nos próximos 12 meses;
  • consumidor saudável no pós-pandemia, normalizando seu consumo e gastando sua poupança;
  • as companhias estão em condições saudáveis, predominantemente; 
  • é possível que Washington forneça outro vento a favor de vários trilhões de dólares por meio de infraestrutura, dando suporte de crescimento à economia dos EUA; e 
  • pressões internacionais que acendem o sinal amarelo para os investidores, como a questão da crise energética global e do problema envolvendo a gigante da incorporação chinesa Evergrande, ambos os temas já discutidos nesta coluna - um sentimento de aversão a risco global, que pode levar os recursos para os EUA, que já tendiam a ir para lá por conta das tensões regulatórias do gigante asiático.

O efeito do tapering

Tudo isso se traduz em mais crescimento e potencial de ganhos, que atraem o capital. Tudo isso, claro, tem também caráter inflacionário, uma vez que mais crescimento pressiona preços, dando espaço para que haja os movimentos discutidos de tapering. 

Para o leitor que desconhece o termo acima, se refere à redução do nível de compra de ativos. Depois de uma abundância de liquidez, o mercado de títulos está começando a precificar na expectativa de que o Fed comece a diminuir no próximo mês (novembro).

Como podemos verificar abaixo, a curva de juros dos fundos federais subiu um degrau, precificando agora mais de uma alta para 2022 e seis altas até 2025.

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Com isso, estabelecem-se dois motivos de tamanha força do dólar:

  • i) potencial de crescimento; e
  • ii) uma autoridade monetária mais "hawkish" (ou contracionista, no sentido de retirar liquidez).

Sobre este último ponto, como comentei, o programa de compra de ativos pode ser completamente finalizado até o fim do primeiro semestre de 2022, com possibilidade de aumento de juros já no último trimestre de 2022.

Uma redução da liquidez global, com mais juros em mercados maduros e com potencial, como o dos EUA, pesou sobre as moedas globais, em especial dos mercados emergentes, basta ver o caso do real brasileiro.

Em outras palavras, um dólar fortalecido dificulta o fluxo de capital para mercados em desenvolvimento.

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Dólar forte, bolsa em queda? 

Há de se argumentar que um movimento de aperto monetário poderia ser ruim para as ações dos EUA, o que proporciona uma repulsão deste capital atraído em um primeiro momento, voltando a desvalorizar o mundo no âmbito global.

Contudo, isso não necessariamente é verdadeiro.

Na verdade, os ciclos de política monetária restritivos têm sido historicamente positivos para as ações. Exceções ocorreram na década de 1970, quando a inflação era anticíclica, e o Fed apertou apesar da desaceleração do crescimento.

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No fim do dia, em ciclos "regulares", o Fed aumenta as taxas apenas quando a economia (e os lucros corporativos) justifica uma postura política mais rígida, como a atual.

O interessante é que retornos positivos acontecem apesar da queda de múltiplos, em especial o de preço sobre lucros.

Taxas mais altas tendem a levar a avaliações em queda, mas o crescimento dos lucros é normalmente forte o suficiente para compensar a redução, como temos visto nos últimos trimestres.

Veja a seguir como há espaço para ganhos lá fora mesmo em um contexto de aperto.

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Ou seja, ainda que haja uma leve correção neste primeiro momento, por conta das revisões de valuations, as perspectivas de crescimento, que se traduzem em mais lucros para as empresas, devem ser o suficiente para não só seguir valorizando a Bolsa lá fora, como também manter o dólar forte nos curto e médio prazos.

Neste contexto, vale a exposição internacional com algo como 30% de seu patrimônio financeiro

Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.

Claro, para quem ainda não tem nada, um patamar acima de R$ 5,50 me parece um pouco impeditivo para começar. A partir do momento que a moeda voltar para a faixa entre R$ 5,00 e R$ 5,50 já seria válido começar a pensar em movimentos de internacionalização.

Tais movimentos podem se dar por contas no exterior, fundos de investimentos internacionais e as famosas BDRs (recibos de ações de empresas listadas no exterior) na Bolsa brasileira.

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De qualquer forma, internacionalizar é preciso.

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