Bolsa hoje: atenção aos ruídos políticos após o 7 de setembro
Aqui no Brasil, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara promove audiência sobre o reajuste na conta de energia elétrica, que impactam a inflação; lá fora Federal Reserve oferecerá hoje ao mercado o seu Livro Bege

Na volta do feriado, o Brasil teria um bom dia no exterior para fazer um catch-up na bolsa. Em especial depois da alta do EWZ, que mede a performance de ADRs brasileiros.
Contudo, a quarta-feira (8) promete ser bastante desafiadora, com queda nas principais Bolsas na Ásia e desempenho ruim dos mercados europeus, pelo menos até agora – nem os dados de emprego da França no segundo trimestre, mais fortes do que o esperado, sustentam os ativos.
No continente asiático, chamaram atenção as novas evidências de que a economia mundial está indo melhor do que se pensava, depois que os dados japoneses do segundo trimestre foram revisados com mais vigor – o crescimento do Japão para o período entre abril e junho foi revisado para um ritmo anual de 1,9%, frente uma estimativa preliminar de 1,3% (a economia mergulhou na deflação, mas o investimento e os gastos do consumidor impulsionaram o crescimento).
A ver...
Sem grandes ameaças, aparentemente
Com a passagem do tão esperado dia 7 de setembro, que não registrou o temido conflito e nem a participação dos policiais militares, como antecipamos que aconteceria por aqui no Transparência Radical, o dia terminou com um maior distanciamento da sensação de possibilidade de ruptura política.
A crise político-institucional, entretanto, se mantém, após falas polêmicas de Bolsonaro permanecerem em seu discurso para apoiadores. Para piorar o clima, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, indicou que, “se o STF não entender o recado, a corda vai continuar esticando”.
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Ontem (7), os ministros do Supremo Tribunal Federal se reuniram para debater a reação que a Suprema Corte deve ter após os ataques e ameaças desferidos pelo presidente Bolsonaro nos atos.
O presidente Fux deverá se manifestar hoje na abertura da sessão. A expectativa é que esta quarta-feira seja movimentada em Brasília, com partidos se organizando de maneira contrária ao presidente e com a possibilidade de reunião do Conselho da República para discutir a relação entre os Poderes.
Enquanto os ruídos ficarem no radar, os ativos locais continuarão sob pressão.
Segundo dia depois do feriado
O Federal Reserve oferecerá hoje ao mercado o seu Livro Bege, relatório que resume as condições econômicas atuais entre os 12 distritos do Federal Reserve, no segundo dia de trabalho dos investidores americanos após o feriado de segunda-feira (Labor Day).
A terça-feira (7) foi um dia misto de negociações, com ações de crescimento apresentando em média desempenho superior ao de ações de valor. Indústria e energia estavam entre os setores em pior situação no S&P 500, enquanto tecnologia e serviços de comunicação lideravam os índices.
Com o fim do verão chegando e o movimento de volta às aulas começando, o foco do mercado está se voltando para o que vem a seguir neste ciclo econômico e de mercado acelerado.
O consenso entre investidores é que as coisas ficarão um pouco mais difíceis nos próximos meses, à medida que o Federal Reserve começa a recuar e o crescimento econômico e das entregas corporativas desacelera. A recuperação está longe de terminar e o crescimento, sem dúvida, permanecerá forte.
Não será, porém, tão explosivo como vimos nos últimos trimestres, o que torna as escolhas dos investidores um pouco mais desafiadoras.
Reflexos do Livro Bege em outros bancos centrais
O Livro Bege, marcado para hoje (8), e a inflação ao produtor (PPI) nos EUA para o mês de agosto, marcada para a sexta-feira (10), provavelmente não alterarão a perspectiva geral de que o BC americano vai continuar preferindo planejar com mais cautela a retirada gradual dos estímulos econômicos.
Para esta quarta-feira, também temos marcado o encontro dos membros do Banco Central Europeu (BCE). Se nem o Fed, que já vinha cogitando sua estratégia de saída dos estímulos monetários há algum tempo, parece estar perto de agir, quem dirá o BCE, notadamente mais “dovish” que o Fed.
A única coisa possível, contudo, parece ser um ajuste no discurso, mas nada prático vindo de Lagarde, pelo menos não agora. Outros encontros de política monetária marcam a semana, como o do Canadá (hoje), do Peru (amanhã) e da Rússia (sexta-feira).
Anote aí!
Hoje, aqui no Brasil, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara promove audiência pública, às 10h, sobre o reajuste na conta de energia elétrica, relevante para monitorarmos os preços de energia, que impactam a inflação.
Além disso, a Câmara pode votar o projeto de lei que trata da reforma eleitoral, que poderá ser relevante para dar contornos da eleição de 2022.
Lá fora, nos EUA, é divulgada a pesquisa de rotatividade de mão de obra, com estimativa consensual de 10 milhões de vagas no último dia útil de julho.
O Federal Reserve relata dados de crédito ao consumidor para julho de amanhã. A dívida total pendente do consumidor aumentou US$ 37,7 bilhões, para um recorde de US$ 4,32 trilhões em junho.
No segundo trimestre, o crédito ao consumo aumentou a uma taxa anual ajustada de sazonalidade de 8,8%, refletindo a demanda reprimida.
Muda o que na minha vida?
Desde ontem (7 de setembro de 2021), o bitcoin se tornou a moeda legal em El Salvador. O país latino-americano (América Central) com uma população de cerca de 6,5 milhões de habitantes é a primeira nação do mundo a adotar a criptomoeda como forma oficial de pagamento de bens e serviços – o país usa o dólar americano como moeda oficial desde 2001.
Os cidadãos que baixarem a carteira oficial do governo receberão US$ 30 em bitcoins depositados em suas contas, o "Chivo Wallet" (um aplicativo criado pelo governo), e também poderão comprar terras com bitcoin, bem como pagar seus impostos, embora as obrigações fiscais sejam definidas em dólares americanos.
Nayib Bukele, um populista de direita que subiu ao poder em 2019, disse que a medida salvará os salvadorenhos de centenas de milhões de dólares em taxas de dinheiro enviado de volta ao país em dólares americanos a cada ano, já que as remessas em bitcoin acarretariam custos mais baixos – um quarto do PIB de El Salvador vem de remessas; isto é, dinheiro enviado de volta ao país por pessoas que trabalham no exterior. O bitcoin poderia reduzir as taxas sobre essas transações internacionais.
El Salvador detinha 400 bitcoins no início da semana, depois de comprar mais 200 antes de adotá-los como moeda legal. Isso eleva o valor do tesouro criptográfico do país a mais de US$ 20 milhões a preços atuais.
A ideia é que, como as criptomoedas são mantidas em carteiras digitais em vez de contas bancárias tradicionais, o movimento poderia dar às pessoas em comunidades mais pobres em El Salvador maior acesso às suas finanças. O governo do país também aposta que sua abordagem do bitcoin atrairá investimentos estrangeiros.
Quanto ao sucesso ou fracasso a longo prazo do experimento bitcoin de El Salvador, ninguém sabe ao certo neste momento.
O processo de utilizar a criptomoeda em El Salvador tem uma curva de aprendizado e a enorme volatilidade do bitcoin causa preocupações, com o próprio FMI apontando que o uso da cripto como moeda nacional é um passo muito longo.
O início foi desfavorável, uma vez que o preço do bitcoin chegou a cair 17% na terça-feira, para cerca de US$ 43 mil. Acabou sendo um bom momento de compra, dado que a cotação estava de volta em torno de US$ 47 mil já à noite.
Para quem se interessa por soluções financeiras e criptomoedas, a Vitreo desenvolveu uma solução destinada aos investidores gerais para comprar Bitcoins e protocolos de finanças descentralizadas. Vale conferir o Bitcoin DeFi.
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