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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO

De olho em “pacote Biden”, bolsa sobe mais de 1% e dólar encosta em R$ 5,20

Expectativa por pacote trilionário nos Estados Unidos levou a moeda americana a ter um movimento de desvalorização em escala global.

Jasmine Olga
Jasmine Olga
14 de janeiro de 2021
19:31 - atualizado às 21:34
Economia EUA
Imagem: Shutterstock

Embora o mercado financeiro acompanhe bem de perto as idas e vindas do desenvolvimento e campanhas de vacinação em todo mundo, tem uma outra injeção que faz os olhos dos investidores brilharem ainda mais: aquela aplicada por bancos centrais e governos ao redor do globo e que dão sobrevida à atividade econômica. 

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A pandemia do nem-mais-tão-novo-assim-coronavírus está prestes a completar um ano. Vacinas que prometem imunizar a população já começam a ser aplicadas, mas os governos ainda possuem um longo caminho para percorrer. 

Todos os dias, a lista de países e regiões que endurecem suas regras de isolamento social só crescem, limitando mais uma vez a atividade econômica. E é por isso que uma injeção de dinheiro na economia segue sendo tão importante. 

Esses estímulos permitem uma manutenção de liquidez no mercado e prometem combater os piores efeitos econômicos causados pelas necessárias medidas de isolamento social. 

A coisa segue feia em muitos lugares, mas a  maior economia do mundo se encontra em uma situação particularmente delicada. Além de liderar o número de mortos por conta da doença, os Estados Unidos seguem batendo recordes de novas infecções e ainda mostram sinais de fraqueza econômica. Um número que indica essa realidade foi divulgado hoje. O número de pedidos de auxílio-desemprego na semana atingiu a maior alta em 5 meses no país, com 965 mil novos pedidos, acima do esperado pelos analistas.

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Os EUA já injetaram trilhões de dólares na economia e vem mais alguns trilhões por aí. Pelo menos é isso que esperam os investidores, que sustentaram o otimismo durante o dia com a expectativa de que o novo pacote de ajuda, que deve ser revelado ainda hoje pelo presidente eleito Joe Biden, seja de pelo menos US$ 2 trilhões. Essa ansiedade deixou em segundo plano até mesmo o impeachment do atual presidente Donald Trump.

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Depois de amargar uma queda acentuada na sessão passada, o Ibovespa decidiu deixar de lado os ruídos políticos que poderiam limitar o seu movimento de alta e pegou carona no apetite por ativos de risco do exterior. O perdeu um pouco de força no fim do dia, com a piora do clima em Nova York, mas ainda assim fechou o dia em alta de 1,27%, aos 123.481 pontos.

Jogando água no milkshake

Desde ontem, o mercado financeiro começou a precificar positivamente um provável novo pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos no valor de US$ 2 trilhões.

Desde o tempo de campanha, o presidente Joe Biden se mostra muito favorável a engordar a economia com novos estímulos e já se pronunciou dizendo que a cifra deve ficar na casa dos trilhões de dólares. Com o governo democrata controlando Câmara e Senado, a leitura é de que será mais simples autorizar novas medidas de estímulos, o que levou as bolsas globais a buscarem recorde atrás de recorde nas últimas semanas.

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Hoje não foi diferente. O índice Dow Jones e o Nasdaq chegaram a renovar as suas máximas intraday. Bom, isso até o The New York Times noticiar que o pacote na verdade deve ser de "apenas" US$ 1,9 trilhão.

O mercado espera que o pacote inclua auxílio individual para os americanos, suporte aos estados e financiamento da distribuição de vacinas e, segundo o jornal, esses pontos realmente fazem parte do plano. Mas, ao invés de um cheque adicional de US$ 2 mil para os cidadãos afetados pela pandemia, o governo deve propor um auxílio de US$ 1,4 mil — que somado ao já aprovado US$ 600 totaliza US$ 2 mil.

A notícia foi suficiente para fazer com que as bolsas americanas devolvessem os ganhos e fechassem o dia no vermelho. O Nasdaq recuou 0,12%, o S&P 500 caiu 0,38% e o Dow Jones fechou em baixa de 0,22%.

Devagar com o andor

Ainda falando de estímulos, outro assunto que foi um grande catalisador de otimismo no mercado foi o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

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O chefe do BC americano disse que existem chances da economia norte-americana voltar aos patamares pré-pandemia antes do previsto. Powell destacou que a política fiscal tem sido "fundamental" durante a crise e que a dívida pública americana cresce mais rápido do que a economia atualmente.

Embora tenha declarado que a situação é insustentável, afirmou também que o nível total da dívida é sustentável, negando que a dívida pública afete a política monetária.

Segundo Powell, os juros não devem voltar a subir tão cedo. Uma preocupação recente dos investidores, após declarações de outros dirigentes, era de que o Fed reduzisse o ritmo de compra de títulos, o que foi negado pelo presidente.

Buscando o 0 a 0

A moeda americana começou o ano em disparada, mas após três dias de intenso alívio, acumula agora uma valorização de apenas 0,40% em 2020.

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A soma da fala de Powell, que confirmou a manutenção da atual política monetária por mais algum tempo, e a expectativa pelo "pacote Biden", que deve levar a uma desvalorização da divisa, pressionaram o dólar a seguir o seu trajeto de realização de lucros.

A moeda americana começou o ano em disparada, mas após três dias de intenso alívio, acumula agora uma valorização de apenas 0,40% em 2020. Só hoje, a moeda caiu 1,9%, a R$ 5,2097.

Segundo Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos, a fala de Powell aponta que "continuaremos a ter muito dinheiro transbordando para fora da economia americana, o que acaba apreciando as outras moedas. Isso é muito positivo para os emergentes".

O mercado de juros também seguiu em uma tendência de alívio com a fala de Powell e à espera de Biden na ponta mais longa. Confira as taxas de fechamento:

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  • Janeiro/2022: de 3,25% para 3,26%
  • Janeiro/2023: de 5,03% para 4,96%
  • Janeiro/2025: de 6,52% para 6,46%
  • Janeiro/2027: de 7,28% para 7,10%

Ruídos (meio) ignorados

O dia começou carregado de ruídos políticos e grande pressão sobre as estatais no Brasil. O temor era de que essa tensão em Brasília pudesse trazer alguma cautela para os negócios, mas não foi bem assim.

O principal rumor ainda não foi de fato confirmado ou negado. Segundo o blog da Andréia Sadi, do G1, o presidente Bolsonaro está insatisfeito com os "efeitos políticos" da gestão de André Brandão, chefe do BB. Na visão de Bolsonaro, o anúncio do fechamento de agências aumenta o desgaste político em ano pré-eleitoral. Sadi também informa que a equipe econômica está tentando reverter a situação.

As ações do Banco passaram a subir mais de 1% após a notícia de que Brandão não deve sair do cargo e conta com o apoio da equipe econômica e do presidente do Banco Central, mas a companhia não conseguiu sustentar a alta e acabou fechando o dia em queda de 0,27%.

Após o fechamento dos mercados, o banco estatal voltou a afirmar que não recebeu nenhuma comunicação pedindo o desligamento de seu CEO.

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O Banco do Brasil não foi a única estatal monitorada na sessão de hoje. O mercado também ficou de olho na Petrobras, pois existe uma desconfiança de que o governo vem evitando que a petroleira repasse a alta recente do petróleo para os consumidores.

Sobe e desce

Esse movimento de maior otimismo com as vacinas seja ela feita em laboratório ou por bancos centrais foi gatilho para um movimento de alta em empresas que normalmente são mais afetadas pela pandemia, em uma rotação de setores após as quedas recentes. A desvalorização do dólar também beneficiou aquelas companhias que possuem suas dívidas e/ou custos em dólar. Confira as principais altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
EMBR3Embraer ONR$ 9,98 8,48%
AZUL4Azul PNR$ 38,57 7,26%
ECOR3Ecorodovias ONR$ 13,55 5,61%
CVCB3CVC ONR$ 20,37 5,49%
LREN3Lojas Renner ONR$ 43,38 4,78%

Confira também as principais quedas do índice:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
PRIO3PetroRio ONR$ 78,00 -1,86%
NTCO3Natura ONR$ 50,35 -1,66%
TOTS3Totvs ONR$ 28,18 -1,47%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 23,73 -1,21%
JBSS3JBS ONR$  24,56 -1,21%

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