Inflação dos Estados Unidos deve movimentar o mercado, sem maiores indicadores no Brasil
O avanço inflacionário põe os Bancos Centrais em posição difícil na retomada da economia mundial

Uma das grandes dificuldades do xadrez é prever o que seu adversário fará duas, três, até dez jogadas à frente. Você espera que mova o peão, mas mexe no cavalo, e o jogo muda.
Nos investimentos não é diferente. Os dados inflacionários divulgados esta semana apontam para uma jogada já conhecida: os Bancos Centrais devem reagir com o aumento da taxa de juros.
E se ontem foi o dia da inflação, hoje é o dia dos BCs. O Banco Central Europeu deve manter sua política monetária, mas melhorar as projeções para os próximos meses. Durante a pandemia de coronavírus, as instituições injetaram dinheiro na economia, mas muitos desses países já estão em outra fase da atividade econômica, agora mais intensa.
Mas a rainha do tabuleiro desta quinta-feira (10) é o dado de inflação dos Estados Unidos, chamado CPI. É esperado que o índice de preços avance 0,4% em maio e acumule alta de 4,8% na comparação anual.
Os temores de um superaquecimento da economia dos EUA podem ser confirmados ou dissipados, dependendo de como vier o índice. O próprio Fed já afirmou que só irá alterar sua política monetária quando o desemprego estiver em níveis melhores do que os atuais, e os dados do payroll mostram que esse patamar está longe de ser alcançado.
Por fim, sem maiores indicadores e de um lado mais escuro do tabuleiro, o Ibovespa segue com seu otimismo de sempre. O índice brasilerio conseguiu espaço para fechar em leve alta de 0,09%, aos 129.906 pontos, próximo da estabilidade.
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Bancos Centrais em xeque
Com a divulgação dos dados da inflação da inflação em foco, em especial o IPCA no Brasil, a uma semana da reunião do Copom, os Bancos Centrais estão em posição de xeque. A expectativa de alta na Selic é de 0,75 pontos percentuais, mas entidades do mercado já avaliam que podem subir as projeções dado o cenário atual.
Enquanto isso, o Federal Reserve, o BC americano, deve ficar de olho nos dados do índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês), apesar de preferir usar o PCE como base. A alta nos preços e o novo momento pós-pandemia estão fazendo com que os economistas avaliem que os BCs pelo mundo estejam a reboque dos novos tempos, sempre uma jogada atrás do que realmente está acontecendo.
O próprio BC chinês avaliou que a inflação do gigante asiático, que veio em 1,3% contra 1,5% das projeções, esteja controlada e que irá manter sua política inalterada. Entretanto, os dados do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) vieram acima do esperado: 9,0% em comparação aos 8,6% das expectativas.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos encerraram o pregão em alta nesta quinta-feira (10), à espera da divulgação dos dados da inflação nos Estados Unidos. A maior economia do mundo costuma nortear a política monetária dos Bancos Centrais pelo globo, e o momento inflacionário pode exigir que o Federal Reserve saia de sua zona de conforto.
Por falar em BCs, o Banco Central Europeu (BCE) deve divulgar sua política monetária agora de manhã, por volta das 8h45. Isso está mantendo as bolsas do Velho Continente sem direção definida, à espera da decisão.
E os futuros de Nova York também seguem de maneira mista, com o Dow Jones futuro e o S&P 500 futuro avançando e o Nasdaq recuando. Os investidores de Wall Street devem manter a cautela até a divulgação dos dados de inflação e de olho vivo nos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano.
Agenda do dia
Confira os principais eventos e indicadores para esta quinta-feira (10):
- Banco Central Europeu: Presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de coletiva de imprensa depois da decisão de política monetária (9h30)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio desemprego nos EUA (9h30)
- Estados Unidos: Índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de maio (9h30)
- Ex-ministro da Fazenda: Henrique Meirelles, atual secretário da Fazenda de São Paulo, participa de painel em evento do Bradesco BBI (11h)
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, testemunha para Câmara dos Representantes (15h)
FUTURO NEBULOSO
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