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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Tombo da Vale não impede Ibovespa de interromper sequência de quedas e bolsa volta a subir; dólar também avança

A queda de 13% do minério de ferro puxou para baixo as ações da Vale e siderúrgicas, mas a recuperação do fôlego em Nova York ajudou o Ibovespa a fechar no azul

Jasmine Olga
Jasmine Olga
19 de agosto de 2021
18:48 - atualizado às 19:38
minério de ferro, mercados, Ibovespa, bolsa, Vale
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Parece que o reinado do setor de commodities como o Todo Poderoso do Ibovespa de fato chegou ao fim. Depois de meses sustentando o resultado positivo da bolsa brasileira, as incertezas com relação ao futuro da economia global e os movimentos intervencionistas da China pesam — e muito — no desempenho das companhias na B3. 

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Durante a madrugada, o minério de ferro recuou mais de 13% em Qingdao, na China, o que levou a commodity ao seu menor nível desde novembro do ano passado, a US$ 136 a tonelada. O petróleo também não vive lá o seu melhor momento. A pressão da incerteza em torno da demanda, o temor do estrago que a variante delta do coronavírus pode fazer na economia global e a crise no Afeganistão pesam. 

No caso do minério de ferro, o recuo acumulado é de 40% só em agosto, repercutindo os temores de uma economia chinesa menos aquecida depois de dados mais fracos do que o esperado e os desejos do governo local de inibir a especulação. Com grande peso na carteira teórica do Ibovespa, empresas como Vale, CSN e Gerdau têm puxado a queda nos últimos dias. 

Acompanhando o clima global, a quinta-feira (19) foi mais um dia no vermelho para o setor de mineração e siderurgia, contaminando também a bolsa brasileira, que chegou a tocar os 114 mil pontos. Mas, pelo menos dessa vez, o resultado amargo não impediu o Ibovespa de interromper a sequência de três quedas e avançar 0,45%, aos 117.164 pontos. 

A virada veio de Nova York. Durante boa parte do dia, os índices continuaram repercutindo de forma negativa a sinalização do Federal Reserve de que a redução no ritmo de compra de ativos pode acontecer ainda neste ano. Para Marcel Andrade, head de renda variável da Vitreo, foram os números dos pedidos semanais de auxílio-desemprego que possibilitaram algum respiro para as bolsas americanas.

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Embora o número de 348 mil pedidos indique uma recuperação mais rápida do que a esperada pelo mercado, ele não aponta para um superaquecimento que poderia levar o Fed a reduzir os estímulos ainda mais rapidamente. O Nasdaq, índice que teoricamente mais sofreria com o aperto monetário, aproveitou para se recuperar das quedas recentes. 

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No Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também ajudou. Pela segunda vez na semana, Campos Neto trouxe alívio ao falar sobre o compromisso com a meta de inflação, aliviando a curva de juros após dias de pressão. O câmbio, no entanto, seguiu refletindo o complicado cenário político-fiscal doméstico. O dólar à vista avançou 0,89%, a R$ 5,4228.

Fora do Ibovespa, o destaque ficou com a Ambipar. A empresa anunciou que irá realizar uma oferta inicial de ações de uma das suas subsidiárias.

Ibovespa 0,45%117.164 pontos
Dólar à vista-0,89%R$ 5,42
Bitcoin3,44%R$ 250.700
S&P 5000,13%4.405 pontos 
Nasdaq0,11%14.541 pontos
Dow Jones-0,19%34.894 pontos

Abandonando as máximas

Com a votação da reforma do imposto de renda adiada e pouca movimentação política, os maiores destaques vindo da capital federal ficaram com o ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. 

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Em participação em comissão no Senado, Guedes não só lamentou o adiamento da votação da proposta como também voltou a ressaltar a importância da aprovação do parcelamento dos precatórios, dizendo que Brasília pode parar caso a medida não seja aceita. 

O alívio no cenário fiscal ficou por conta de Campos Neto pela segunda vez na semana. Ele voltou a reforçar o seu compromisso com a ancoragem e o cumprimento da meta de inflação e do compromisso fiscal. 

O mercado de juros aproveitou a deixa para se acomodar um pouco após a forte alta das últimas semanas. Todos os principais vencimentos fecharam com um recuo significativo nesta tarde. Confira:

  • Janeiro/22: de 6,78% para 6,72%
  • Janeiro/23: de 8,65% para 8,48%
  • Janeiro/25: de 10,09% para 9,70%
  • Janeiro/27: de 10,44% para 10,14%

Sobe e desce do Ibovespa

De carona com a recuperação do Nasdaq, Locaweb e Totvs, duas empresas do setor de tecnologia, aproveitam para apagar as quedas recentes. CVC, Localiza e Unidas, companhias que sofreram bastante nos últimos dias com a incerteza em torno da variante delta, também aproveitaram o fôlego extra para recuperar parte das perdas. 

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Fora do TOP 5, mas ainda com desempenhos que merecem destaque, Madruga, da Monte Bravo, aponta as ações da Weg e da B3 que subiram mais de 4% na tarde de hoje — a primeira se beneficia da pressão no câmbio por ter boa participação em negócios internacionais; já a B3, que vinha sofrendo com rumores sobre uma possível rival, aproveitou para também devolver a queda. 

Confira os principais destaques do dia:

CÓDIGONOMEVALORVAR
LWSA3Locaweb ONR$ 24,367,79%
CVCB3CVC ONR$ 19,007,34%
TOTS3Totvs ONR$ 36,605,78%
RENT3Localiza ONR$ 58,145,31%
LCAM3Locamérica ONR$ 26,035,17%

Confira também as maiores quedas que, mais uma vez, ficaram por conta do setor de commodities:

CÓDIGONOMEVALORVAR
CSNA3CSN ONR$ 37,00-5,78%
VALE3Vale ONR$ 97,51-5,71%
USIM5Usiminas PNAR$ 17,08-5,69%
BRAP4Bradespar PNR$ 63,41-5,33%
GGBR4Gerdau PNR$ 27,69-3,52%

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