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A queda de 13% do minério de ferro puxou para baixo as ações da Vale e siderúrgicas, mas a recuperação do fôlego em Nova York ajudou o Ibovespa a fechar no azul
Parece que o reinado do setor de commodities como o Todo Poderoso do Ibovespa de fato chegou ao fim. Depois de meses sustentando o resultado positivo da bolsa brasileira, as incertezas com relação ao futuro da economia global e os movimentos intervencionistas da China pesam — e muito — no desempenho das companhias na B3.
Durante a madrugada, o minério de ferro recuou mais de 13% em Qingdao, na China, o que levou a commodity ao seu menor nível desde novembro do ano passado, a US$ 136 a tonelada. O petróleo também não vive lá o seu melhor momento. A pressão da incerteza em torno da demanda, o temor do estrago que a variante delta do coronavírus pode fazer na economia global e a crise no Afeganistão pesam.
No caso do minério de ferro, o recuo acumulado é de 40% só em agosto, repercutindo os temores de uma economia chinesa menos aquecida depois de dados mais fracos do que o esperado e os desejos do governo local de inibir a especulação. Com grande peso na carteira teórica do Ibovespa, empresas como Vale, CSN e Gerdau têm puxado a queda nos últimos dias.
Acompanhando o clima global, a quinta-feira (19) foi mais um dia no vermelho para o setor de mineração e siderurgia, contaminando também a bolsa brasileira, que chegou a tocar os 114 mil pontos. Mas, pelo menos dessa vez, o resultado amargo não impediu o Ibovespa de interromper a sequência de três quedas e avançar 0,45%, aos 117.164 pontos.
A virada veio de Nova York. Durante boa parte do dia, os índices continuaram repercutindo de forma negativa a sinalização do Federal Reserve de que a redução no ritmo de compra de ativos pode acontecer ainda neste ano. Para Marcel Andrade, head de renda variável da Vitreo, foram os números dos pedidos semanais de auxílio-desemprego que possibilitaram algum respiro para as bolsas americanas.
Embora o número de 348 mil pedidos indique uma recuperação mais rápida do que a esperada pelo mercado, ele não aponta para um superaquecimento que poderia levar o Fed a reduzir os estímulos ainda mais rapidamente. O Nasdaq, índice que teoricamente mais sofreria com o aperto monetário, aproveitou para se recuperar das quedas recentes.
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No Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também ajudou. Pela segunda vez na semana, Campos Neto trouxe alívio ao falar sobre o compromisso com a meta de inflação, aliviando a curva de juros após dias de pressão. O câmbio, no entanto, seguiu refletindo o complicado cenário político-fiscal doméstico. O dólar à vista avançou 0,89%, a R$ 5,4228.
Fora do Ibovespa, o destaque ficou com a Ambipar. A empresa anunciou que irá realizar uma oferta inicial de ações de uma das suas subsidiárias.
| Ibovespa | 0,45% | 117.164 pontos |
| Dólar à vista | -0,89% | R$ 5,42 |
| Bitcoin | 3,44% | R$ 250.700 |
| S&P 500 | 0,13% | 4.405 pontos |
| Nasdaq | 0,11% | 14.541 pontos |
| Dow Jones | -0,19% | 34.894 pontos |
Com a votação da reforma do imposto de renda adiada e pouca movimentação política, os maiores destaques vindo da capital federal ficaram com o ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Em participação em comissão no Senado, Guedes não só lamentou o adiamento da votação da proposta como também voltou a ressaltar a importância da aprovação do parcelamento dos precatórios, dizendo que Brasília pode parar caso a medida não seja aceita.
O alívio no cenário fiscal ficou por conta de Campos Neto pela segunda vez na semana. Ele voltou a reforçar o seu compromisso com a ancoragem e o cumprimento da meta de inflação e do compromisso fiscal.
O mercado de juros aproveitou a deixa para se acomodar um pouco após a forte alta das últimas semanas. Todos os principais vencimentos fecharam com um recuo significativo nesta tarde. Confira:
De carona com a recuperação do Nasdaq, Locaweb e Totvs, duas empresas do setor de tecnologia, aproveitam para apagar as quedas recentes. CVC, Localiza e Unidas, companhias que sofreram bastante nos últimos dias com a incerteza em torno da variante delta, também aproveitaram o fôlego extra para recuperar parte das perdas.
Fora do TOP 5, mas ainda com desempenhos que merecem destaque, Madruga, da Monte Bravo, aponta as ações da Weg e da B3 que subiram mais de 4% na tarde de hoje — a primeira se beneficia da pressão no câmbio por ter boa participação em negócios internacionais; já a B3, que vinha sofrendo com rumores sobre uma possível rival, aproveitou para também devolver a queda.
Confira os principais destaques do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 24,36 | 7,79% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 19,00 | 7,34% |
| TOTS3 | Totvs ON | R$ 36,60 | 5,78% |
| RENT3 | Localiza ON | R$ 58,14 | 5,31% |
| LCAM3 | Locamérica ON | R$ 26,03 | 5,17% |
Confira também as maiores quedas que, mais uma vez, ficaram por conta do setor de commodities:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 37,00 | -5,78% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 97,51 | -5,71% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 17,08 | -5,69% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 63,41 | -5,33% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 27,69 | -3,52% |
Para o BBA, as preocupações com a alavancagem têm pressionado o desempenho da CSN. No ano, a CMIN3 caiu 7%, enquanto a Vale (VALE3) subiu 20%
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