Tensão “pré-Super Quarta” leva volatilidade ao mercado e Ibovespa fecha o dia em queda; dólar recua a R$ 5,61
Em mais um dia de pressão dos juros futuros americanos, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,72%, aos 114.018 pontos. O dólar à vista também recuou a R$ 5,61

A “Super Quarta”, com as decisões de política monetária do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, o BC americano, só acontece amanhã, mas a véspera já foi marcada pela movimentação intensa do mercado de juros - principalmente lá nos Estados Unidos.
Como tem sido frequente nas últimas semanas, as bolsas americanas tiveram um dia negativo, pressionadas pela alta dos retornos dos títulos públicos, principalmente os papéis com vencimentos mais longos - como o T-note de 10 anos e o T-bond de 30 anos. Essa alta é pressionada pela leitura de que o Fed deve subir a taxa básica de juros antes do esperado, ainda que a projeção para amanhã seja de manutenção do nível atual.
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Mas, ao longo do dia, o que se viu foi uma intensa volatilidade desses títulos, que passaram a maior parte da sessão oscilando próximos da estabilidade. Nem mesmo um leilão feito pelo Tesouro americano reverteu o quadro. Essa movimentação acabou refletindo no saldo final das bolsas americanas: o índice Nasdaq avançou 0,09%, enquanto o Dow Jones e o S&P 500 recuaram 0,39% e 0,16%, respectivamente.
Com Nova York no vermelho e a tradicional cautela que antecede as decisões de política monetária, a falta de novidades fez com que o Ibovespa fechasse em queda, após uma manhã bem instável nos negócios. O principal índice da bolsa brasileira encerrou a sessão em queda de 0,72%, aos 114.018 pontos.
No câmbio a história foi diferente. Desde o começo do dia a moeda americana operou em queda, chegando a encostar nos R$ 5,55. O dólar à vista ganhou força no fim da tarde, mas ainda assim fechou o dia com um recuo de 0,36%, a R$ 5,6191.
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No mercado de juros brasileiro, tivemos mais um dia de alívio, apoiado pelo câmbio e também pela movimento dos Treasuries, principalmente na ponta mais longa. Confira as taxas de fechamento de hoje:
- Janeiro/2022: de 4,29% para 4,27%
- Janeiro/2023: de 6,04% para 6,02%
- Janeiro/2025: de 7,40% para 7,37%
- Janeiro/2027: de 7,94% para 7,89%
Só se pensa naquilo
A pressão inflacionária herdada dos abundantes estímulos monetários tem tirado o sono de muitos investidores nos últimos meses.
Enquanto nos Estados Unidos o fantasma da inflação ainda aparece de forma tímida, muito mais nas projeções dos economistas do que de fato nos resultados da atividade econômica do país, no Brasil essa já é uma realidade.
Nos últimos meses, o Banco Central já vinha sinalizando que estava atento aos efeitos da alta dos preços e agora o mercado já espera que o Copom anuncie um aumento de 50 pontos-base ou até mesmo 75 pontos-base na taxa Selic, que hoje se encontra na mínima histórica de 2% ao ano. Se confirmada, essa será a primeira vez em seis anos que o BC aumentará a taxa básica de juros.
Nos Estados Unidos, a expectativa do mercado está mais voltada para a coletiva que deve vir após o anúncio do Federal Reserve do que para a decisão em si. O Fed deve manter a sua política monetária inalterada, mas os investidores buscam sinais de que a instituição pode elevar a taxa de juros antes do esperado.
Por lá, o receio é de um “superaquecimento” da economia, mas os sinais mistos emitidos pela atividade da maior economia do mundo ainda deixam o cenário nebuloso. Nas últimas semanas, diversos dirigentes do Federal Reserve, incluindo Powell, tentaram acalmar o mercado ao dizer que a inflação está sendo monitorada e que os juros devem se manter baixos por um longo tempo, até que o país atinja o pleno emprego, mas sem convencer de fato.
O temor de uma pressão inflacionária voltou a crescer com a aprovação do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão. Com isso, os juros futuros dispararam, aumentando também o retorno dos títulos públicos dos EUA - considerados os ativos mais seguros do mundo e que acabam forçando uma migração de recursos das bolsas de valores para os Treasuries. Esse movimento prejudica principalmente investimentos mais incertos, como as empresas de tecnologia e os mercados emergentes.
Hoje mais cedo os dados do varejo americano decepcionaram os analistas, mas o sentimento foi parcialmente compensado justamente pela perspectiva de que em breve os americanos comecem a receber os cheques de US$ 1,4 mil do pacote de socorro do governo Biden.
A produção industrial do país também decepcionou, caindo 2,2% em fevereiro ante janeiro. A previsão dos analistas era de uma leve alta de 0,3% no período. Esses números ajudam a explicar a instabilidade do mercado de juros hoje.
Foco na vacina
Na Europa, as principais praças fecharam no azul, mas a tensão dos mercados no Velho Continente esteve ligada ao ritmo de vacinação contra o coronavírus na região.
Após relatos de efeitos adversos, alguns países suspenderam a vacinação com o imunizante produzido pela AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford.
Dança das cadeiras
Depois de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, o ministério da Saúde terá mais uma vez um médico no comando. O general da reserva Eduardo Pazuello, que assumiu o cargo com a saída de Teich, dará lugar ao presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga. Pazuello é o décimo primeiro ministro do governo de Jair Bolsonaro a sair por pressões externas.
A troca acontece no pior momento da pandemia, com diversos estados decretando medidas de lockdown e restringindo a circulação da população para tentar reverter a situação crítica na qual se encontram os hospitais por todo o país. A volta de um médico para a pasta indica uma tentativa de mudança de tom do presidente no combate ao coronavírus.
Em seu primeiro pronunciamento, Queiroga defendeu o uso de máscaras e a importância da ciência, o que contrasta com o tom adotado pelo governo federal até o momento.
Sobe e desce
A alta do minério de ferro no mercado internacional, após alguns dias de recuo, fez com que as empresas com exposição à commodity tivessem ganhos relevantes. Ao fim do dia, as ações da Usiminas acabaram ficando com o melhor desempenho do índice.
Destaque também para as ações da Klabin, que foi convidada para os debates em preparação à próxima Conferência Climática da Organização das Nações Unidas, a COP26, reforçando o seu compromisso com o ESG. Confira os principais desempenhos do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 18,54 | 8,55% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 29,59 | 4,30% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 35,97 | 4,05% |
| RADL3 | Raia Drogasil ON | R$ 25,84 | 3,57% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 75,04 | 3,01% |
As empresas do setor de aviação e turismo, que tiveram uma alta significativa na sessão de ontem, passaram por um movimento de realização de lucros. Além delas, o setor de construção também teve um desempenho negativo, refletindo a perspectiva de alta dos juros. Confira as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 17,57 | -7,09% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 22,57 | -6,23% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 40,40 | -5,70% |
| EZTC3 | EZTEC ON | R$ 30,32 | -4,92% |
| JHSF3 | JHSF ON | R$ 6,70 | -4,83% |
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