Vacina à vista! As ações mais indicadas na bolsa para você lucrar com a reabertura da economia
Com um horizonte para o fim da pandemia, a procura por shoppings centers e por empresas do setor de varejo, em especial o de vestuário, tende a crescer. Confira as principais apostas de analistas e gestores

Os meus fins de semana antes do coronavírus em quase nada se parecem com os últimos 58 atravessados dentro da pandemia. No “velho normal”, não podia faltar uma corridinha no parque, uma ida ao meu restaurante favorito para papear melhor com a minha melhor amiga e pelo menos uma volta no shopping e um ocasional cineminha para aliviar as ideias.
Com a covid-19 ganhando contornos cada vez mais trágicos e mortais, as palavras cinema, shopping e restaurante definitivamente saíram não só do meu vocabulário como da maioria dos brasileiros.
Meu padrão de consumo também mudou drasticamente. Se as idas ao shopping quase sempre eram sinônimo de pelo menos uma peça, sapato ou maquiagem nova, as compras online viraram a regra — e, na maior parte do tempo, quase sempre de itens realmente necessários.
Mas agora, com uma campanha de vacinação mais concreta e a perspectiva de que até setembro a maior parte dos adultos com mais de 18 anos estará vacinada, já é possível sonhar com um fim da pandemia.
Na semana passada, eu entrevistei o Max Bohm, analista de ações da Empiricus, que me explicou como o simples fato de termos um cronograma de vacinação já impacta o consumo da população.
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“A recuperação econômica depende da confiança, e você só se sente confiante quando você enxerga um cenário melhor. Isso gera um clima maior de otimismo que se reverte em compra, investimento e aquelas coisas que fazem as pessoas felizes, mais confiantes”.
De fato, desde que o comércio voltou a abrir as portas, os shoppings centers e o varejo mostram que a demanda reprimida no último ano está pronta para voltar — o melhor dia das mães em cinco anos e dados preliminares do dia dos namorados mostram que esse é só o começo.
Esse cenário abre uma nova janela de oportunidades não só para a renovação do guarda-roupa. O que acontece na economia real tem reflexo na bolsa de valores, e as empresas que estiverem prontas para surfar essa onda — depois de apanhar durante a crise — podem trazer grandes oportunidades para o investidor.
Mas quais ações na B3 têm condições de se sair melhor na reabertura? Para trazer a resposta, conversei com Renan Vieira, sócio e CIO da Taruá Capital; Roberto Reis, diretor de investimentos da Meraki Capital; Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos e Max Bohm, analista de investimentos da Empiricus.
Horizonte mais feliz
O adiantamento do calendário de vacinação no estado de São Paulo foi recebido com entusiasmo na bolsa, mesmo que outras regiões do Brasil já estejam com o processo de imunização mais adiantado. Como principal mercado consumidor do país, a população adulta paulista vacinada mais cedo é uma notícia de impacto nacional.
Depois de um 2020 complicado, as projeções para os resultados das companhias, principalmente as ligadas ao varejo, consumo e turismo, voltaram a crescer. Vacinação em curso, atividade aquecida, uma demanda reprimida e um cenário otimista parecem ser a receita para o sucesso das empresas. Confira as principais razões para o otimismo dos gestores:
- Recomposição do prejuízo de 2020;
- Impacto menor do que o esperado dos lockdowns promovidos no começo de 2020;
- Demanda reprimida que já vem mostrando sinais de recuperação com um bom dia das mães e dados preliminares animadores do Dia dos Namorados;
- Crescimento global otimista;
- Grande volume de poupança do brasileiro.
Mas é preciso distinguir o otimismo de euforia. Para Roberto Reis, da Meraki Capital, não há razões para o segundo caso. Embora a vacinação traga um alívio para o cenário e impulsione as estimativas de crescimento — o que é um bom chamariz também para o investidor estrangeiro —, os problemas estruturais do país continuam, entre eles o cenário político incerto com a proximidade das eleições de 2022.
Ou seja, o cenário é animador, mas não livre de riscos. Para os especialistas, um atraso na vacinação não chega a ser considerado, até porque o nosso ritmo de imunização já está atrasado quando comparado a boa parte do mundo.
O que mais preocupa em relação à pandemia é a possibilidade de uma terceira onda de casos, já que até que boa parte dos brasileiros esteja imunizada com as duas doses não dá para cantar vitória. Se até lá for preciso novos lockdowns e restrições à circulação, a tese de retomada pode ir por água abaixo, atrasando a volta à vida normal.
A lista de compras
Preparado para ir às compras e pegar o bonde da retomada? Então é hora de avaliar o cenário. Os especialistas apontam que esse movimento já começou, com um destaque absoluto para o segmento de vestuário.
Ao lado dos queridinhos dos brasileiros, os shoppings centers, as empresas do ramo devem ser as primeiras a sentir os efeitos positivos da retomada.
Se você gosta de spoilers, é só olhar para os Estados Unidos. Para os gestores e analistas, o comportamento visto no mercado norte-americano com a chegada do verão é semelhante ao que devemos ver no Brasil entre dezembro e janeiro. Isso, claro, se tudo andar conforme o planejado.
Repaginando a economia
Os gastos que estiveram voltados para bens mais duráveis durante a quarentena devem, em breve, ser direcionados para outros setores. Com a pandemia superada, as idas ao shopping devem ficar mais frequentes, e o varejo de moda deve ser o primeiro alvo de consumo. Com isso, as empresas do setor listadas na bolsa devem sair na frente.
A campeã de aparições entre as preferidas para a retomada é disparado Lojas Renner (LREN3), citada por todos os especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro.
Mas ela não foi a única do segmento a ser lembrada. Arezzo (ARZZ3), C&A (CEAB3) (especulada como alvo de aquisição da Renner), Guararapes (GUAR3) e Marisa (AMAR3) são algumas das companhias que também estão nas carteiras dos gestores.
Com a precificação da retomada ganhando corpo, as empresas de vestuário já começaram a avançar. “As ações do setor tendem a andar bastante e vai tudo junto, mas ainda há um espaço confortável para valorização”, aponta Renan Vieira, sócio e CIO da Taruá Capital.
A queridinha
Para os especialistas, a Renner é uma empresa muito tradicional que já se provou com qualidade maior de execução, mas que ainda apresenta uma performance tímida na bolsa se levados em conta os seus múltiplos pré-pandemia.
Para Max Bohm, analista da Empiricus, o patamar de preço atual é um ótimo ponto de entrada em um papel “líquido e de qualidade”, e a empresa tem tudo para “mudar de patamar” com a vacinação e outros gatilhos que estão no radar. Recentemente, a empresa fez uma oferta de ações bilionária que movimentou R$ 4 bilhões.
O objetivo é correr atrás de pontos ainda frágeis para a companhia, como o e-commerce e a oferta de produtos em diversos canais (omnichannel) com investimento em tecnologia e digitalização.
Mas o que o mercado está de olho mesmo é um potenciais aquisições que podem ser feitas pela Renner com o dinheiro da oferta de ações. Entre os possíveis alvos estão C&A, Marisa e Dafiti.
Tá no DNA
Samba, futebol, caipirinha e aquele domingo no shopping center são quase unanimidades entre os brasileiros. Depois de mais de um ano em casa, quem não está ávido por dar aquela passadinha na loja favorita? No começo desta reportagem eu já entreguei que certamente estou.
O segmento de shoppings centers deve ser um dos que mais se beneficiará de uma volta à normalidade e desse “apego” que nem a pandemia eliminou.
A prova disso está no aumento do fluxo nos shoppings nas últimas semanas, acompanhando o alívio nas medidas de lockdown decretadas em março e também as datas comemorativas tradicionais como o dia das mães e o dia dos namorados.
Para os especialistas, o segmento “ficou para trás” na bolsa e ainda está longe do seu auge. As apostas estão bem divididas, mas Multiplan (MULT3) e Aliansce Sonae (ALSO3) se destacaram com mais menções.
No caso da Multiplan, os gestores destacam que a execução da companhia e o seu portfólio são melhores do que os de seus pares e, assim como a Aliansce Sonae, se encontra com um grande desconto.
O portfólio da segunda também é destaque, já que a empresa trabalha com um leque grande de regiões e classes sociais, imprimindo uma identidade balanceada e diversificada.
O analista da Empiricus também aponta que, além de ser a ação “mais barata”, a ALSO3 é a opção menos alavancada do setor. Com a alta da Selic, esse é um ponto a ser observado, já que a empresa deve sofrer um impacto menor nas despesas financeiras.
A BR Malls (BRML3) também foi citada pelo gestor da Taruá Capital, ao lado da Multiplan e Aliansce Sonae.
Fora do radar
Antes de mudarmos totalmente o foco, é preciso citar dois papéis que apareceram entre as apostas dos especialistas, mas que provavelmente estão um pouco fora do radar quando o assunto é retomada.
Roberto Reis, da Meraki Capital, aponta que a novata Espaçolaser (ESPA3) pode ser mais uma a se beneficiar do momento de reabertura econômica, assim como os shoppings e empresas de vestuário. “É um bom player para a reabertura, os papéis ainda tem muito para andar.”
Já Bohm, da Empiricus, aposta em um bom momento para as ações das Lojas Quero Quero (LJQQ3). A rede de materiais de construção está em expansão, mas tem grande presença no Sul do país. Para o analista, o bom momento do agronegócio, com grande impacto nessa região, pode levar a um aumento da demanda e gastos com reformas e construções.
A segunda braçada
Depois que o varejo e o shopping absorverem a primeira onda de otimismo, os setores de aviação e turismo devem sentir o impacto do renascimento da confiança. Com isso, os olhos se voltam para as empresas diretamente ligadas aos setores.
Já é possível identificar a recuperação do setor aéreo, mas localmente. Com a retomada da normalidade e o andamento da vacinação, as viagens internacionais devem voltar ao radar dos consumidores.
Segundo Roberto Reis, da Meraki, as pesquisas já indicam uma retomada nos preços das passagens aéreas, mas a aposta no setor se trata de uma visão mais sazonal, com as apostas da gestora em Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4).
Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, lembra que a paixão do brasileiro por viajar pode impulsionar também as ações da CVC (CVCB3), especializada principalmente na venda de pacotes turísticos. Aliada a um dólar mais baixo, a companhia já vem acumulando uma valorização significativa no primeiro trimestre, mas pode ir além.
A aposta de Bohm para o setor é um pouco mais incomum. “Em um primeiro momento você não vai reconhecer como uma empresa de turismo, mas a Marcopolo (POMO4), que sofreu muito na crise, tem tudo para se beneficiar desse momento. A gente a prefere às aéreas.”
Para o analista, com as pessoas voltando a viajar, as empresas de ônibus precisarão renovar sua malha, que ficou envelhecida durante a pandemia. Para Bohm, isso deve ocorrer a partir de setembro, para que as empresas estejam preparadas para a ‘volta ao normal’ da população adulta imunizada.
Além disso, metade da receita da Marcopolo vem de operações no exterior em países que já avançaram nesse processo de reabertura, como Estados Unidos, Canadá e Austrália.
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Efeito champagne
Uma economia mais pulsante e uma população com confiança renovada não deve ter impacto só no varejo. O esperado é um "efeito champagne", com outros segmentos — em maior ou menor grau — se beneficiando da nova realidade. Aliás, essa é a razão pela qual os especialistas que consultei terem evitado apontar aqueles que não devem se beneficiar do momento.
Com o público comprando mais e viajando mais, a indústria, as empresas de logística e combustíveis, e o setor financeiro também devem buscar o seu espaço nos holofotes.
Entre as apostas dos gestores e analistas de ações que podem se beneficiar por tabela da reabertura da economia estão: BR Distribuidora (BRDT3), Banco Pan (BPAN4), Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4).
E você, está otimista para o desempenho da bolsa com a perspectiva de reabertura da economia? Deixe logo abaixo nos comentários as suas ações favoritas.
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