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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

mercados hoje

Ata do Fed reafirma caráter temporário da inflação, mas bolsas aceleram queda; dólar avança

A ata do Fed é o grande evento do dia, e os mercados operam com o freio de mão puxado, aguardando o pronunciamento de Jerome Powell

Renan Sousa
Renan Sousa
19 de maio de 2021
10:27 - atualizado às 17:40
Imagem: Shutterstock

A aparente calmaria que tomou conta dos mercados nos últimos dias chegou ao fim nesta quarta-feira (19).

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No Brasil, a CPI da covid-19 escutou pela manhã o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e a Câmara deve discutir e votar a Medida Provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobras. Mas é o mercado externo que dá as cartas no momento. 

O mercado estava na expectativa pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, quando o BC americano deixou a política monetária inalterada, buscando sinais de que a pressão inflacionária e a recuperação econômica podem levar a instituição a aumentar a taxa de juros. 

O documento não trouxe grandes novidades. Os dirigentes voltaram a afirmar que o impacto nos preços é oriundo de pressões temporárias e que o cenário ainda demanda uma política monetária acomodatícia, ainda que os estímulos monetários e fiscais venham fazendo a economia crescer. 

Mesmo assim as bolsas americanas, que vinham reduzindo a queda na última hora, voltaram a acelerar o recuo e o retorno dos títulos dos Treasuries atingiram novas máximas. Os investidores aguardam a coletiva de imprensa de Jerome Powell, presidente da instituição, e ponderam sobre a colocação de alguns dirigentes de que a discussão sobre a redução da compra de ativos pode começar.

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Acompanhando o ritmo, por volta das 15h25, o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,34%, aos 122.552 pontos. Com a Eletrobras no radar dos investidores, o setor elétrico sobe em bloco, ajudando o Ibovespa a não se afastar dos 122 mil pontos. O dólar à vista avançava 0,65%, cotado a R$ 5,2892 no mesmo horário.

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Ata do Fed

O grande evento da semana é a divulgação da ata da reunião do Federal Reserve (15h). Ela dará o tom da política monetária do Banco Central americano para os próximos meses, e os investidores esperam o documento com cautela.

Tanto os índices europeus quanto os asiáticos, já fechados, estão no vermelho, com a aversão ao risco crescendo antes da divulgação da ata. 

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O temor geral é de que o Fed altere sua política monetária antes da hora. Se, por um lado, a instituição financeira estaria se adequando aos novos tempos, de retomada econômica e retiro dos estímulos, por outro, poderia incentivar a migração de recursos para ativos como os Treasuries, os títulos do Tesouro dos EUA. Além disso, esse movimento indicaria que a situação inflacionária do país está no limite, o que aumentaria ainda mais a pressão sobre os ativos de risco. 

No documento, os dirigentes sinalizaram que as expectativas de inflação permanecem ancoradas e voltaram a afirmar aceitar a possibilidade de um índice acima de 2% "por algum tempo". Embora categorizem a alta dos preços como temporária, o Fed apontou riscos duradouros caso 'gargalos' não sejam resolvidos.

Na expectativa, o retorno dos Treasuries recuam nesta tarde. Após um dia de alta expressiva, o mercado de juros brasileiro segue a mesma tendência. Confira as taxas do dia:

  • Janeiro/2022: de 4,98% para 4,96%
  • Janeiro/2023: de 6,82% para 6,79%
  • Janeiro/2025: de 8,30% para 8,26%
  • Janeiro/2027: de 8,87% para 8,85%

Eletrobras: é hoje?

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que colocará em pauta na Casa ainda hoje a MP da privatização da Eletrobras. Confira aqui o que está em jogo com essa Medida provisória e quanto a estatal pode vir a valer.

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As ações da Eletrobras (ELET3 e ELET6) acompanham os movimentos da MP, com o mercado apostando cada vez mais fichas na aprovação da medida. Só em 2021, a valorização dos papéis gira em torno dos 20%, subindo dos R$ 32 para o patamar dos R$ 40 só com a reação aos acenos do governo.

A oposição já anunciou que irá tentar barrar a MP, mas Lira voltou a afirmar que a discussão está na pauta do dia.

https://twitter.com/ArthurLira_/status/1394732835500609537

Ainda assim, hoje, o setor elétrico sobe em bloco, de olho em Brasília. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEULT VAR
BRFS3BRF ON21,773,37%
CPFE3CPFL Energia ON28,602,55%
ELET6Eletrobras PNB41,902,37%
EQTL3Equatorial ON25,762,92%
ENGI11Engie units45,882,46%

Na ponta contrária, Vale e siderúrgica recuam forte após uma nova queda do minério de ferro. Confira:

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CÓDIGONOMEULT VAR
CSNA3CSN ON46,82-4,86%
EMBR3Embraer ON15,71-4,32%
GOAU4Metalúrgica Gerdau PN15,11-3,70%
GGBR4Gerdau PN34,55-3,65%
VALE3Vale ON110,72-3,39%

Pazuello na CPI

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, dá seu depoimento à CPI da Covid desde às 9h de hoje. Sua fala é a mais esperada desde a criação da Comissão, porque, durante sua gestão, a crise do coronavírus se agravou em Manaus, com problemas na distribuição de oxigênio e superlotação dos hospitais. 

Assim como o depoimento de ontem (18) do ex-chanceler Ernesto Araújo, Pazuello não deve influenciar diretamente a bolsa. Entretanto, sua fala pode aumentar a pressão sobre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e sua relação com as Casas Legislativas. 

Essa relação, sim, pode influenciar no andamento de pautas, como o pacote de reformas e outras prioridades do governo. 

Ricardo Salles investigado

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a Pasta são alvos de operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (19). Conforme a PF, a ação tem como objetivo apurar crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro. Ao todo, são 35 mandados de busca no Distrito Federal, São Paulo e Pará. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com o Broadcast. 

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Assim como o depoimento de Pazuello, essa operação coloca ainda mais pressão sobre o noticiário em Brasília e deve respingar na bolsa brasileira. 

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